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Merleau-Ponty e Psicanálise

Marcado pela herança filosófica de Husserl e procurando se deslocar dos impasses teóricos colocados pela filosofia da consciência, Merleau-Ponty indicou desde o início de seu percurso a necessidade de tematizar a abertura originária da consciência para o mundo e para o outro. Nesse contexto, o estudo da percepção ocupou um lugar central em sua pesquisa. Apesar de a categoria de consciência implicar a idéia de intenção da fenomenologia de Husserl, isto é, a consciência ser sempre consciência de algo que a transcende e estar inserida num corpo, a consciência ainda é o campo da referência fundamental da fenomenologia de Merleau-Ponty. Vale dizer, mesmo sendo consciência perceptiva, ainda é no campo da consciência que se realizam as indagações teóricas de Merleau-Ponty. A categoria de inconsciente não poderia ter lugar nesta concepção filosófica, de maneira que, no momento inaugural deste discurso, o pensamento freudiano foi criticado em seu fundamento, sendo considerado um modelo mecan...

O Inconsciente Freudiano

3ª. Aula O inconsciente freudiano Ao criar a noção do inconsciente, Freud delimitou desde 1895 – Projeto para uma Psicologia Científica – a idéia de uma tópica psíquica estruturada segundo um modo plurissistêmico, com articulações e interferências intra e intersistêmicas de uma sutileza que ele não cessará de precisar no prolongamento de sua obra. Processos psíquicos do ponto de vista Sistemático Concepção Tópica : Supõe uma diferenciação do aparelho psíquico num certo número de sistemas dotados de características ou funções diferentes e dispostos numa certa ordem uns relativamente aos outros, o que permite considerar metaforicamente como lugares psíquicos de que podemos fornecer uma representação figurada espacialmente. Dimensão Dinâmica : Considera os fenômenos psíquicos como resultantes do conflito e de composição de forças. O inconsciente exerce uma ação permanente, exigindo uma força contrária, igualmente de forma permanente, para lhe interditar o acesso à consciência. O car...
Professor Denilson Lopes convida: O Núcleo de Cultura e Tecnologia da Imagem (N-Imagem) da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a MP2 Produções estarão lançando, no dia 11 de abril de 2008, no Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Salão Moniz Aragão, Av. Pasteur 250, Praia Vermelha) o DVD contendo toda a obra em vídeo da artista Letícia Parente. Letícia Parente nasceu em Salvador, em 1930, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1991. Doutora em química, professora titular da Universidade Federal do Ceará e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, foi uma das pioneiras das novas mídias no Brasil (xérox, arte postal, vídeo arte). Entre 1975 e 2008, participou das mais importantes manifestações de vídeo arte no Brasil e no exterior. Seu vídeo Marca Registrada (1975) tornou-se um emblema da vídeo arte no país. Depois de um longo trabalho de pesquisa e restauração, patrocinado pela Petrobras por meio do seu programa Petrobrás Cultural - Memória ...

Aula: Introdução ao estudo de Lacan

Segunda Aula 01 de abril de 2008 Jacques Lacan: Os pais: Émilie Philippine Marie Baudry e Charles Marie Alfred Lacan. (Descendentes de prósperos comerciantes e católicos fervorosos.) Os irmãos O casal, Émile e Charles, teve quatro filhos: 1º. Jacques-Marie Émile Lacan (13 de abril de 1901 - 9 de setembro de 1981) 2º. Raymond (faleceu aos dois anos) 3º. Madeleine (casada, em 1925, foi viver na Indochina) 4º. Marc-Marie (Marc-François) – monge beneditino (ordenado em maio de 1935) A medicina : Entre 1927 e 1931, estudou a clínica das doenças mentais e do encéfalo no hospital Sainte-Anne, e estagiou na enfermaria especial da Chefatura de Política, para onde eram levados com urgência os indivíduos “perigosos”. “Ele participava, na cantina da sala de plantão, junto com alguns colegas, da aristocracia dos candidatos à chefia da clínica. Fazia suas refeições à ‘mesinha’ animada por Henri Ey, onde se empregava o vocabulário elegante da fenomenologia e se via com desprezo o velho organicismo...

