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quarta-feira, março 21, 2018

Qual é sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?



INÍCIO25/03/2018 

DIA: SEGUNDAS FEIRAS

HORÁRIO: 17H00 AS 18H30

LOCAL: UFSC - CFH - sala 307



ATIVIDADE ABERTA E GRATUITA





Qual é sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa? 
Um olhar sobre Anna Kariênina , de Tolstói.




A literatura, desde Freud, tem sido um caminho importante para a apresentação da intricada teia conceital da psicanálise. Em grupos heterogêneos, formados por estudantes de diversas áreas do saber, as figuras literárias permitem um diálogo franco com a teoria, sem correr o risco de escorregões no sigilo ético, tão fundamental na apresentação de casos clínicos. 

Por essa via, nosso objetivo é abrir um espaço para a discussão, problematização e questionamentos do lugar da mulher na teoria psicanalítica. 
Partindo da pressuposição lacaniana de que “A mulher não existe", pois não há no in-consciente a representação da mulher, propomos um retorno à teoria freudiana para melhor compreender à acepção de Lacan.

Ao propor que no inconsciente só existe um significante que marca a diferença sexual, Freud construiu o campo da sexualidade a partir da primazia do falo. Daí sua formulação da diferença sexual em termos do ter ou não ter o falo. 

Admitindo o falocentrismo do inconsciente, Lacan “refuta o Édipo como mito para reduzi-lo unicamente à lógica da castração; acrescenta que essa lógica não regula o campo do gozo: há uma parte dele que não passa pelo Um fálico e que permanece, real, fora do simbólico. Dizer que A mulher não existe, é dizer que a mulher é apenas um dos nomes desse gozo, real. ” (Soller, 2005, p. 28) 
No entanto, como adverte Soller, dizê-las não-todas na função fálica, reconhecer-lhes um outro gozo que não o ordenado a partir da castração, não equivale a lhes creditar uma natureza antifálica.



Bibliografia:
  1. ANDRÉ, Green/Organ., A pulsão de Morte, São Paulo: Editora Escuta, 1988.
  2. BADIOU, Alain, Pequeno manual de inestética, São Paulo: Estação Liberdade, 2002.
  3. BARTUCCI, Giovanna, Onde tudo Acontece - Cultura e Psicanálise no século XXI, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 203
  4. COLETTE, Soler, O que Lacan dizia das Mulheres, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, Ed., 2005.
  5. EAGLETON, Terry, A ideologia da Estética, Cap. 10, O Nome do Pai: Sigmund Freud, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993
  6. FREUD, Sigmund, Estudos sobre a Histeria, Vol. II, Obras Completas, Rio de Janeiro, Imago, 1980.
  7. ————————————-, Arte, Literatura e os Artistas, Obras Incompletas de Sigmund Freud, Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015
  8. GUIMARÃES, LEDA, Gozos da Mulher, e-book
  9. NERI, Regina, A psicanálise e o feminino: um horizonte da modernidade- Novas configurações da diferença sexual. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2005.
  10. KEHL, Maria Rita, Deslocamentos do Feminino, São Paulo, SP: Boitempo, 2016 
  11. LACAN, Jacques, A Significação do Falo, Escritos, Rio de Janeiro: Zahar, 1998
  12. LACAN, Jacques, Seminário - Livro XX, Mais, Ainda, Rio de Janeiro: Zahar Editores S.A, 1982
  13. NABOKOV, Vladimir, Lições de Literatura russa, São Paulo: Três Estrelas, 2014.
  14. PIGLIA, Ricardo, Formas Breves, Capítulo VII - Os sujeitos Trágicos (literatura e psicanálise), São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
  15. PONTALIS,  J.B., MANGO, Edmundo Gómes, Freud com os escritores, São Paulo: Três Estrelas, 2013.
  16. RANCIÈRE, Jacques, O inconsciente estético, São Paulo, Ed. 34, 2009.
  17. TOLSTÓI, Liev,  Anna Kariênina,  Ed. CosacNaify

sexta-feira, agosto 04, 2017

CURSO DE PSICANÁLISE




                                                 MUDANÇA DE SALA:  

O Curso será realizado na sala 505 do EFI - Espaço Físico Integrado - UFSC.


Objetivo do Curso: 


Apresentar através de textos e aulas expositivas o conceito de pulsão na segunda tópica freudiana, suas ressonâncias na teoria lacaniana, bem como, suas implicações para a clínica atual.

Conteúdo Pragmático:


Influenciado pelo ideal positivista, Freud incessantemente procurou aproximar a psicanálise do campo da ciência. Dentro desta perspectiva, podemos entender porque a leitura do determinismo do inconsciente foi o eixo que impulsionou todo o desenvolvimento da teoria psicanalítica, no se convencionou chamar de Primeira Tópica.

Tendo o inconsciente como conceito fundamental da psicanálise, a experiência analítica foi encarada como uma prática clínica cujo movimento visa à revelação do inconsciente. Para ultrapassar os seus conflitos psíquicos, o sujeito deveria dominar as suas representações inconscientes de maneira a torná-las consciente. 

No entanto, este modelo começa a ser modificado a partir de 1915, em A Pulsão e seus Destinos, Neste texto, inicia-se um novo caminho para a teoria freudiana. O conceito de pulsão começa a ganhar predominância e o determinismo psíquico sustentado até então, vai, pouco a pouco, abrindo espaço para o que  alguns leitores da obra freudiano chamam de indeterminismo pulsional. 

A pulsão converte-se em um conceito fundamental e o inconsciente, o recalque e a sublimação passam a ser considerados derivações da força pulsional. Ao conferir autonomia a força pulsional, torna-se possível a Freud, pensar a existência de uma pulsão sem representação. Esta possibilidade se realiza em seu texto de 1920, Mais além do Princípio do Prazer, com a formalização do conceito de pulsão de morte.

Neste curso, pretendemos fazer uma trajetória pelos textos da segunda tópica freudiana, buscando compreender a virada teórica deste movimento e seus efeitos na clínica psicanalítica de Freud a Lacan. Assim como, a importância dessa perspectiva teórica para a clínica contemporânea. 



