sábado, abril 22, 2006

PROGRAMA DO CURSO

Acompanha, concomitante a proposta deste Curso, a responsabilidade de instaurar um espaço de discursividade alinhavado por um desejo de transmissão. Sabemos, de acordo com o mito freudiano da horda primeva, que fundar um espaço nada mais é que tornar efetivo um ato assassino, que, como tal, é a invenção, a criação de um lugar entre aqueles mesmos que lhe dão corpo, laço de in-corpo-ração.
Assim é que, para a psicanálise, as gerações não são o produto de uma genealogia ou de uma filiação, mas do assassinato, metafórico, do significante pelo significado. Nenhum pai é naturalmente pai. O Urvater freudiano á apenas um pai de construção discursiva pelo qual se radicaliza toda a ausência de um pai, anterior ao ato assassino.
Nenhum analista pode crer num pai fundador. Ele não pode - pela razão mesma de que não há analista, mas apenas uma função analista -, imaginar sua tarefa de outra forma que numa reinvenção de um discurso no qual a função “autor” prevalece em relação a toda noção de “pai”. Tudo o que, em psicanálise, procede da sucessão ou de transmissão só pode ser considerado, portanto, a partir da noção de discursividade e, mais particularmente, a de instauração de discursividade.
Será “autor” aquele que, ao ocupar essa função, produz uma obra pessoal. Uma obra cuja regra de formação permite, por sua vez, a produção de outros enunciados, os quais podem, em seu conteúdo, diferir dos textos fundadores que os tornaram possíveis, mas que têm que exigir para si, entretanto, a origem num mesmo lugar de discurso.
Alheios a essa noção situaram-se aqueles a quem Lacan chamou de “os freudianos da segunda geração”. Foram os que, por não terem sabido pôr em operação o modo de instauração de discursividade freudiano, desenvolveram um regime de aderente adesão ao texto, para finalmente chegar apenas, por pura fetichização, a um modo de transmissão geracional – ou pior: de engendramento clonado.
O processo das gerações em psicanálise, ao contrário de uma tal inércia, só pode, portanto, ser entendido a partir de um eterno retorno a Freud. O fato de que Lacan tenha se sentido intimado a operá-lo nem por isso nos deixa quites. Pois, ao final de cada retorno é preciso reinventar esse lugar vazio, essa contagem – a partir do zero – sem a qual nenhuma série é possível.
Objetivos:
Oferecer um percurso de estudo dos fundamentos da psicanálise de orientação lacaniana, levando em conta as mudanças de paradigma na teoria freudiana e no ensino de Lacan.
A quem se dirige
A todos aqueles interessados pela teoria e clínica da psicanálise lacaniana: profissionais e estudantes de qualquer área; praticantes e não praticantes da psicanálise.
Estrutura do curso
O Curso será estruturado a partir de quatro eixos temáticos:
1º. Semestre de 2006
<!--[if !supportLists]-->1) <!--[endif]-->Conceitos Fundamentais da Psicanálise (Inconsciente, Repetição, Transferência, Pulsão).
<!--[if !supportLists]-->2) <!--[endif]-->Os quatro discursos (Discurso do Mestre, Discurso da Histérica, Discurso do Analista, Discurso Universitário).
2o. Semestre de 2006
3) Real, Simbólico e Imaginário nas formulações lacanianas.
4) Estruturas clínicas: Neuroses, Psicoses e Perversão.
Carga Horária:
32 horas Semestrais
Horários:
Quinzenal
Dia: Sexta Feira
Horas: Das 14:30 às 18:00hs.
Início:
05 de Maio de 2006.