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Mostrando postagens com o rótulo Jurandir Freire Costa

O Império do Emocionalismo: Quando a Vida Vira um Prontuário Médico

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O ensaio de Jurandir Freire Costa, que você confere logo a seguir,  apresenta e dialoga com o livro de Frank Furedi, sociólogo húngaro e professor da Universidade de Kent, Inglaterra. O livro de Furedi, Therapy Culture: Cultivating Vunerability in an Uncertain Age, infelizmente ainda não possui tradução para o português. Para o sociólogo húngaro, há algo de voraz no modo como nomeamos a nós mesmos e aos outros. Não apenas falamos de sofrimento: nós o organizamos, classificamos e exibimos. Como observa Jurandir Freire em seu ensaio, a linguagem terapêutica deixou de ser um recurso clínico para tornar-se uma gramática da vida cotidiana. Tudo se traduz: hábitos viram "compulsões", tristezas tornam-se "transtornos" e conflitos ordinários ganham o estatuto de "trauma". Mas há um efeito ainda mais sutil — e talvez mais empobrecedor. A “cultura da terapia” simplificou em demasia o modo como qualificamos os sujeitos. Com uma rapidez inquietante, passamos a adjetiv...

Pascal Bruckner por Jurandir Freire Costa

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Amores Expressos Jurandir Freire Costa O   Paradoxo Amoroso – Ensaio sobre as Metamorfoses da Experiência Amorosa , de Pascal Bruckner, é mais um trabalho sobre o amor. O autor aborda o tema em modo de ensaio, ou seja, sem sistematizar a armadura conceitual histórica, filosófica, psicológica, semântica etc. da leitura escolhida. Nesse sentido, o livro tem o perfil de uma meditação moralista   à la Montaigne, Pascal, La Rochefoucauld ou outros do gênero. A pretensão é absolutamente legítima, mas paga o preço da escolha do método. Primeiramente, os pontos fortes. Bruckner observa a distância o panorama amoroso contemporâneo, revelando suas linhas de força. A tese é, grosso modo, a seguinte: somos filhos inconscientes do Maio de 1968. A revolução amoroso-sexual daquele período triunfou. Não, porém, como previam os protagonistas do acontecimento. As astúcias da história transformaram a fantasiada liberação sexual em pesadelo amoroso. Somos livres para amar...

AMIZADE E EROTISMO

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.... Na philia grega, na amicitia romana ou na caritas/ágape das comunidades cristãs primitivas, a prática da amizade era propriedade de uma elite ou visava a um Bem Comum Universal. Seu objetivo final era conhecer a verdadeira essência do ato que torna um homem santo ou sábio. Além do mais, todos esses arcanos da amizade moderna tinham como condição da verdadeira realização a abolição dos prazeres sensíveis, inclusive os prazeres sexuais. A amizade contemporânea, por seu turno, herdou das antepassadas a mesma repulsa ao prazer, desprezando, além disso, a dignidade moral com que foi outrora investida, vindo a tornar-se um puro artefato compensatório para os males da sociabilidade pública e privada. Na ética da amizade foucaultiana, o sexo pode ou não estar presente, mas nem deve ser aprioristicamente expurgado nem encampar as possiblidades de prazer que ela pode produzir. Foucault pretendia conciliar, em suma, o melhor da Grécia e de Roma com o sentido de liberdade presente n...

Roteiro da Felicidade: Jurandir F. Costa

Roteiro social da felicidade JURANDIR FREIRE COSTA Vamos ao tesouro da sabedoria popular. Conta-se que um louco procurava algo sob o facho de luz de um poste. Outro louco se aproxima, pergunta o que ele estava procurando e obtém como resposta uma chave! O segundo louco pergunta se ele tem certeza de que perdera a chave naquele lugar. O primeiro diz que não, mas só ali havia bastante luz para que se pudesse ver alguma coisa. O segundo, espantado, diz que o primeiro é louco e propõe que ambos procurem a chave no escuro. A emenda é tão ruim quanto o soneto. Procurar o que se perdeu no lugar errado, só porque está iluminado, ou no lugar certo, mas onde nada se pode enxergar, são duas saídas insensatas, pois ou nunca encontraremos o que queremos achar, ou, se acharmos, não poderemos reconhecer o que encontramos. A anedota pode metaforizar, para alguns, a cegueira do destino humano, às voltas com o malogro inelutável da ilusória realização do desejo. Entre o desejo e o obje...