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A DANÇA MACABRA DO CORPO: ANGÚSTIA E VUNERABILIDADE NA CLÍNICA PSICANALÍTICA

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  Na contemporaneidade o corpo é tratado como um objeto a ser moldado. Academias, spas, cirurgias estéticas… tudo parece girar em torno da ideia de que podemos controlar nossa existência através do corpo. Mas será que isso realmente nos dá segurança? Em seu texto, Lucia Maria de Freitas Perez nos lembra que Freud já dizia: o ego é, desde o início, um ego corporal. Ou seja, nossa identidade está profundamente ligada ao corpo, mas também à sua vulnerabilidade. E é justamente essa fragilidade que nos angustia. Aqui vem um ponto crucial: o corpo não é só um lugar de prazer, mas também de sofrimento. Em muitos casos, o sujeito não consegue elaborar sua angústia e acaba descarregando tudo no corpo: que pode aparecer como compulsões, sintomas psicossomáticos ou até cirurgias repetitivas. Perez traz o caso de Lia, uma paciente que passou por inúmeras cirurgias, não para buscar um corpo perfeito, mas para tentar eliminar a dor. Mas será que cortar o corpo realmente corta o sofrimento? Ou s...

ANGÚSTIA

Angústia e castração Marco Antonio Coutinho Jorge O tema da angústia é abordado por Freud, do início ao fim de sua obra, por meio de duas teorias bem delimitadas. A primeira teoria da angústia é baseada essencialmente no ponto de vista econômico: trata-se de uma grande quantidade de energia sexual que invadiu o sujeito, de um grande acréscimo de excitac ̧ ão que se aliviaria por meio da descarga dessa energia sexual. Freud irá falar aí de um coito insatisfatório. A angústia é, então, considerada como um intenso afeto de desprazer vinculado estritamente à sexualidade. A segunda teoria freudiana da angústia a considera como um verdadeiro sinal de alarme, motivado pela necessidade de o eu se defender diante da iminência de um perigo. Trata-se eminentemente de uma reac ̧ ão à perda, à separac ̧ ão de um objeto fortemente investido. Logo, esta segunda teoria da angústia representa uma releitura que Freud faz a partir do momento em que inclui os novos ele...

FÊNOMENOS PSICOSSOMÁTICOS

Fenômenos psicossomáticos: uma questão para a psicanálise Entre as doenças ou manifestações patológicas que se apresentam no corpo e que por vezes demandam tratamento à clínica médica ou à clínica psicanalítica destacam-se os sintomas histéricos, a angústia e as doenças psicossomáticas. Em todas elas se encontra a característica comum de manifestação corporal apresentando disfunção ou perturbação das funções dos órgãos, porém sua abordagem pela psicanálise ou pela medicina será bastante distinta. No domínio da ciência médica, o corpo é definido em sua dimensão biológica e a doença, como existência autônoma, é autenticada por uma lesão anatomoclínica (Abreu, 1992). É nessa perspectiva que na medicina se realizam o diagnóstico e o tratamento de doenças. Por sua vez, no campo psicanalítico, o corpo é definido não no plano biológico, mas a partir de sua organização pulsional, cujo limite ultrapassa o corpo como organismo, ou seja, o órgão tomando sentido e função em r...