Bibliografia: 

BIRMAN, Joel, As pulsões e seus destinos - Do corporal ao psíquico, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.
_____________, Estilo e Modernidade em Psicanálise, São Paulo: Ed. 34, 1997.
FREUD, Sigmund, As pulsões e seus destinos - 1915, Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.
________________, Luto e Melancolia - 1917, Rio de Janeiro: Imago Editora, 2006.
________________, Além do Princípio do Prazer - 1920, Rio de Janeiro: Imago Editora, 2006.
________________, O Eu e o Id - 1923, Rio de Janeiro: Imago Editora, 2007.
GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo, Introdução à Metapsicologia Freudiana, Vol.III, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995.
JORGE, Marco Antonio Coutinho, Fundamentos da Psicanálise - as bases conceituais - vol.1, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005
LACAN, Jacques, O Seminário, livro 11 - os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1990.
MEZAN, Renato, Freud: A trama dos conceitos, São Paulo: Perspectiva, 2011.
QUINET, Antonio, A descoberta do Inconsciente - do desejo ao sintoma, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000.

Filosofia e Psicanálise









Curso do Professor Marcos
 neste Semestre - 2017/2











UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
CURSO DE PSICOLOGIA
FIL 5779 FILOSOFIA DA PSICANÁLISE (72h)

Segunda-feira – Das 14H00 ‘as 17H00
Prof. Marcos José Müller
Abordagens do conceito de inconsciente. O estatuto de cientificidade da psicanálise. Freud e seus seguidores.

PLANO DE ENSINO
Objetivos:

Ao término do curso o aluno deverá ser capaz de:
1. Identificar os principais conceitos relativos à teoria freudiana das pulsões.
2. Dissertar a maneira como a temática freudiana da pulsão é investigada no contexto do Seminário XI de Jacques Lacan
3. Caracterizar o modo como Lacan faz, no mesmo seminário, o comentário da obra O visível e o invisível de Merleau-Ponty
4. Identificar as possibilidades e limites no diálogo entre as obras lacaniana e merleau-pontyana relativamente à noção de pulsão


Sinopse:

No seminário XI (Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise), Jacques-Lacan interrompe a primeira sessão, dedicada a discutir a noção freudiana de pulsão, para tratar não mais dos conceitos fundamentais da psicanálise, mas do modo como Maurice Merleau-Ponty, na obra póstuma "O visível e o invisível", estabelece aquilo que Lacan denominou de uma diferença entre o olho e o olhar : mais além da visibilidade do mundo, no seio daquilo que emerge como horizonte de invisibilidade, um olhar vem me surpreender, denunciando minha própria vidência. Lacan – agora interessado em delimitar a gênese do sujeito da psicanálise (o sujeito do desejo) - reconheceu, na noção merleau-pontyana de olhar, uma possível indicação daquilo que Freud denominou de pulsão de morte, como se, para Merleau-Ponty, a divisão (Esquize) do Outro (como Invisível) vem denunciar minha própria castração e, por conseguinte, a causa do desejo (objeto a). Mas Lacan não tem certeza se, com a noção de “vidência”, Merleau-Ponty não recai novamente no imaginário platônico de um ultra-olhar, do qual cada corpo seria uma versão. Ora, como Lacan “leria” as mesmas passagens de Merleau-Ponty, agora do ponto de vista do sujeito do gozo, para quem a divisão do Outro já não importa mais? A dúvida se sustentaria? Ou ela seria letal para a nova mirada lacaniana? Para dar conta de cada uma destas questões, vamos recorrer aos textos em que Merleau-Ponty gesta seus conceitos, precisamente, os textos que tratam de construir uma ontologia a partir da obra de arte.

Fundamentação:

“O que há então, não são coisas idênticas a elas mesmas que, em seguida, se ofereceriam ao vidente, e não é um vidente vazio antes de tudo que, em seguida, se ofereceria a elas, mas alguma coisa de que não poderíamos estar mais perto senão lhe apalpando com o olhar, porque o olhar mesmo as envolve, as veste com sua carne. De onde vem que, fazendo isto, ele as deixa em seu lugar, que a visão que nós as tornamos nos parecer vir delas” (M. Ponty, 1964, p.173)

Mas não é entre o visível e o invisível que nós temos que passar. A esquize que nos interessa não é a distância que se mantem entre o que existe de formas impostas pelo mundo e aquilo contara o que a intencionalidade da experiência fenomenológica nos dirige (...). O olhar só se apresente a nós sob a forma (...) da nossa experiência, a saber, a falta constitutiva da agonia da castração. O olho e o olhar, tal é para nós a esquize na qual se manifesta a pulsão no nível do campo escópico (Lacan, 1964, 69-70/72-73)

“De sorte que o vidente, estando preso no que vê, continua a ver-se a si mesmo: há um narcisismo fundamental de toda visão, daí por que, também ele sofre, por parte das coisas, a visão por ele exercida sobre elas; daí, como disseram muitos pintores, o sentir-me olhado pelas coisas, daí, minha atividade ser identicamente passividade – o que constitui o sentido segundo e mais profundo do narcisismo: não ver de fora, como os outros vêem, o contorno de um corpo habitado, mas sobretudo ser visto por ele, existir nele, emigrar para ele, ser seduzido, captado, alienado pelo fantasma, de sorte que vidente e visível se mutuem reciprocamente, e não mais se saiba quem vê e quem é visto. É a essa Visibilidade, a essa generalidade do Sensível em si, a esse anonimato inato do Eu=-mesmo que há pouco chamávamos de carne, e sabemos que não há outro nome na filosofia ocidental para designá-lo“(Merleau-Ponty, 1964, 135.)

“Uma vez que vemos outros videntes, não temos apenas diante de nós o olhar sem pupila, espelho sem estanho das cosias, este pálido reflexo, fantasma de nós mesmos, que elas evocam ao designar um lugar entre elas de onde as vemos: doravante somos plenamente visíveis para nós mesmos, graças a outros olhos. Essa lacuna onde se encontram nossos olhos, nosso dorso, é de fato preenchido, mas preenchido por um visível de que não somos titulares; por certo, para acreditarmos numa visão que não é a nossa, para a levarmos em conta, é sempre, inevitável e unicamente, ao tesoura da nossa visão que recorremos e, portanto, tudo quanto a experiência nos pode ensinar já está, nela previamente esboçado. Mas é próprio do visível, dizíamos, ser a superfície de uma profundidade inesgotável; é o que torna possível sua abertura a outras visões além da minha. (Merleau-Ponty, 19054, p. 139)

Programa

1. O discurso da pulsão em Freud: os três ensaios sobre a sexualidade.
2. A cura pelo desejo e o lugar da pulsão no primeiro ensino de Lacan
3. Em torno do “objeto a”: o retorno a Freud
4. Constituição do sujeito do inconsciente no Campo do Outro e a “separação” como resposta à “alienação”
5. Do olhar como “OBJETO a MINÚSCULO”
6. Mais além da fenomenologia: o quiasma vidente-visível em Merleau-Ponty
7. O invisível: chora ou pulsão?
8. A esquize no invisível: outrem como Gestalt
9. (Des)psicologização da Gestalt em Merleau-Ponty: a carne e seus poros
10. Porosidade carnal e o falasser lacaniano
11. Psicanálise da Carne: Merleau-Ponty leitor de Freud
12. A Análise Gestáltica

