O Império do Emocionalismo: Quando a Vida Vira um Prontuário Médico
O ensaio de Jurandir Freire Costa, que você confere logo a seguir, apresenta e dialoga com o livro de Frank Furedi, sociólogo húngaro e professor da Universidade de Kent, Inglaterra. O livro de Furedi, Therapy Culture: Cultivating Vunerability in an Uncertain Age, infelizmente ainda não possui tradução para o português. Para o sociólogo húngaro, há algo de voraz no modo como nomeamos a nós mesmos e aos outros. Não apenas falamos de sofrimento: nós o organizamos, classificamos e exibimos. Como observa Jurandir Freire em seu ensaio, a linguagem terapêutica deixou de ser um recurso clínico para tornar-se uma gramática da vida cotidiana. Tudo se traduz: hábitos viram "compulsões", tristezas tornam-se "transtornos" e conflitos ordinários ganham o estatuto de "trauma". Mas há um efeito ainda mais sutil — e talvez mais empobrecedor. A “cultura da terapia” simplificou em demasia o modo como qualificamos os sujeitos. Com uma rapidez inquietante, passamos a adjetiv...