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Mostrando postagens com o rótulo Livros

Elizabeth Roudinesco lança no Brasil a biografia de Freud

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Acaba de ser lançado pela Editora Zahar, Sigmund Freud na sua época e em nosso tempo, de Elizabeth Roudinesco . A edição brasileira teve a tradução assinada por André Telles , e a revisão técnica ficou aos cuidados de Marco Antônio Coutinho Jorge. Uma dobradinha pra lá de interessante. Afinal, esta dupla vem produzindo uma importante e volumosa pesquisa dentro do campo da psicanálise no Brasil. Neste lançamento, uma novidade que me surpreendeu, a edição está sendo publicada em papel e em e-book simultaneamente. Só temos que agradecer a iniciativa da Zahar. Um livro com 528 páginas é muito mais fácil de carregar no formato digital do que em papel. E, o mais importante, não vai estar esgotado em um ou dois anos. Chega de conservadorismo, quem quiser sentir o cheiro de papel vai comprar o livro impresso, quem simplesmente quer ler e usar como material de pesquisa compra em e-book. A seguir, transcrevo a entrevista que Roudinesco concedeu a revista Época na sua visita ao Br...

Pascal Bruckner por Jurandir Freire Costa

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Amores Expressos Jurandir Freire Costa O   Paradoxo Amoroso – Ensaio sobre as Metamorfoses da Experiência Amorosa , de Pascal Bruckner, é mais um trabalho sobre o amor. O autor aborda o tema em modo de ensaio, ou seja, sem sistematizar a armadura conceitual histórica, filosófica, psicológica, semântica etc. da leitura escolhida. Nesse sentido, o livro tem o perfil de uma meditação moralista   à la Montaigne, Pascal, La Rochefoucauld ou outros do gênero. A pretensão é absolutamente legítima, mas paga o preço da escolha do método. Primeiramente, os pontos fortes. Bruckner observa a distância o panorama amoroso contemporâneo, revelando suas linhas de força. A tese é, grosso modo, a seguinte: somos filhos inconscientes do Maio de 1968. A revolução amoroso-sexual daquele período triunfou. Não, porém, como previam os protagonistas do acontecimento. As astúcias da história transformaram a fantasiada liberação sexual em pesadelo amoroso. Somos livres para amar...

Sobre a Loucura

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Trecho do livro: O que é loucura? – Delírio e Sanidade na vida cotidiana de Darian Learde. Zahar Editora ... Quando o jovem estudante de medicina Jacques Lacan iniciou sua formação psiquiátrica, na Paris da década de 1920, foi essa a cultura em que suas ideias começaram a crescer. Hoje, o trabalho clínico lacaniano com a psicose é feito no mundo inteiro, especialmente na França, na Bélgica, na Espanha, na Itália e nos países latino-americanos, bem como, cada vez mais, no Reino Unido. Há uma cultura florescente de periódicos, livros, boletins, conferências, cursos e palestras, todos dedicados à exploração de diferentes aspectos da loucura. Até o presente, milhares de relatos de casos de trabalho com sujeitos psicóticos foram publicados por clínicos lacanianos. Lamentavelmente, porém, fora do campo em si a maioria dos psiquiatras, psicólogos e profissionais de saúde mental nunca se deparou com nenhuma dessas investigações. Há muitas razões para isso. É comum presum...

"Pretextos de Mulheres Negras" reúne 22 escritoras contemporâneas

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Com a urgência poética de milhões de olhos surge, na literatura contemporânea, a antologia   Pretextos de Mulheres Negras , que foi lançada no dia 31 de outubro, em São Paulo (SP). O volume de quase 140 páginas apresenta em cada uma das 22 autoras – 20 de São Paulo e as convidadas Queen Nzinga Maxweell (Costa Rica) e Tina Mucavele (Moçambique) – subjetividades e autorrepresentações, seja nos textos, nas imagens, nos perfis biográficos ou na forma como lutam por resistência, memória, pertencimento, ludicidade, corporeidade, musicalidade, religiosidade e outros valores presentes nas africanidades e na diáspora. “Temos a intenção de religar os nossos vínculos ancestrais e também escrever a melodia dos nossos próprios ritmos”, anuncia a organizadora do livro, Elizandra Souza. A obra é parte das ações do coletivo Mjiba, que fortalece o protagonismo da mulher negra em diferentes esferas e foi também inspirada no livro “Oro Obínrin – 1º Prêmio Literário e Ensaístico sob...