Referências bibliográficas

FREUD, Sigmund. (1976) “Três ensaios sobre a sexualidade: _____. Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Trad. Jayme Salomão, RJ: Imago. (Vol. XXII)
LACAN, Jacques. (1986) O seminário – livro 7. A ética da psicanálise. Versão de M. D. Magno – 2.ed. – RJ: Zahar.
_____. 1964. O seminário. Livro 11: os quatro conceitos fundamentais da
psicanálise. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Trad. M. D. Magno.
2.ed.Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
_____. 1969-70. O seminário. Livro 17. O avesso da psicanálise. Texto estabelecido por
Jacques-Alain Miller. Trad. M.D. Magno. Rio de Janeiro, Zahar.1998
_____. 1972. O seminário. Livro 20: mais, ainda. Texto estabelecido por Jacques-Alain
Miller. Trad. M.D. Magno. 2.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
MILLER, Jacques-Alain (1994-5). Silet – Os paradoxos da pulsão, de Freud a Lacan. Trad. Celso Rennó Lima: texto estabelecido por Angelina Harari e Jésus Santiago – RJ: Jorge Zahar, 2005.
MERLEAU-PONTY, Maurice(1964a) . Le visible et l'invisible. - Paris: Gallimard.
_____. (1992) O visible e o invisível. Trad. J. A. Gianotti. SP: Perspectiva
_____ (1964b) . L'oeil et l’esprit. - Paris: Gallimard.
_____. (2004) O olho e o espírito. Trad. Paulo Neves e Maria Ermantina Galvão Gomes Pereira. SP: Cosac & Naify.
_____ (1969) . La Prose du monde. - Paris: Gallimard.
MÜLLER-GRANZOTTO, Marcos José. Outrem em Husserl e em Merleau-Ponty. In: BATTISTI, César (org). Às voltas com a questão do sujeito. Posições e perspectivas. Toledo, Unioeste, 2010.
SARTRE, Jean-Paul. (1943) Entre quatro paredes. SP: Abril Cultural e Industrial.
SHEPHERDSON, Charles. Uma libra de carne. Discurso, (36), 2006, pp.95-125.
SAFATLE, Vladimir. A teoria das pulsões como ontologia negativa. Discurso, (36), 2006, Pp.151-191.
SOLLER, Colette. (1977). O sujeito e o Outro I e II, in: FELDSTEIN, Richard, FINK, Bruce, JAANUS, Maire (orgs). Para Ler o Seminário 11. Trad. Dulce Duque Estrada. RJ: Jorge Zahar, 1977.
ZIZEK, Slavoj; DALY, Glyn.. Arriscar o impossível: Conversas com Zizek. Trad. Vera Ribeiro. SP: Martins Fontes, 2006.


quinta-feira, março 21, 2013

CURSO





UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÄO EM LITERATURA



Disciplina:           FIL-410044      -  Fundamentação dos Discursos Clínicos
PGL 3101       - Filosofia e Literatura

Prof. Dr. Marcos José Müller-Granzotto
E-mail: ..mjmuller@cfh.ufsc.br
Duração: 15 semanas - 4 créditos
Inicio do Curso: MARÇO/2013
Local:
Dia da semana: Terça feira
Horário de início: 13h30min- 16h30

Título do curso: O Desejo nos Discursos Clínicos.

1.   Desejo nos Discursos sobre a Falta: Lacan a respeito de Don Giovanni de Mozart
2.   Desejo nos Discursos sobre o Gozo: Zizek a respeito de “Hamlet antes de Édipo”
3.   Desejo nos Discursos sobre a Renúncia:  Zizek a respeito do “Feminino”
4.   Desejo nos Discursos sobre o Poder: Foucault a respeito de “Diógenes”
5.   Desejo nos Discursos sobre o Erotismo:  Bataille a respeito da “Gratuidade”


Referências bibliográficas


BAAS, Bernard. Don Giovanni e as vozes do desejo. Revista Estudos Lacanianos. V.3, n. 4, BH, 2010 (versão ISSN – 1983-0769)

BATAILLE, Georges. 1987. O erotismo. Porto Alegre: L&PM.
_____. 1992.  A experiência interior. São Paulo: Ática. 
_____. 1975. A noção de despesa. A parte maldita. Rio de Janeiro: Imago.

DELEUZE, Gilles. 1997. Crítica e clínica. SP: Ed. 34.

DIÓGENES LAÊRTIOS. (tradução 1977). Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Trad . Mário            da Gama Kury, 2.ed. Brasília, Unb, Brasília. 1977.

FOUCAULT, Michel. 1953.  Doença Mental e Psicologia. Trad. Lílian Rose Shaldres. RJ:     Tempo Brasileiro .  1975
_____. 1954. Introdução (In Binswanger). In: ­­­­­_____. Dits et écrits, I (1954-1969). Paris, Gallimard. 1994.Versão em português: Ditos e escritos I. Problematização do Sujeito: Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise. Organização e seleção de textos: Manuel Barros da Motta. Trad. Vera Lucia Avellar Ribeiro. 1999.
_____.1963. O Nascimento da Clínica. Trad. Antônio Ramos Rosa. Rio de Janeiro: Forense             Universitária.        1998.
____.1981. Une esthétique de l’existence (entrevista a A. Fontana). In: Dits et écrits,       IV (1980-1988). Paris, Gallimard, 1994, p. 730-735.
_____. 1981-2. A hermenêutica do sujeito. São Paulo, Martins Fontes. 2004
_____ . 1982.  Dits et écrits, IV ( 1980-1988). Paris, Gallimard. 1994.
_____. 1984a. L’usage des plaisirs (Histoire de la sexualité, t. II). Paris: Gallimard. 339 p. (Coleção Tel, edição de bolso). Versão em português: O uso dos prazeres (História da sexualidade, t. II), Trad. Maria Thereza da Costa Albuquerque e J.A. Guilhon Albuquerque. 12. Ed. RJ, Graal, 1984.
_____. 1984b. Le souci de soi (Histoire de la sexualité, t. III). Paris: Gallimard. 334 p.         (Coleção Tel, edição de bolso). Versão em português: O cuidado de si (História da sexualidade, t. III) Trad. Maria Thereza da Costa Albuquerque e J.A. Guilhon Albuquerque. 12. Ed. RJ, Graal, 1985.

