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Mostrando postagens de Julho 1, 2012

Oswaldo Goeldi, Chuva

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Ronaldo Brito
O homem do guarda-chuva vermelho é o exemplar típico do sujeito anônimo universal. Todos nós, cada um de nós, resumido à sua condição básica – o homem sozinho dentro do mundo, diante da vida, a enfrentar como pode os elementos. À sua maneira concisa, nada grandiloquente, a pequena gravura nos reensina a ver o mundo, a senti-lo como uma cena móvel e traiçoeira, cercada de intenções e presságios inquietantes. O homem do guarda-chuva vermelho experimenta, nesse instante, a crise de consciência sobre essa verdade inelutável. Daí talvez sua imobilidade perplexa, um tanto indecisa, a posição de través face ao real – se alguma coisa, ele fita o muro à direita, e não o horizonte à frente. Horizonte que se contrai, prestes a se transformar num impasse. O plano de projeção é amplo (Goeldi interrompe o muro, nesse intuito, antes que alcance a borda da gravura), mas converge de modo drástico: ali, onde deveríamos encontrar o ponto de fuga, a abertura ao infinito, deparamos com uma pa…