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Mostrando postagens de Março 10, 2013

"A Luta de Classes na Cultura"

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Nos primeiros anos da Rússia soviética, parte dos revolucionários entendeu que chegara a hora de defender a cultura popular contra o elitismo predominante nos círculos endinheirados. Com a nova situação política, a produção vinda diretamente do povo poderia afirmar-se em seu valor de face, sem precisar passar pelos julgamentos de valor de uma pequena elite que parecia sonhar com os salões culturais dos grandes centros  europeus. Imbuídos da certeza de que a hora do povo chegara, esses representantes do gosto popular defenderam a riqueza da expressão em suas formas naturais, sem os delírios formalistas que apenas demonstravam um pedantismo acadêmico sem vida. Pois, tal como na política, havia uma luta de classes na cultura e, tal como na política, era hora de o povo fazer ouvir sua revolução. Essa história vale ao menos para mostrar quão inconsequente pode ser a transposição imediata de categorias políticas para o campo cultural. Os defensores da cultura popular na Rússia soviética fora…

PUBLIXAÇÕES

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Há um. No cerne do presente Seminário, esse aforismo, que passara despercebido, completa o Não existe da relação sexual, enunciando o que há. Entenda-se, o Um-sozinho. Sozinho em seu gozo (essencialmente autoerótico), assim como em sua significação (fora da semântica). Aqui começa o último ensino de Lacan. Ali está tudo o que ele ensinou, e no entanto, é tudo novo, renovado, virado de pernas para o ar. 

Lacan ensinava a primazia do Outro na ordem da verdade e na do desejo. Aqui, ensina a primazia do Um na dimensão do real. Rejeita o Dois da relação sexual e o da articulação significante. Rejeita o grande Outro, eixo da dialética do sujeito, e o remete à ficção. Desvaloriza o desejo e promete o gozo. Rejeita o Ser, que não passa de semblante. Aqui, a henologia, doutrina do Um, supera a ontologia, teoria do Ser. E a ordem simbólica? Não é outra coisa no real senão a iteração do Um. Donde o abandono dos grafos e das superfícies topológicas em favor dos nós, feitos de rodinhas de barbantes…