HEGEL, F. G. 1808. Fenomenologia do espírito. Trad. Paulo Menezes, Petrópolis: Vozes, 2
                Vol. 1992

LACAN, Jacques. 1956_____. 1959-60. O seminário – livro 7. A ética da psicanálise. Versão de M. D. Magno – 2.ed. –
                RJ: Zahar. 1986.
_____. 1964. O seminário. Livro 11: os quatro conceitos fundamentais da
                psicanálise. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Trad. M. D. Magno.
                2.ed.Rio de Janeiro: Zahar, 1998.
_____. 1966.  Écrits, Paris: Seuil.Trad. Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
_____. 1969-70.  O seminário. Livro 17. O avesso da psicanálise. Texto estabelecido por
 Ari Roitman. Rio de Janeiro, Zahar.1992.
_____. 1972. O seminário. Livro 20: mais, ainda. Texto estabelecido por Jacques-Alain
                Miller. Trad. M.D. Magno. 2.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

MERLEAU-PONTY, Maurice(1964a) . Le visible et l'invisible. - Paris: Gallimard.
_____.  (1992) O visible e o invisível. Trad. J. A. Gianotti. SP: Perspectiva
_____  (1964b) . L'oeil et l’esprit. - Paris: Gallimard.
_____. (2004) O olho e o espírito. Trad. Paulo Neves e Maria Ermantina Galvão Gomes Pereira. SP: Cosac & Naify.
_____   (1969) . La Prose du monde. - Paris: Gallimard.

MÜLLER-GRANZOTTO, M.J. & R.L. 2007. Fenomenologia e Gestalt-terapia. SP: Summus.
______. 2012. Psicose e Sofrimento. São Paulo, Summus.

ZIZEK, Slavoj. O amor impiedoso (ou: Sobre a crença). Trad. Lucas Mello Carvalho Ribeiro. BH. Autêntica. 2012





terça-feira, março 22, 2011

A leitura lacaniana de "O visível e o invisível"



Prof(a). Dr. Marcos José Müller-Granzotto
E-mail: ..mjmuller@cfh.ufsc.br

Duração: 15 semanas - 4 créditos

Inicio do Curso: março 2011

Local: UFSC - CFH - sala 309

Horário de início: 13h30min


Título do curso: A leitura lacaniana de "O visível e o invisível".


Ementa:


No seminário XI (Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise), Jacques-Lacan interrompe a primeira sessão, dedicada a discutir a noção freudiana de pulsão, para tratar não mais dos conceitos fundamentais da psicanálise, mas do modo como Maurice Merleau-Ponty, na obra póstuma "O visível e o invisível", estabelece aquilo que Lacan denominou de uma diferença entre o olho e o olhar : mais além da visibilidade do mundo, no seio daquilo que emerge como horizonte de invisibilidade, um olhar vem me surpreender, denunciando minha própria vidência. Lacan – agora interessado em delimitar a gênese do sujeito da psicanálise (o sujeito do desejo) - reconheceu, na noção merleau-pontyana de olhar, uma possível indicação daquilo que Freud denominou de pulsão de morte, como se, para Merleau-Ponty, a divisão (Esquize) do Outro (como Invisível) vem denunciar minha própria castração e, por conseguinte, a causa do desejo (objeto a). Mas Lacan não tem certeza se, com a noção de “vidência”, Merleau-Ponty não recai novamente no imaginário platônico de um ultra-olhar, do qual cada corpo seria uma versão. Ora, como Lacan “leria” as mesmas passagens de Merleau-Ponty, agora do ponto de vista do sujeito do gozo, para quem a divisão do Outra já não importa mais? A dúvida se sustentaria? Ou seria letal para a nova mirada lacaniana? Para dar conta de cada uma destas questões, vamos recorrer aos textos em que Merleau-Ponty gesta seus conceitos, precisamente, os textos que tratam de construir uma ontologia a partir da obra de arte.


Sinopse:


“O que há então, não são coisas idênticas a elas mesmas que, em seguida, se ofereceriam ao vidente, e não é um vidente vazio antes de tudo que, em seguida, se ofereceria a elas, mas alguma coisa de que não poderíamos estar mais perto senão lhe apalpando com o olhar, porque o olhar mesmo as envolve, as veste com sua carne. De onde vem que, fazendo isto, ele as deixa em seu lugar, que a visão que nós as tornamos nos parecer vir delas” (MPonty, 1964, p.173).


Mas não é entre o visível e o invisível que nós temos que passar. A esquize que nos interessa não é a distância que se mantém entre o que existe de formas impostas pelo mundo e aquilo contara o que a intencionalidade da experiência fenomenológica nos dirige (...). O olhar só se apresente a nós sob a forma (...) da nossa experiência, a saber, a falta constitutiva da agonia da castração. O olho e o olhar, tal é para nós a esquize na qual se manifesta a pulsão no nível do campo escópico (Lacan, 1964, 69-70/72-73).



“De sorte que o vidente, estando preso no que vê, continua a ver-se a si mesmo: há um narcisismo fundamental de toda visão, daí por que, também ele sofre, por parte das coisas, a visão por ele exercida sobre elas; daí, como disseram muitos pintores, o sentir-me olhado pelas coisas, daí, minha atividade ser identicamente passividade – o que constitui o sentido segundo e mais profundo do narcisismo: não ver de fora, como os outros vêem, o contorno de um corpo habitado, mas sobretudo ser visto por ele, existir nele, emigrar para ele, ser seduzido, captado, alienado pelo fantasma, de sorte que vidente e visível se mutuem reciprocamente, e não mais se saiba quem vê e quem é visto. É a essa Visibilidade, a essa genreralidade do Sensível em si, a esse anonimato inato do Eu=-mesmo que há pouco chamávamos de carne, e sabemos que não há outro nome na filosofia ocidental para designá-lo “(Merleau-Ponty, 1964, 135.)

