Postagens

Desejo

Imagem
A fantasia é a sustentação do desejo, não é o objeto que é a sustentação do desejo. O sujeito se sustenta como desejante em relação a um conjunto significante cada vez bem mais complexo. Jacques Lacan - Seminário XI

O amor

Imagem
..... Aprendam a distinguir agora o amor, como paixão imaginária, do dom ativo que constitui no plano simbólico. O amor, o amor daquele que deseja ser amado, é essencialmente uma tentativa de capturar o outro em si mesmo, em si mesmo como objeto. A primeira vez que falei longamente do amor narcísico, era, lembram-se disto, no prolongamento mesmo da dialética da perversão. ... Queremos ser amados por tudo – não somente pelo nosso eu, ... mas pela cor dos nossos cabelos, pelas nossas mãos, pelas nossas fraquezas, por tudo. Mas inversamente... amar é amar um ser para além do que ele parece ser. O dom ativo do amor visa o outro, não na sua especificidade, mas no seu ser. O amor, não mais como paixão, mas como dom ativo, visa sempre, para além da cativação imaginária, o ser do sujeito amado, a sua particularidade. É por isso que pode aceitar dele até muito longe as fraquezas e os rodeios, pode mesmo admitir os erros, mas há um ponto em que para, um ponto que só se situa a p...

O narcisismo

Imagem
O narcisismo... É, com efeito, uma relação erótica - toda identificação erótica, toda apreensão do outro pela imagem numa relação de cativação erótica, se faz pela via da relação narcísica - e é também a base da tensão agressiva. J.Lacan - Seminário 3

Saber Fazer com...

Imagem
Saber fazer com : “Só se é responsável na medida de seu savoir faire. Que é o savoir-faire? É a arte, o artifício, o que dà à arte da qual se é capaz um valor notável, porque não há Outro do Outro para operar o Juízo Final. Pelo menos sou eu quem o enuncio assim.” J. Lacan – Seminário 23 O saber fazer com, o savoir faire tão próprio do artista e da posição do analista, é da ordem da invenção. Deixou de ser um saber pronto, precisa ser inventado.

Pertencer a Civilização

Imagem
Teoria da civilização oriunda de Bataille: "Pertencer à civilização, por oposição ao bárbaro que a recusa ou ao louco que dela se isenta, é saber tratar o lixo e o excremento".

Convite

As Vozes da Poesia Reunir poesia e música tem sido sempre um desafio para os compositores, seja no âmbito erudito ou no popular: encontrar melodias, ritmos e harmonias que sublinhem e acrescentem os vários e possíveis sentidos de um poema, pesquisar a sonoridade de cada palavra, de cada sílaba, a prosódia do texto, as quebras, as surpresas, as mudanças de cor e de textura, as diferentes cargas emocionais, a intensidade, o timbre, procurando sempre se esquivar ao óbvio e ao esperado. A própria poesia já é, em si mesma, música, destacando-se das outras formas e gêneros literários justamente por seu movimento musicalmente organizado (ou música poeticamente organizada). Foi depois de musicar seis sonetos de Cruz e Sousa em 2004 (primeiramente para soprano e piano, depois para coro e piano) que surgiu a idéia de um trabalho mais amplo, que pudesse oferecer um pequeno panorama da poesia catarinense. Selecionei, portanto, vinte poemas, musicando-os todos para a formação de coro ...

O sujeito na teoria lacaniana

O sujeito na teoria lacaniana O conceito lacaniano do sujeito apresenta-se como uma questão complexa que pode ser abordada através de diferentes caminhos. Um destes, e talvez o mais conhecido, é o traçado por Lacan em um dos seus escritos intitulado “Subversão do Sujeito e Dialética do Desejo no Inconsciente Freudiano”. A questão apresentada neste texto é formulada por Lacan da seguinte maneira: qual é o sujeito que a psicanálise subverte, quando funda o inconsciente freudiano? O sujeito subvertido é o sujeito da concepção clássica, o sujeito do conhecimento. O sujeito freudiano do inconsciente apresenta-se como uma hiância no sujeito do conhecimento, pensado até então como uno e senhor de si. O sujeito do inconsciente não possui substância, ele é o momento de eclipse que se manifesta num equívoco. É esse mesmo conceito de sujeito que Lacan irá encontrar nas primeiras Meditações de Descartes. O sujeito enquanto esvaziado de todos os saberes, representações e imagens. ...

Convite

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA Doutoranda Mara Lúcia Masutti Tese “Tradução Cultural: Desconstruções Logofonocêntricas em Zonas de Contato entre Surdos e Ouvintes” Local: Auditório Henrique da Silva Fontes Prédio B CCE Horário: 14 horas Data: 29/06/2007 Banca Examinadora Dra. Claudia de Lima Costa(UFSC Orientadora e presidente), Dra. Lodenir Karnopp (UFRGS) Dra. Lais de Toledo Krücken Pereira (UNISUL) Dra. Maria Aparecida Leite (Núcleo de Investigação Metafísica UFSC) Dr. Rafael Camorlinga Alcaraz (UFSC) Dra. Ronice Müller de Quadros (UFSC) Dra. Tânia Regina Oliveira Ramos (UFSC suplente)

Livro

Para os versados e/ou apaixonados por Maurice Blanchot , acaba de sair o segundo volume de Conversa Infinita – A experiência limite. Nesse volume Blanchot aponta sua “clara mirada” para os textos de: Heráclito, Pascal, Simone Weil, Nietzsche, Albert Camus, Georges Bataille e Freud. Recomendo, claro, o belíssimo texto sobre “A Fala Analítica”.

Oitava Aula: Sujeito

· O sujeito na teoria psicanalítica não o indivíduo nem o eu. · Freud, ao criar o conceito de inconsciente, subverte a noção do sujeito cartesiano enquanto sujeito da razão. · Em Freud, pensar não equivale a ser, pois sou também onde não penso, e o fato de pensar não me assegura que eu seja. “O sujeito não é um dado, mas uma descontinuidade nos dados”. · O sujeito freudiano não só não é idêntico a si, como se torna sempre outro, na medida em que, para Freud, a representação não é mais o espelho do mundo e o lugar da verdade. Diferentemente de Descartes, a representação em psicanálise não pode ser definida como imagem especular do mundo, como instrumento de acesso à verdade das coisas, na medida em que a dimensão de uma ordem natural não faz parte do campo psicanalítico. Em Freud, a representação deve ser entendida como uma construção que dá ao mundo e ao próprio sujeito um sentido, colorindo-os com significações div...

sétima aula

Adorável ...Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas procuras), para que eu encontre a Imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Eis um grande enigma do qual nunca terei a solução: por que desejo Esse? Por que o desejo por tanto tempo, languidamente? É ele inteiro que desejo (uma silhueta, uma forma, uma aparência)? Ou é apenas uma parte desse corpo? E nesse caso, o que, nesse corpo amado, tem tendência de fetiche em mim? Que porção, talvez incrivelmente pequena, que acidente? O corte de uma unha, um dente um pouquinho quebrado obliquamente, uma mecha, uma maneira de fumar afastando os dedos para falar? De todos esses relevos do corpo tenho vontade de dizer que são adoráveis. Adorável que dizer: este é meu desejo, tanto que único: “É isso! É exatamente isso (que amo)! No entanto, quanto mais experimento a especialidade do meu desejo, menos posso nomeá-la; à precisão do alvo corresponde um estremecimento do nome; o próprio do desejo não pode...