Fragmento do Nada

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“- Na nossa terra, dizia um personagem, aconteceu uma coisa ... inacreditável... Ou melhor, está para acontecer ... é difícil de explicar ... começou assim: a leste de nossa terra há um lago... ou melhor dizendo, havia... Tudo começou quando, certo dia o lago desapareceu... pela manhã, não estava mais ali. Compreenderam? - Não, quer dizer que secou? Disse um outro. - Não. Se assim fosse, haveria ali um lago seco. No lugar onde havia o lago não havia nada... Nada mesmo, compreendem? - Havia um buraco? - Não, não havia um buraco.... um buraco ainda é alguma coisa. E ali não há nada, e isso é que é difícil de explicar. É como se uma pessoa ficasse cega, quando olhasse para esse lugar...” “A História Sem Fim”, de Michael Ende

Curso 2008

PROGRAMA DO CURSO 2008 Sujeito, Desejo e Discurso. Estrutura do curso O Curso será estruturado a partir dos três eixos temáticos: 1. O Sujeito. · A noção de sujeito na psicanálise: de Descartes a Lacan. · Sujeito e Inconsciente · Os dois modos de causação do Sujeito. 2. O Discurso · A psicanálise é uma prática discursiva · O Sujeito como efeito do Discurso · Discurso e Desejo 3. O Desejo · Desejo e Necessidade · Desejo e Demanda · Freud: O Desejo só se realiza no sonho · O Sujeito desejante.
Curso 2008 Sujeito, Desejo e Discurso. Início: 18 de março. Horário: 16:30 as 18:00 hs. Dia: Terça Feira (uma aula por semana) Local: CFH – UFSC Inscrições: e-mail: malholthausen@hotmail.com Fone: 3223-1532 9957.7654

Roteiro da Felicidade: Jurandir F. Costa

Roteiro social da felicidade JURANDIR FREIRE COSTA Vamos ao tesouro da sabedoria popular. Conta-se que um louco procurava algo sob o facho de luz de um poste. Outro louco se aproxima, pergunta o que ele estava procurando e obtém como resposta uma chave! O segundo louco pergunta se ele tem certeza de que perdera a chave naquele lugar. O primeiro diz que não, mas só ali havia bastante luz para que se pudesse ver alguma coisa. O segundo, espantado, diz que o primeiro é louco e propõe que ambos procurem a chave no escuro. A emenda é tão ruim quanto o soneto. Procurar o que se perdeu no lugar errado, só porque está iluminado, ou no lugar certo, mas onde nada se pode enxergar, são duas saídas insensatas, pois ou nunca encontraremos o que queremos achar, ou, se acharmos, não poderemos reconhecer o que encontramos. A anedota pode metaforizar, para alguns, a cegueira do destino humano, às voltas com o malogro inelutável da ilusória realização do desejo. Entre o desejo e o obje...
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PSICANÁLISE VAI AO CINEMA "O Cheiro do Ralo" Neste filme, Selton Mello interpreta Lourenço, um comprador de objetos usados que negocia com pessoas geralmente desesperadas por dinheiro, com as quais desenvolve um jogo perverso. Num encontro casual, se vê obrigado a relacionar-se com uma mulher usando uma moeda diferente: o afeto. Para Heitor Dahlia, diretor da comédia, o cheiro do ralo é aquele lugar que todo mundo tem escondido, aquelas coisas obscuras do ser humano. Na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo de 2006, foi eleito o melhor filme pelo júri, que o tratou como a junção de um fino humor negro com reflexões psicológicas e sociais. Debatedores convidados: Maria Holthausen - Psicanalista; Doutora em Teoria Literária. Manoel Ricardo de lima- Escritor; Professor de Literatura Portuguesa na UFSC. Data/hora: 14/11/07 às 19h00.Local: Sala multimídia do CIC. Atividade livre e gratuita

Sobre a construção do eu: as identificações, os ideais.

Sem dúvida amo a mim mesmo, e com todo o furor viscoso em que a bolha vital ferve sobre si mesma e se infla em uma palpitação ao mesmo tempo voraz e precária, não sem fomentar em seu seio o ponto vivo de onde sua unidade voltará a brotar, disseminada de sua própria explosão. Em outras palavras, sou ligado a meu corpo pela energia psíquica, o Eros que faz os corpos vivos se conjugarem para se reproduzir, que ele chama de libido. Mas o que amo, na medida em que existe um eu a que me vinculo por uma concupiscência mental, não é esse corpo cujo batimento e pulsação escapam mais evidentemente ao meu controle, mas uma imagem que me engana ao me mostrar meu corpo em sua Gestalt, sua forma. Ele é belo, é grande, é forte, o é mais ainda por ser feio, pequeno e miserável. Só me amo na medida em que me desconheço essencialmente, amo apenas um outro, um outro com um pequeno a inicial, daí o costume de meus alunos de chamar de "o pequeno outro". Nada de surpreendente no fato de ser...