“Uma vez que vemos outros videntes, não temos apenas diante de nós o olhar sem pupila, espelho sem estanho das cosias, este pálido reflexo, fantasma de nós mesmos, que elas evocam ao designar um lugar entre elas de onde as vemos: doravante somos plenamente visíveis para nós mesmos, graças a outros olhos. Essa lacuna onde se encontram nossos olhos, nosso dorso, é de fato preenchido, mas preenchido por um visível de que não somos titulares; por certo, para acreditarmos numa visão que não é a nossa, para a levarmos em conta, é sempre, inevitável e unicamente, ao tesoura da nossa visão que recorremos e, portanto, tudo quanto a experiência nos pode ensinar já está, nela previamente esboçado. Mas é próprio do visível, dizíamos, ser a superfície de uma profundidade inesgotável; é o que torna possível sua abertura a oturas visões além da minha. (Merleau-Ponty, 19054, p. 139)




Programa

1. Lacan Leitor de Merleau-Ponty

2. Merleau-Ponty do ponto de vista do “sujeito do desejo”:

Tese A - Fazer-se objeto ante a divisão do Outro:? Carne como objeto a

Tese B - Fazer-se olho a partir da clarevidência alheia? Carne como chora

O veredicto da pintura

3. Merleau-Ponty do ponto de vista do “sujeito do gozo”:

Tese A – Narcisismo fundamental e gozo unário

Tese B – Narcismo fundamental e ambigüidade

O veredicto da literatura: descentramento e quiasma




Referências bibliográficas


FREUD, Sigmund. (1976) “Três ensaios sobre a sexualidade: _____. Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Trad. Jayme Salomão, RJ: Imago. (Vol. XXII)

LACAN, Jacques. (1986) O seminário – livro 7. A ética da psicanálise. Versão de M. D. Magno – 2.ed. – RJ: Zahar.

_____. 1964. O seminário. Livro 11: os quatro conceitos fundamentais da

psicanálise. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Trad. M. D. Magno.

2.ed.Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

_____. 1969-70. O seminário. Livro 17. O avesso da psicanálise. Texto estabelecido por

Jacques-Alain Miller. Trad. M.D. Magno. Rio de Janeiro, Zahar.1998

_____. 1972. O seminário. Livro 20: mais, ainda. Texto estabelecido por Jacques-Alain

Miller. Trad. M.D. Magno. 2.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

MILLER, Jacques-Alain (1994-5). Silet – Os paradoxos da pulsão, de Freud a Lacan. Trad. Celso Rennó Lima: texto estabelecido por Angelina Harari e Jésus Santiago – RJ: Jorge Zahar, 2005.

MERLEAU-PONTY, Maurice(1964a) . Le visible et l'invisible. - Paris: Gallimard.

_____. (1992) O visible e o invisível. Trad. J. A. Gianotti. SP: Perspectiva

_____ (1964b) . L'oeil et l’esprit. - Paris: Gallimard.

_____. (2004) O olho e o espírito. Trad. Paulo Neves e Maria Ermantina Galvão Gomes Pereira. SP: Cosac & Naify.

_____ (1969) . La Prose du monde. - Paris: Gallimard.

MÜLLER-GRANZOTTO, Marcos José. Outrem em Husserl e em Merleau-Ponty. In: BATTISTI, César (org). Às voltas com a questão do sujeito. Posições e perspectivas. Toledo, Unioeste, 2010.

SARTRE, Jean-Paul. (1943) Entre quatro paredes. SP: Abril Cultural e Industrial.

SHEPHERDSON, Charles. Uma libra de carne. Discurso, (36), 2006, pp.95-125.

SAFATLE, Vladimir. A teoria das pulsões como ontologia negativa. Discurso, (36), 2006, Pp.151-191.

SOLLER, Colette. (1977). O sujeito e o Outro I e II, in: FELDSTEIN, Richard, FINK, Bruce, JAANUS, Maire (orgs). Para Ler o Seminário 11. Trad. Dulce Duque Estrada. RJ: Jorge Zahar, 1977.

ZIZEK, Slavoj; DALY, Glyn.. Arriscar o impossível: Conversas com Zizek. Trad. Vera Ribeiro. SP: Martins Fontes, 2006.

quarta-feira, março 10, 2010

Curso: O Alienista, as Psicoses e a Fenomenologia





Ministrante: Prof. Dr. Marcos José Müller-Granzotto



Semestre: 2010 /1 - 15 semanas - Créditos: 4 (quatro)
Horário: 3a feira, 13:30 às 16:30

Programa


I – INTRODUÇÃO: LOUCURA E FICÇÃO

1. A ficção no limiar entre a teoria e a loucura
2. A ficção fenomenológica sobre a loucura: lapso intencional
3. A ficção psicanalítica sobre a loucura: falta da falta
4. A ficção gestáltica sobre a loucura: ajustamento de busca
5. A ficção ético-política sobre a loucura: “Simão Bacamarte em Casa Verde”


II – FENOMENOLOGIA DA PSICOSE

1. Fenomenologia filosófica: na encruzilhada entre a psicose e o naturalismo
2. Fenomenologia filosófica e fenomenologia psiquiátrica: a psicose entre o transcendental e o empírico.
3. História da fenomenologia psiquiátrica: da fenomenologia psiquiátrica descritiva às fenomenologias psiquiátricas genéticas
4. Diferença entre fenômeno psicótico e sintoma psiquiátrico segundo a fenomenologia psiquiátrica
5. Fenomenologia como “saber psiquiátrico” e a intervenção psiquiátrica como “discurso do mestre”

I – PSICODINÂMICAS DA PSICOSE

1. Psicose na literatura freudiana
2. A psicose na “primeira clínica” lacaniana
3. A psicose na “segunda clínica” lacaniana
4. Prejuízos estruturalistas às psicodinâmicas psicanalíticas da psicose

IV – PSICOSE À LUZ DA GESTALT

1. Psicose na literatura de base da GT
2. Gênese da Psicose a partir da teoria do self: comprometimento da função id
3. Psicose como ajustamento
4. Diferença entre ajustamento psicótico e surto: o sofrimento ético-político no campo da psicose

V – SIMÃO BACAMARTE EM CASA VERDE

1. A invenção teórica da loucura
2. A terapêutica da alienação da loucura
3. A alienação da terapêutica na loucura
4. O surto da hipocrisia


Avaliação

Os alunos deverão, a partir de uma obra de arte escolhida a critério de cada qual, produzir uma monografia de disciplina, o qual deverá ser lido por um colega e pelo professor.


Referências bibliográficas

ASSIS, Machado de. O alienista. SP: FTD, 1994 (Grandes Leituras)

BENETI, Antônio. 2005. Do discurso do analista ao nó borromeano: contra a metáfora delirante.Opção lacaniana Online. Maio, p.1-17

BUARQUE, Sérgio. 2007. Verbete “Psicose”, In: D’ACRI, Gladys; LIMA, Patrícia (Ticha); ORGLER, Sheila (org.). Gestaltês. Dicionário de Gestalt-terapia. Summus, p. 177-180.

CABAS, Antônio Godino. 1988. A função do falo na loucura. Trad. Cláudia Berliner. Campinas: Papirus.