Thomas Mann por Daniel Piza

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Mann, o humanista Escrevendo em 1952 sobre Émile Zola, que no célebre artigo Eu Acuso defendeu o capitão judeu Dreyfus das acusações de espionagem, Thomas Mann (1875-1955) lembra como um grande autor era capaz de provocar indignação e revoltar o mundo e diz que “desde então o retrocesso ético tem sido terrível”. A humanidade se tornou embrutecida, apática, uma multidão de “aleijões morais”. Muito antes, em 1929, descrevendo o classicismo de Lessing, o escritor alemão dá outro salto para o presente e afirma: “Já fomos tão longe no campo do irracional”. A modernidade vinha se tornando mais e mais avessa ao intelecto, às ideias, à noção básica de sensatez. E é esse ponto de vista, de um humanismo que quer assimilar as paixões e as pulsões, que une os ensaios de O Escritor e sua Missão (editora Zahar), finalmente traduzidos no Brasil. O livro serve não apenas para reafirmar a filosofia ética e estética de Mann, mas também para registrar mais uma vez o papel do gênero ensaístico...

O Sinthoma - Seminário 23

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O Seminário 23 é um dos últimos e mais complexos seminários de Jacques Lacan, sobre a não menos complexa obra de James Joyce, autor de obras clássicas como Retrato do artista quando jovem e Ulisses . Lacan interessou-se por estudá-lo pela peculiar relação entre Joyce, o processo de escrita de seus livros e o fato de ele se colocar fora da via da psicanálise. No livro, Jacques Aubert, especialista em James Joyce, redigiu notas de leitura sobre as passagens de Joyce mencionadas por Lacan. O Seminário, livro 23 traz ainda uma palestra que Jacques Aubert apresentou durante o seminário, revista por ele especialmente para essa obra. E também: "Joyce, o sintoma", palestra que Lacan apresentara na Sorbonne em 1975. Trecho do Seminário 23 : Não está lá essas coisas e vou lhes dizer por quê. É que estou ocupado em absorver, em torno da obra de Joyce, a enorme literatura que ele provocou. Ainda que esse termo o repugnasse, foi de fato isso que ele provocou, e o provocou ...

Peter Sloterdijk

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O filósofo alemão Peter Sloterdijk desenvolve neste livro uma série de reflexões feitas a partir da morte de Derrida. Mais do que uma simples homenagem, trata-se de lançar um olhar entre o modesto e o extremamente ambicioso sobre uma obra de cerca de oitenta volumes. Em vez de monumentalizar o conjunto dos textos de Derrida, tenta-se revê-lo com o recurso da pirâmide e de seu significado na civilização egípcia, além de expor o modo como se deu o advento do monoteísmo. Afirma o autor: "[...] já se pode ter desenhado o contorno principal de um retrato filosófico de Derrida: sua trajetória se definiu pelo cuidado vigilante de não se deixar fixar numa identidade determinada - cuidado este afirmado tanto quanto a convicção do autor de que seu lugar só podia se situar na linha de frente mais avançada da visibilidade intelectual." A hipótese de Sloterdijk propõe que o pensamento derridiano corresponderia a um tempo em que os autores, em vez de tratar diretamente dos assuntos, ...

