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Mostrando postagens com o rótulo Psicanálise e Textualidade

A ERA DO TRAUMA

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  A era do trauma Márcio Seligmann-Silva O termo “trauma” tornou-se nas últimas décadas um conceito-chave nos estudos culturais e nas assim chamadas ciências humanas de um modo geral. Se o trauma pode ser pensado tanto como um evento que produz um abalo (“o trauma que alguém sofre”) como também como o efeito desse evento (“a pessoa traumatizada”), é porque estamos diante de um desses fenômenos que colocam em questão as fronteiras entre o sujeito e o seu mundo. O trauma desestabiliza qualquer noção simplista de “realidade”. Ele tensiona a possibilidade de se pensar um mundo representado sem problemas pelo sujeito. Pensar o trauma implica uma série de questões que foram colocadas historicamente pelo século 20. Esse século, que revelou com toda clareza o profundo significado da dialética do Iluminismo, ou seja, em que medida a razão Ocidental se desdobra simultaneamente em progresso (técnico-científico) e em barbárie (nas relações inter-humanas e nossa com a natu...

OUTRO(S) NUM CASAMENTO

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Uma conversa com Marcos José Müller, autor do recém lançado Outro(s) num Casamento. MARIA: Gostaria em primeiro lugar que você falasse sobre a diferença deste livro em relação aos seus outros livros, já publicados. Parece-me que “Outro(s) num casamento” traz a marca de uma nova linguagem. MARCOS: Obrigado pela oportunidade de mostrar aos leitores do blog minha mais recente produção. Ela marca, sim, uma  diferença em relação aos meus trabalhos anteriores, os quais são fortemente marcados pela escrita acadêmica, voltados ao público especializado em filosofia fenomenológica, psicanálise e psicologia clínica. Dessa vez, não obstante eu continuar a me servir dos resultados  e fontes de minhas pesquisas acadêmicas, o texto foi escrito em um formato ensaístico,  com forte apelo literário, em que encarrego 11 personagens de transmitirem, em função dos contextos narrativos em que se encontram, as diferentes maneiras pelas quais se pode pensar a experiência com...

INTERPRETAÇÃO: DO TEXTO A VOZ

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COMO OUVIR A VOZ DO TEXTO Interpretação, Transcrição e Intradução Marcos André Vieira TRADU Ç ÃO E INTERPRETA Ç ÃO Parto da seguinte analogia feita por J. Lacan entre a tradu ç ão e a interpreta ç ão em uma análise: A interpreta ç ão deve introduzir no texto algo que subitamente torne possível a tradu ç ão . 1   Tradu ç ão do qu ê ? Numa análise tenta-se dizer uma singularidade que não cabe nas palavras. Como traduzi-la, então, no sentido de lhe dar um lugar no universal, de lhe fornecer um mínimo de legibilidade que permita ao analisante sustentá-la em sua vida? Há que haver algo de possível nessa tradu ç ão, pois senão faríamos análise apenas para se dar conta de que o intraduzível não se traduz. Neste sentido, a única saída seria calar, como sugere o primeiro Wittgenstein. Estaríamos a um passo do místico, que justamente se cala sobre Deus porque Deus não pode ser dito. Ora, nem o inconsciente, nem o real lacaniano são d...