CALLIGARIS, Contardo. 1989. Introdução a uma clínica diferencial das psicoses. Porto Alegre: Artes Médicas.

FREUD, 1924. A perda da realidade na neurose e na psicose, In: Edição Standard Brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Estabelecida por James Strachey e Anna Freud. Trad. José Otávio de Aguiar Abreu. SP: Imago. VOL. XIX

LACAN, Jacques. 1956. O seminário. Livro 3: as psicoses. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Trad. Aluísio Menezes. 2.ed.Rio de Janeiro: Zahar, 2002.

______. 1964. O seminário. Livro 11: os quatro conceitos fundamentais da
psicanálise. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Trad. M. D. Magno. 2.ed.Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

_____. 1972. O seminário. Livro 20: mais, ainda. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Trad. M.D. Magno. 2.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

MERLEAU-PONTY, Maurice(1964a) . Le visible et l'invisible. - Paris: Gallimard.

_____. (1992) O visible e o invisível. Trad. J. A. Gianotti. SP: Perspectiva


_____ (1964b) . L'oeil et l’esprit. - Paris: Gallimard.

_____. (2004) O olho e o espírito. Trad. Paulo Neves e Maria Ermantina Galvão Gomes Pereira. SP: Cosac & Naify.

_____ (1969) . La Prose du monde. - Paris: Gallimard.


MÜLLER-GRANZOTTO, M.J. & R.L. 2007. Fenomenologia e Gestalt-terapia. SP: Summus.

______. Clínica dos ajustamentos psicóticos: uma proposta a partir da Gestalt-terapia. IGT NA REDE. 8 (1), 2008. http:/www.mullergranzotto.com.br

QUINET, Antônio. Psicose e laço social – esquizofrenia, paranóia e melancolia. RJ: Jorge Zahar, 2006.

STEVENS, Alexandre. 2000. Por uma clínica mais além do pai. A renovação da clínica de Lacan. Agente. Revista de psicanálise. VII, (13), 30-35, nov 2000.

TATOSSIAN, Arthur. 2006. Fenomenologia das psicoses. Trad. Célio Freire. São Paulo: Escuta.

domingo, março 15, 2009

Programa e Cronograma do Curso
A leitura lacaniana de “O visível e o invisível”
10/03 – Apresentação do programa
17/03 – Tópico 1 ( Sob quais condições as noções de pulsão escópica - Lacan - e invisível - Merleau-Ponty - se aproximam ou se distanciam?)
17/03 – Idem
24/03 – Tópico 2 (A cura pelo desejo e o lugar da pulsão no primeiro ensino de Lacan.)
31/03 – Idem
07/04 – Tópico 3 (Em torno do objeto a: o retorno a Freud.)
14/04 - Curso com a Dra. Maria Leite
28/04 – Curso com a Dra. Maria Leite

05/05 – Tópico 4 (A constituição do sujeito do inconsciente no Campo do Outro e a separação como resposta à alienação.)
12/05 – Tópico 5 (Do olhar como objeto a minúsculo.)
19/05 – Tópico 6 (Mais além da fenomenologia: o quiasma vidente-visível em Merleau-Ponty)
26/05 – Tópico 7 (O outro como visível e o outro como invisível.)
02/06 – Tópico 8 ( O invisível: chora ou pulsão?)
09/06 – Tópico 9 (Idealidade de horizonte e idealidade cultural: pulsão e arte.)
16/09 – Tópico 10 (Porosidade carnal e o falasser lacaniano.)
23/06 – Tópico 11 (O discurso sobre a sublimação.)
30/06 – Conclusão.
Local: CCE B – sala 325 - UFSC
Horário: 13H30 as 16H30




Pós-Graduação em Literatura
Prof. Dr. Marcos José Müller-Granzotto




segunda-feira, janeiro 26, 2009

- Curso do Professor Marcos -
na Pós Graduação de Literatura da UFSC
Disciplina: PGL 3103 - Filosofia e Literatura
Nume do Curso: A leitura lacaniana de "O visível e o invisível"Prof. Dr. Marcos Müller
Período: 1º semestre 2009.
Horário: 13:30 às 16:30 (terça-Feira)
Duração: 15 semanas / 4 créditos
e-mail: mjmuller@cfh.ufsc.br

Ementa: No seminário XI (Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise), Jacques-Lacan interrompe a primeira sessão, dedicada a discutir a noção freudiana de pulsão. Para tratar não mais dos conceitos fundamentais da psicanálise, mas do modo como Maurice Merleau-Ponty, na obra póstuma "O visível e o invisível", estabelece aquilo que Lacan denominou de uma diferença entre o olho e o olhar. Lacan reconheceu, nessa passagem, uma forma original de articular a ligação do corpo e da palavra; ligação essa que Merleau-Ponty denominou de invisível. Seria ela o correlativo merleau-pontyano da noção de pulsão de morte tal como a lemos em Freud? Em que medida nos ajuda a pensar a noção lacaniana de objeto 'a'? Como as noções de invisível e objeto 'a' nos ajudam a pensar a sublimação e a arte?

quinta-feira, março 06, 2008

Curso 2008

PROGRAMA DO CURSO 2008


Sujeito, Desejo e Discurso.

Estrutura do curso
O Curso será estruturado a partir dos três eixos temáticos:

1. O Sujeito.

· A noção de sujeito na psicanálise: de Descartes a Lacan.
· Sujeito e Inconsciente
· Os dois modos de causação do Sujeito.


2. O Discurso

· A psicanálise é uma prática discursiva
· O Sujeito como efeito do Discurso
· Discurso e Desejo


3. O Desejo

· Desejo e Necessidade
· Desejo e Demanda
· Freud: O Desejo só se realiza no sonho
· O Sujeito desejante.


quinta-feira, setembro 06, 2007

Cursos

Universidade Federal de Santa Catarina
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de Filosofia
Curso de Pós-Graduação em Filosofia
Área de Ontologia 2007/02


Professor: Marcos José Müller-Granzotto
Disciplina: Ontologia e Método II
FIL 3150
Data/horário: 3ª feira / das 13:30 às 16h - Sala: 322

Título do Curso: O Outro no discurso fenomenológico.

Objetivo do curso:
Discutir, a partir da Quinta Meditação Metafísica de Edmund Husserl (1931), a concepção fenomenológica da experiência do outro (entendido como alter-ego) e a maneira como essa concepção repercutiu na filosofia da intersubjetividade desenvolvida por Merleau-Ponty.