Giorgio Agamben

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O filósofo Giorgio Agamben é difícil de ser enquadrado nas concepções tradicionais de filosofia, dividida tradicionalmente em períodos históricos Nascido em 1942, ele deveria ser situado como um filósofo contemporâneo. Mas como suas influências principais já são de autores contemporâneos – entre os quais destacam-se Walter Benjamin, Martin Heidegger, Michel Foucault, Jacques Derrida e Hannah Arendt – o pensador italiano acaba sendo símbolo de uma renovação filosófica e, sobretudo, de uma renovação da filosofia política. O argumento é de Claudio Oliveira , professor de Filosofia da UFF, coordenador da coleção Filô Agamben, na editora Autêntica, e também tradutor de Agamben. Nesta entrevista, ele explica por que a força política do pensamento agambeniano está em não separar a filosofia política como um campo específico da filosofia, mas, ao contrário, em pensar filosofia e política como uma coisa só. “A conjunção entre as duas é única forma de retirar ambas, a filosofia e a polític...

PUBLIXAÇÕES

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Há um. No cerne do presente Seminário, esse aforismo, que passara despercebido, completa o Não existe da relação sexual, enunciando o que há. Entenda-se, o Um-sozinho. Sozinho em seu gozo (essencialmente autoerótico), assim como em sua significação (fora da semântica). Aqui começa o último ensino de Lacan. Ali está tudo o que ele ensinou, e no entanto, é tudo novo, renovado, virado de pernas para o ar.  Lacan ensinava a primazia do Outro na ordem da verdade e na do desejo. Aqui, ensina a primazia do Um na dimensão do real. Rejeita o Dois da relação sexual e o da articulação significante. Rejeita o grande Outro, eixo da dialética do sujeito, e o remete à ficção. Desvaloriza o desejo e promete o gozo. Rejeita o Ser, que não passa de semblante. Aqui, a henologia, doutrina do Um, supera a ontologia, teoria do Ser. E a ordem simbólica? Não é outra coisa no real senão a iteração do Um. Donde o abandono dos grafos e das superfícies topológicas em favor dos nós, feitos de rodinhas de...

Psicose e sofrimento

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O livro trata de duas distintas clínicas gestálticas: a clínica das psicoses e a clínica do sofrimento ético, político e antropológico. Com base em casos clínicos e na interlocução com a psiquiatria fenomenológica, com a psicanálise lacaniana e com a filosofia política contemporânea, os autores delimitam o estilo gestáltico de compreensão e intervenção nos contextos em que se produzem reações psicóticas e aflitivas. Distinguir as psicoses das diferentes modalidades do sofrimento ético-político e antropológico – dentre elas o surto. Este é o objetivo dos psicólogos Marcos José Müller-Granzotto e Rosane Lorena Müller-Granzotto. No livro Psicose e sofrimento (456 p., R$ 81,90), lançamento da Summus Editorial, eles abordam duas distintas clínicas gestálticas: a das psicoses e a do sofrimento, de forma que as diferentes leituras teóricas sobre a psicose dialoguem entre si, refletindo melhor sobre os casos clínicos concretos, a partir da realidade dos profissionais de saúde e ass...

Sobre o discurso biográfico

Um amigo poeta costuma dizer que as únicas grandes biografias que ele conhece são as de Ulisses por Homero, de Sócrates por Platão, de Dom Quixote por Cervantes, de Ahab por Melville, e assim por diante. Os verdadeiros biógrafos são os escritores. Grifo a palavra porque ela está empregada em sentido rigoroso: afinal, o que significa escrever a vida? Blanchot argumenta que Kafka sentiu pela primeira vez “a fecundidade da literatura (…) desde o dia em que soube que a literatura era esta passagem do Ich ao Er , do Eu ao Ele ”. “Não basta escrever: Eu sou infeliz”, prossegue. “Enquanto não escrever nada além disso, estou perto demais de mim, perto demais de minha infelicidade para que esta infelicidade se torne realmente a minha no modo da linguagem: ainda não estou realmente infeliz. Somente a partir do momento em que chego a essa substituição estranha: Ele é infeliz, é que a linguagem começa a se constituir em linguagem infeliz para mim, a esboçar e a projetar lentamente o modo...