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PSICANÁLISE E ARTE NA ÉPOCA DO FIM DO BELO

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Você já se perguntou o que define a arte contemporânea? Durante séculos, a arte esteve ligada ao conceito de Belo: aquela ideia de harmonia, perfeição e idealização. Mas, segundo Marie-Hélène Brousse, vivemos em uma época em que o “Belo perdeu sua centralidade”, e isso mudou radicalmente o papel da arte.  Brousse nos provoca com uma ideia instigante: a arte contemporânea não está mais preocupada em agradar ou idealizar. Em vez disso, ela se aproxima do que Lacan chamou de objeto a - um objeto que causa desejo, mas que também escapa à lógica tradicional de representação. Pense em obras que nos inquietam, que nos fazem questionar, em vez de simplesmente admirar. Por exemplo, você já viu aquelas instalações que parecem "bagunçadas" ou até "feias"? Elas não estão ali para serem bonitas, mas para nos confrontar com algo mais profundo, algo que toca o Real, aquele núcleo de experiência que não conseguimos simbolizar completamente. Se por muito tempo, a arte funcionou como...

DON GIOVANNI

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Don Giovanni e as vozes do desejo Bernard Baa s Um caso embaraçoso Don Juan – nós o sabemos – é a figura, por excelência, do sedutor. Não ficamos, portanto, espantados com o fato de que o autor do Diário do Sedutor lhe tenha prestado atenção particular. Para Kierkegaard, com efeito, Don Juan é a encarnação do desejo, é o desejo em ato: É apenas enquanto deseja que ele [Don Juan] se encontra em seu elemento (KIERKEGAARD, 1943, p. 80) . Podemos, por outro lado, nos espantar com o fato de que Lacan, inteiramente ocupado com sua teoria do desejo, tenha consagrado apenas algumas observações, pontuais, alusivas e até mesmo obscuras, a esta figura emblemática do desejo, mesmo que ele tenha um dia declarado que a imagem de Don Juan é capital (LACAN, 1975 [1972-73], p. 15). Pode-se crer que ele não sabia muito bem o que fazer de Don Juan. No máximo, ele soube o que fazer com Don Juan, mais precisamente com o Don Giovanni de Mozart, já que este também lhe serv...