Conteúdo programático comentado:
A apresentação do outro como uma possibilidade do ego transcendental, como uma das muitas objetivações possíveis desse campo amplo de experiências intencionais, que é a consciência transcendental, não foi suficiente para livrar Husserl das críticas que o acusaram de transformar a fenomenologia das “Investigações Lógicas” num solipsismo transcendental. Desse ponto de vista, o outro, assim como todo e qualquer objeto intencional, não significaria mais que uma apresentação unificada dos vividos articulados por um ego transcendental. Ora, é verdade que o ego transcendental pode representar o outro como um objeto categorial. Mas isso não quer dizer que não haja, para o ego, uma apresentação intuitiva do outro como alter ego, como poder intencional diferente, núcleo distinto de articulação entre atos e vividos. Afinal, para Husserl, a consciência transcendental é governada por muitos egos, tem muitos articuladores; ela é um mundo intersubjetivo(1). De toda sorte, é sempre o ego quem pode visar o alter ego. E a questão é como o ego pode fazê-lo.
De fato, nas “Meditações cartesianas” (1931, p. 16-17), Husserl diz:
E no que se refere aos outros egos? Eles não são, todavia, simples representações e objetos representados em mim, unidades sintéticas de um processo de verificação que se desenrola em mim, mas justamente outro. Os “outros” dão-se igualmente na experiência como regendo psiquicamente os corpos fisiológicos que lhes pertencem. Ligados assim aos corpos de maneira singular como objetos psicofísicos, eles estão no mundo. Por outro lado, percebo-os ao mesmo tempo como sujeitos para este mundo que eu percebo e que tem, por isso, experiência de mim como eu tenho a experiência do mundo e nele dos outros.

De onde se segue à questão que dará o norte na quinta meditação proposta por Husserl:
Como é que o meu ego no interior de seu ser próprio pode de alguma maneira constituir “o outro” justamente como lhe sendo “estranho”; quer dizer, conferir-lhe um sentido existencial que o coloca fora do conteúdo concreto do “eu próprio” concreto que o constitui? (HUSSERL, 1931, p. 121)

Para Husserl, em verdade, não se trata de “construir” ou “deduzir” a existência do outro para o ego transcendental. Cabe à fenomenologia tão somente explicitar em que medida pode haver para o ego transcendental uma inatualidade que, por um lado, se oferece tal como os perfis, os aspectos, os lados e as apresentações intuitivas das coisas; mas, por outro, diferentemente desses modos de apresentação, porquanto se introduz como um “estranho”, não se deixa apreender numa unidade intuitiva evidente, tal como evidentes são as unidades intuitivas que denominamos de coisas (cubos, cadeiras, árvores...). Ou seja, para o ego transcendental, o outro é um modo de apresentação especial, na medida em que deixa perceber algo que não pode ser percebido, como se se tratasse de uma manifestação não apenas inatual, cheia ou vazia, mas, sobremodo, negativa, estranha. O ego transcendental percebe uma impossibilidade perceptiva, mas que, paradoxalmente, se mostra como impossível.

Mas não é apenas isso. O mais paradoxal é que esse estranho se revela capaz de intencionar; o que significa dizer: ele se revela investido da capacidade de visar às mesmas inatualidades que eu próprio (enquanto ego transcendental) sou capaz de visar. O que introduz, para mim (como ego transcendental), novas “orientações” no modo de se visar ao mesmo mundo; orientações que, entretanto, não partiram de mim, mas de um lugar de meu mundo de inatualidades que é, antes, uma “lacuna”. Nela posso presumir, apenas de modo “lateral”, a presença de um eu que é outro, de um ego que é alter ego. Esse alter ego não se mostra ele mesmo; ele se dissimula por detrás de condutas em que reconheço certo “estilo”, determinada orientação, a qual, por vezes, me é tão familiar que posso tranqüilamente assumi-la com meu próprio corpo. Mesmo porque, o alter ego é indissociável de um corpo, de um corpo de inatualidades organizadas segundo uma intenção que não é a minha. Husserl denomina de acoplamento (paarung) ou, ainda, de transgressão intencional essa transponibilidade motora e gestual entre o ego e o alter ego.

Mas Husserl não pode assumir até o fim as conseqüências dessa maneira de descrever o alter ego. Isso porque tal descrição implica admitir que a consciência transcendental é habitada por um “estranho”, que exerce funções semelhantes às do ego transcendental, mas não se deixa reconhecer como o ego. Trata-se, portanto, de algo “não evidente”, o que estabelece um sério limite ao projeto husserliano de apresentação da consciência como um campo “evidente” nele mesmo. Mesmo admitindo essa intersubjetividade por acoplamento, que se mostra de modo lateral, nos termos de uma mútua transgressão entre meu corpo e o um corpo estranho, Husserl não declina de “aceder ao outro a partir do cogito, da ‘esfera da pertinência’”, como diz Merleau-Ponty (1949b, p. 48). Ainda que, nos textos tardios, possamos encontrar em Husserl uma “tendência a revisar a noção de cogito (a encarnação do eu em suas expressões), (...) ela esbarrava na própria definição de uma consciência pura” (MERLEAU-PONTY, 1949b, p. 51). E, de fato, nas “Meditações cartesianas”, Husserl (1931, p. 126) afirma que:


Na atitude transcendental tento, antes de mais nada, circunscrever no interior dos horizontes da minha experiência transcendental aquilo que me é próprio (das Mir-Eigene). Tudo o que o eu transcendental constitui nessa primeira camada como “não-estranho”, como aquilo que lhe pertence é, com efeito, seu a título de componente do seu ser próprio e concreto (...) e inseparável do seu ser concreto. Mas no interior de suas pretensões o ego constitui o mundo objetivo como universalidade do ser que é estranho ao ego e em primeiro lugar, o ser do alter-ego.

Em função dessas proposições, Merleau-Ponty (1960, p. 100) conclui que:
a posição de outrem como um outro eu próprio não é possível se for efetuado pela consciência: ter consciência é constituir. Portanto, não posso ter consciência de outrem, pois seria constituí-lo como constituinte com respeito ao próprio ato pelo qual o constituo. Essa dificuldade de princípio, posto como limite no início da Quinta Meditação Cartesiana, não é resolvida em parte alguma.

Ora, Merleau-Ponty toma para si o desafio de descrever a intersubjetividade da consciência prescindindo do ideal de evidência constantemente perseguido por Husserl. Mais do que isso, na trilha aberta pelo próprio Husserl, Merleau-Ponty admite pensar o outro como um “estranho”, como essa lacuna de nossa experiência que, enfim, nunca conseguimos preencher ou habitar integralmente. E é essa transformação no modo de compreender o problema husserliano do outro que propriamente fundamenta nosso dizer sobre uma “deriva da fenomenologia em direção à ética”.

