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Mostrando postagens com o rótulo Conceitos da Psicanálise

Jacques Lacan: glossário

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glossário de lacanês Sujeito -  Longe de engrossar o coro daqueles que defendiam a "morte do sujeito", Lacan sempre acreditou no caráter irredutível da subjetividade. A seu ver, a especificidade da psicanálise vinha exatamente da recusa em admitir que os fatos psíquicos fossem apenas resultados de descargas neuroniais ou distúrbios orgânicos. Mas, por outro lado, o sujeito lacaniano não guarda muitas semelhanças com seus antepassados modernos. Filho de um tempo que não acredita mais na transparência da consciência e na luz natural da razão, o sujeito lacaniano verá sua auto-identidade aparecer irremediavelmente despedaçada. Desprovido de vida interior e de profundidade psicológica, ele será como um personagem de "nouveau roman": vazio, impessoal e incapaz de se apropriar reflexivamente de sua própria história. A esse sujeito restará ser um movimento de fuga que não cessa de não se inscrever, tal como um sintoma que nunca se dissolve.  Desejo -  ...

Amor, Desejo e Gozo

AMOR, DESEJO E GOZO EM FREUD E LACAN Como desenvolvi em meu recente livro Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan - vol.1: as bases conceituais (Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2000), amor, desejo e gozo são elementos que fazem parte de uma estrutura que apresenta em sua base a ausência de inscrição da diferença sexual no inconsciente, tal como Freud pôde designar em seu artigo metapsicológico sobre O inconsciente. A entrada do sujeito humano no campo da linguagem implica a perda de um gozo absoluto: assim, para todo sujeito, o gozo será sempre parcial, pois será apenas uma parcela da pulsão que obterá satisfação. É isso precisamente que Lacan denomina de gozo fálico, isto é, o gozo parcial e possível, ligado à linguagem e ao fato de que a entrada na linguagem ocasiona uma perda de ser para o sujeito humano. O regime do desejo é fundado para o sujeito humano precisamente porque, na perda originária do gozo, o sujeito passa a viver numa relação contínua com uma falta de s...

O Conceito de Angústia em Lacan

As formulações apresentadas por Lacan no seminário de 1962-63 (Seminário X) a propósito da concepção de angústia apresentam algumas diferenças em relação à teoria freudiana da angústia. Não são apenas retomadas das teses freudianas, mas formulações novas que, de qualquer modo, têm as elaborações freudianas como referência. Ainda que Lacan afirme que em "Inibição, Sintoma e Angústia"(Freud,1926) fala-se de tudo, exceto da angústia, é às questões levantadas por Freud neste texto que ele se refere privilegiadamente na sua discussão, questionando algumas formulações e procurando apresentar caminhos para a resolução de determinados impasses. Em primeiro lugar, para Lacan a angústia é um afeto. Esta afirmação é importante no contexto de uma crítica ao ensino lacaniano por apresentar um excesso de intelectualismo, crítica feita por aqueles que consideravam que a psicanálise deveria tratar do afetivo, a partir de uma distinção psicológica entre o pensar, o sentir e o querer. ...

Sobre a Angústia

A Angústia . Em princípio, gostaria de dizer que vou falar sobre a angústia. Peço licença de fazer essa modificação da palavra ansiedade, título neste Simpósio, pela palavra angústia, devido a uma discussão ocasionada pela tradução da palavra que Freud utilizou: angst traduzida para o português na coleção de suas obras completas como ansiedade. Não quero cansá-los com essa problemática, só quero precisar que prefiro utilizar o termo ‘angústia’ uma vez que minha abordagem tem a ver com a psicanálise e foi esse o termo referido por Lacan, autor junto com Freud, que me baseio no desenvolvimento do que aqui trago. 1. Angústia é um Sentimento Diria simplesmente, retomando uma expressão de Freud: “Angústia é algo que se sente”. Embora essa expressão possa parecer absolutamente óbvia para os que consideram que a psicanálise lida com os sentimentos, gostaria de privilegiar um fato: não há muitos sentimentos com os quais a psicanálise lida. Diria mesmo que existe um sentimento: a...

Supereu: avesso do desejo

Realização : Andréa Carvalho Mendes de Almeida, Bela M. Sister, Danielle Breyton, Deborah Cardoso, Silvio Hotimsky e Susan Markuszower. Tradução : Stella Maris Schebli. Por mais de trinta anos, Marta Gerez Ambertín , psicanalista argentina, rastreou de maneira exaustiva o conceito de supereu na teoria psicanalítica, retomando os textos de Freud e Lacan para tentar desfazer os inúmeros mal-entendidos que surgiram nas leituras pós-freudianas. Instância polêmica, assim ela nos apresenta o supereu: “não é individual nem social; não é interior nem exterior; não é própria nem alheia e, mais ainda, não é somente mera identificação ao pai, tampouco uma simples herdeira do complexo de Édipo. Nem materno nem paterno, nem feminino nem masculino, nem precoce nem maduro… seus enigmas invadem com interrogações a teoria e a clínica psicanalíticas” . Nos vários livros que escreveu, alguns já publicados em português – As vozes do supereu (Ed. de Cultura e EDUCS, 2003) e Imperativos ...

Lalíngua ou Alíngua: pequena introdução

### Embora as traduções dos textos de Lacan apresentem ora a palavra alíngua , ora lalíngua , um grande número de seus comentadores opta por manter a palavra lalangue tal como Lacan a criou, por considerar esse neologismo intraduzível, já que ele associa o termo à lalação do bebê. ### “Je fais lalangue parce que ça veut dire lalala, la lallation, à savoir que c’est un fait que très tôt l’être humain fait des lallations, comme ça, il n’y a qu’à voir un bébé, l’entendre, et que peu à peu il y a une personne, la mère, qui est exactement la même chose que lalangue, à part que c’est quelqu’un d’incarné, qui lui transmet lalangue”. ( Jacques Lacan: Conférence donnée au Centre culturel français le 30 mars 1974.)   ### Para Haroldo de Campos, tradutor-inventor desse significante lacaniano, o prefixo “a”, em português, tem um sentido privativo que o distancia do artigo feminino francês La escolhido por Lacan. Assim sendo, a opção por “al...