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Mostrando postagens com o rótulo Grupo de Leitura

LITERATURA ESCRITA POR MULHERES

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  Depressões - no original alemão  Niederungen - é o livro de estreia de Herta Müller. Romena radicada na Alemanha, ganhadora do prêmio Nobel de Literatura em 2009, Herta representa uma voz importante entre os escritores contemporâneos de língua alemã.    Publicado em 1982, Depressões é uma coletânea de 15 contos, ou capítulos, narrados por uma garotinha.  Através do olhar indiscreto e sensível da criança, o leitor acompanha os rigores da vida, em uma pequena aldeia rural da Romênia.      Caracterizado dentro do gênero dos romances autobiográficos, onde o autor autoriza-se a lidar com o processo de ficcionalização da própria vida, o que importa nesse modelo narrativo, não é a verdade dos fatos. “Não se trata de recuperar as lembranças autênticas, mas de construir formas possíveis do processo de rememoração”.   Em uma entrevista de 1989, a autora conta como começou a escrever o livro, “revelando a centralidade de seu autobiografismo ...

CLARICE LISPECTOR: um ensaio de A Hora da Estrela

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A HORA DA ESTRELA A Hora da Estrela é um dos treze títulos do livro publicado em 1977 por  Clarice Lispector, ano de sua morte. Entre as densas 87 páginas, suas  palavras me desconcertavam. Afastei-me de início e meditei no que lia: “O registro que em breve vai ter que começar é escrito sob o patrocínio do refrigerante mais popular do mundo e que nem por isso me paga nada, refrigerante esse espalhado por todos os países. Aliás foi ele quem patrocinou o último terremoto em Guatemala. Apesar de ter gosto do cheiro de esmalte de unhas, de sabão Aristolino e plástico mastigado. Tudo isso não impede que todos o amem com servilidade e subserviência. Também porque - e vou dizer agora uma coisa difícil que só eu entendo - porque essa bebida que tem coca é hoje. Ela é um meio da pessoa atualizar-se e pisar na hora presente.” (p. 23) A página me capturou. Sentia isso me absorvendo como refrigerante. O prazer das palavras causavam efeito corrosivo, como o som das bolhas de CO2. Desejei ...

Arlington Park: as mulheres de Rachel Cusk

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Arlington Park, de Rachel Cusk Silvia Lazzaretti Educadora Criativa slazzaretti@gmail.com O mundo precisa ler cada vez mais mulheres e nós precisamos escrever mais sobre nossas histórias, percepções e cotidianos. De forma experiente e cheia de referências, Rachel Cusk coloca-se como uma mulher escrevendo sobre mulheres, inseridas em um dia chuvoso. Assim como Virgínia Woolf em Mrs. Dalloway, Rachel Cusk em Arlington Park revela um dia na vida de cinco mulheres. O mundo feminino é repleto de palavras que adjetivam o cotidiano das mulheres, algumas são reflexos das diferentes escolhas feitas pelas mesmas acerca de sua própria vida, ou mesmo escolhas que tiveram o atravessador cultural sobre o que se esperava delas, assim é com a maternidade e o matrimônio.  Em suma, o livro remete a histórias íntimas de mulheres dentro de suas bolhas. Nestas esferas, os pensamentos, ações e comportamentos são vistos por quem está de fora de suas vidas: os espaços e os obje...

ADORÁVEIS MULHERES

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MULHERZINHAS Louisa May Alcott              LOUISA MAY ALCOTT • Nasc: 29 de novembro de 1832 em Germantown, hoje parte da Filadélfia-USA; • Filha de Amos Bronson Alcott (transcedentalista) e Abby May (assistente social); • Iniciou a sua educação em casa e as suas lições eram dadas principalmente pelo seu pai, mas ela também teve lições com professores renomados e conviveu com grandes nomes das artes de sua época; • O Livro Little Woman , baseado na via da autora, foi uma encomenda com a recomendação que deveria ser para meninas e deveria finalizar com casamentos. Teve sucesso instantâneo e no ano seguinte foi editado a sequência chamada de Good Wives , editados juntos em 1880; Resumo: Com o pai na guerra e uma mãe ocupada, as jovens Meg, Jo, Beth e Amy (16, 15, 13 e 12 anos) crescem juntas. De diferentes personalidades, nem sempre o convívio entre as quatro irmãs é dos mais amigáveis, mas o...

O PERIGO DE UMA HISTÓRIA ÚNICA: Literatura e Artes Plásticas

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O Perigo de Uma História Única  De:  Chimamanda Ngozi Adichie A autora nasceu e cresceu na Nigéria, passou sua infância no Campus universitário no leste da Nigéria. Cresceu lendo contos infantis de autores britânicos e americanos, obras que influenciaram suas impressões de literatura, e quando jovem sua escrita os imitavam. Quando começou a ter contato com autores africanos disponíveis, sua visão sobre a literatura mudou.  Buscou seu lugar na literatura onde meninas como ela também existiam. Demostrando quão vulneráveis somos diante de uma história única, especialmente durante a infância. Mas, além disso, o perigo de uma história única, estão presentes em todos os lugares que passamos, julgando as pessoas, da qual só vemos sua condição do momento, e como ela mesma ressaltou em relação ao  Fide , assim como muitos outros pré-conceitos que surgem de imediato sem ao menos procurar entender os motivos ou causas daquilo que parece ser....

A INGÊNUA LIBERTINA

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Como acompanhar a narrativa da jovem Minne sem lembrar de outras personagens que retrataram a figura da mulher burguesa bem casada, mas insatisfeita e descontente com o papel de esposa? Como não lembrar, por exemplo, das duas mais famosas personagens do século XIX: Madame Bovary, Anna Karenina?  Contudo, apesar das semelhanças entre essas três personagens, uma dessemelhança fundamental se apresenta entre elas: Minne não é levada a um final trágico, como os de Emma e Anna. Certamente não podemos deixar de nos interrogar sobre, ao menos, dois fatores que poderiam esclarecer essa significativa diferença.  Em primeiro lugar, a mudanças de valores morais do século XIX para o século XX. Lembremos que o século XIX foi marcado pela inflexível moral vitoriana que, conforme Freud, produziu uma rígida repressão sexual na sociedade civilizada. Em segundo lugar, arriscamos sugerir a questão de gênero na narrativa ficcional: Emma e Anna foram construídas por mãos masculinas, ...