Ao dar direito de cidadania ao “estranho”, Merleau-Ponty declina de uma fenomenologia que quer ser “explicitação”, para estabelecer um discurso que tem antes um sentido ético (com eta), um sentido de acolhida e tolerância àquilo que se mostra como um irredutível. Merleau-Ponty declina da evidência em favor daquilo que estabelece um desvio no curso da investigação. Tal decisão, ademais, se fez acompanhar de outra tomada de posição, que é a suspensão da própria idéia de que a redução nos conduz a um ambiente “puro”, em que todas as relações intencionais possam ser explicitadas. Para Merleau-Ponty, a consciência enquanto campo não é uma instância pura. Afinal, não só o ego transcendental, fundamento dinâmico dessas relações, não é mais exclusivo (ele é acompanhado de outros egos, tal como já admitia Husserl), como também não é mais capaz de gerenciar (ainda que operativamente) todas as relações intencionais da qual ele próprio participa. O que faz implodir o ideal de uma consciência transparente para si mesma: um ego já não nos dá todos os outros, como gostaria Husserl. Cada ego é para seu semelhante a encarnação do mistério que, a partir de agora, define a consciência como um campo fenomenal, como um campo de ocorrências não apenas inatuais, mas investidas de uma autonomia que não pode ser integralmente possuída, integralmente habitada.

Essa idéia de uma consciência impura, de um campo fenomenal não apenas intersubjetivo, mas desprovido de transparência, não é uma idéia que surgiu apenas com Merleau-Ponty. A bem da verdade, ela já estava em obra com a segunda geração de psicólogos da gestalt, que leram no idealismo transcendental de Husserl, os mesmos paradoxos lidos por Merleau-Ponty anos mais tarde. Especialmente Kurt Goldstein reconheceu na idéia de uma consciência fundada em uma intencionalidade operativa, articulada nos termos de uma egologia não exclusiva, a possibilidade de compreender o funcionamento do organismo e a paradoxal presença da doença. Afinal, Goldstein percebeu que, mais do que uma falha do funcionamento homeostático, a doença é como um outro ego, que impõe ao organismo uma nova forma de se ajustar, a qual é tão criativa e espontânea quanto aquela atribuída ao ego “saudável”. A partir dessa leitura egológica da doença e da saúde, Goldstein compreendeu que: o organismo é ele mesmo um campo fenomenal povoado por muitos vetores intencionais, por muitas formas de intencionalidade, às quais são correlatas daquelas que vigem entre o organismo e os outros organismos no interior de um novo campo fenomenal, mais abrangente, que é o “meio”. De onde Goldstein se autorizou a falar da relação organismo/meio como uma sorte de consciência alargada, que muito contribuiu para Merleau-Ponty estabelecer a sua “Fenomenologia da Percepção”. Em certa medida, Goldstein inaugurou a guinada ética que a fenomenologia viria a conhecer na pena de Merleau-Ponty e, em seu formato mais explícito, na prática clínica inaugurada por Perls, Hefferline e Goodman.

Bibliografia
HUSSERL, Edmund. 1893. Lições para uma fenomenologia da consciência interna do
tempo. Trad. Pedro M. S. Alves. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda,
[s.d.].
______. 1900-1. Investigaciones Lógicas. Trad. Jose Gaos, 2.ed. Madrid: Alianza,
[s.d.], V. I.
______. 1900-1. Investigaciones Lógicas. Trad. Jose Gaos, 2.ed. Madrid: Alianza,
[s.d.], V. II.
______. 1913. Idéias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia
fenomenológica. Trad. Márcio Suzuki. Prefácio de C.A. Moura. SP: Idéias e
Letras, 2006.
______. 1931. Meditações Cartesianas. Porto: Rés Editora.
______. 1973a. Zur Phänomenologie der Intersubjektivität. Haag: M. Nijhoff, 1973.
Erste Teil. (Husserliana. Bd XIII).
______. 1973b. Zur Phänomenologie der Intersubjektivität. Haag: M. Nijhoff, 1973.
Zweiter Teil. (Husserliana. Bd XIII).
______. 1973c. Zur Phänomenologie der Intersubjektivität. Haag: M. Nijhoff, 1973.
Dritter Teil. (Husserliana. Bd XIII).
MERLEAU-PONTY, Maurice (1945). Phénoménologie de la perception. Paris: Gallimard.
_____. (1994) Fenomenologia da percepção. Trad. C. A. R. de Moura. SP: Martins Fontes, 1994.
_____. (1960) Signes. Paris: Gallimard.
_____ (1964a) . Le visible et l'invisible. - Paris: Gallimard.
_____. (1992) O visible e o invisível. Trad. J. A. Gianotti. SP: Perspectiva
_____ (1969) . La Prose du monde. - Paris: Gallimard.
MOURA, Carlos Alberto Ribeiro de. 1989. Crítica da razão na fenomenologia. São
Paulo: Nova Stella/ Edusp, 1989.
______. 2001. Racionalidade e crise: estudos de história da filosofia moderna e
contemporânea. Curitiba/São Paulo: Discurso/UFPR, 2001.
______. Husserl: significação e fenômeno. Doispontos. Vol. 3, número 1, abril de 2006,
p. 37-61
SARTRE, Jean-Paul. (1943) O ser e o nada. RJ: Petrópolis.
SOLLER, Colette. (1977). O sujeito e o Outro I e II, in: FELDSTEIN, Richard, FINK,
Bruce, JAANUS, Maire (orgs). Para Ler o Seminário 11. Trad. Dulce Duque
Estrada. RJ: Jorge Zahar, 1977.

NOTAS:
1.Nas palavras de Husserl: “realmente” (reell), qualquer mônada é uma unidade absolutamente circunscrita e fechada, todavia, a penetração irreal, penetração intencional de outrem na minha esfera primordial, não é irreal no sentido do sonho ou da fantasia. É o ser que está em comunhão espiritual com o ser. É uma ligação que, por princípio, é “sui generis”; uma comunhão efetiva, o que constitui precisamente a condição transcendental da existência de um mundo, de um mundo dos homens e das coisas (...). A esta comunidade corresponde, bem entendido, ao concreto transcendental, uma comunidade ilimitada de mônadas [egos transcendentais] que designamos pelo termo intersubjetividade transcendental (HUSSERL, 1931, p. 114-165).


OS NÃO-TOLOS ERRAM / OS NOMES DO PAI

Nesta sexta-feira, Gustavo Capobianco Volaco abre espaço para uma conversa sobre o seu processo de tradução do Seminário de Jacques Lac...