Questões sobre escrita

O estudante, segundo Nietzsche, está ligado a Universidade pela orelha. O lugar do estudante, dentro da instituição acadêmica, é o lugar do ouvinte. Um ouvinte passivo frente ao saber do Mestre. O estudante ouve, anota, repete na prova, cita em seus trabalhos o saber autorizado pelos seus mestres. Um saber que, de maneira geral, é conformista e homogêneo. Um saber que o psicanalista francês - Jacques Lacan - denominou de saber-semblante. Ou seja, um saber que alimenta o conformismo identificatório. Quanto mais cito Jacques Lacan, quanto maior é o meu repertório de palavras e conceitos lacaniano, maior será a minha aprovação como pesquisadora deste teórico. Este conformismo identificatório com o saber do Mestre, o discurso universitário chama de rigor teórico. Dentro do discurso universitário, não há espaço para o não-saber. Portanto, não há espaço para a criação, só para a repetição que advém da memorização. O bom estudante repete, não inventa. Não estou, aqui, contestando...

Desejo:

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Podemos entender o desejo como a negatividade do mundo narcísico, isto é, como aquilo para o que não há objeto dado e conformado de satisfação plena, como fazem parecer as imagens ideais. O desejo é sempre de outra coisa. O desejo pressupõe a falta. Falta que, aliás, marca uma das diferenças entre Freud e Lacan: enquanto para Freud o desejo tem uma gênese empírica na perda da simbiose do bebê com sua mãe, para Lacan o desejo é a necessária relação do ser com a falta.

Sartre & Descartes

... No texto de 1945 intitulado “A liberdade cartesiana”, Sartre critica Descarte por ter reservado ao homem apenas a liberdade negativa , a possibilidade de duvidar, de dizer não. Descartes, diz Sartre, sustou do homem, em proveito exclusivo de Deus, toda a liberdade da imaginação criativa. Humanista radical, Sartre vai reivindicar para o homem o estatuto de criador-criatura, ou seja, vai recolocar sobre os ombros do homem a responsabilidade total de produzir e justificar seus próprios valores universais. O homem está jogado e sozinho no mundo, sem justificativa alguma, e sobretudo sem o consolo de pensar que poderia encontrar algum fundamento para seus valores fora de si próprio, quer dizer, fora daqueles que ele mesmo deve produzir criativamente e justificar com todo o peso que essa responsabilidade implica. Ser contingente é ser gratuito, sem razão e sem justificativa . Ora, para Sartre, uma das maneiras pelas quais o homem se aliena na inautenticidade, como forma de masc...

Fragmentos: Objeto "a" na experiência analítica

fragmento... O estado atual da civilização se descreve como individualismo de massa ou hedonismo conformista de massa. Alguns se lamentam das conseqüências que isto acarreta para o laço social e sua fragilização. Não podemos estar de acordo com esta queixa que aponta para as desordens que produzem a ascensão ao zênite da época do fantasma, do gozo. O objeto a aparece mais claramente, enquanto que antes estava velado. O que se denunciava desde antes da segunda guerra mundial como tirania do narcisismo é agora, a época do desvelamento do objeto tirano. Não se queixar das conseqüências que podemos ler nos sintomas que afetam os laços sociais é a indicação dada por Jacques-Alain Millar por ocasião do Congresso da AMP, em Comandatuba, em 2004. Um psicanalista não pode admitir este termo hedonismo contemporâneo, pois o hedonismo é um sonho. Este suporia uma medida possível das relações do sujeito e de seu gozo. Os limites desta relação podem se situar em duas vertentes. A primeira é a...

Cursos

Universidade Federal de Santa Catarina Centro de Filosofia e Ciências Humanas Departamento de Filosofia Curso de Pós-Graduação em Filosofia Área de Ontologia 2007/02 Professor: Marcos José Müller-Granzotto Disciplina: Ontologia e Método II FIL 3150 Data/horário: 3ª feira / das 13:30 às 16h - Sala: 322 Título do Curso: O Outro no discurso fenomenológico. Objetivo do curso: Discutir, a partir da Quinta Meditação Metafísica de Edmund Husserl (1931), a concepção fenomenológica da experiência do outro (entendido como alter-ego) e a maneira como essa concepção repercutiu na filosofia da intersubjetividade desenvolvida por Merleau-Ponty. Conteúdo programático comentado: A apresentação do outro como uma possibilidade do ego transcendental, como uma das muitas objetivações possíveis desse campo amplo de experiências intencionais, que é a consciência transcendental, não foi suficiente para livrar Husserl das críticas que o acusaram de transformar a fenomenolog...