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Mostrando postagens com o rótulo Ensaio Crítico

Zizek: Charlie Hebdo fora dos clichês

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Žižek: Pensar o atentado ao Charlie Hebdo É agora – quando estamos todos em estado de choque depois da carnificina na sede do  Charlie Hebdo –  o momento certo para encontrar coragem para  pensar . Agora, e não depois, quando as coisas acalmarem, como tentam nos convencer os proponentes da sabedoria barata: o difícil é justamente combinar o calor do momento com o ato de pensar. Pensar quando o rescaldo dos eventos esfriar não gera uma verdade mais balanceada, ela na verdade normaliza a situação de forma a nos permitir evitar as verdades mais afiadas. Pensar significa ir adiante do   pathos  da solidariedade universal que explodiu nos dias que sucederam o evento e culminaram no espetáculo de domingo, 11 de janeiro de 2015, com grandes nomes políticos ao redor do globo de mãos dadas, de Cameron a Lavrov, de Netanyahu a Abbas – talvez a imagem mais bem acabada da falsidade hipócrita. O verdadeiro gesto  Cha...

POR QUE MICHEL ONFRAY NÃO CONSEGUE CRITICAR FREUD ?

Alain Didier-Weill* Tradução: Marco Antonio Coutinho Jorge** A decisão tomada pela France Culture de propor a Michel Onfray uma tribuna cotidiana, durante este verão, para reforçar sua “crítica” de Freud, coloca diferentes questões. A primeira é lembrar que uma crítica pode proceder de uma démarche eminentemente criativa: quem contestaria que as críticas em relação a Freud que puderam ser formuladas, por exemplo, por Sartre, Foucault, Levinas, e até mesmo Lacan, trouxeram uma poderosa emulação junto a todos aqueles, especialistas ou não especialistas, que tinham razões de estar interessados na psicanálise? Por que a crítica produzida por um pensador detém o poder de nos despertar? Porque a maneira pela qual nós a atestamos ou a contestamos faz, em todos os casos, ressoar em cada um de nós a relação conflituosa que ele mantém com a verdade. É nesse ponto, em que devemos nos perguntar se o livro de Michel Onfray tem a dimensão de uma crítica, que respondemos categoricamente:...

Ecos de Freud

Freud realizou uma longa viagem no tempo e no espaço para muito longe de sua amada casa em Viena. Esteve em Paris, na juventude, onde acompanhou o trabalho de Charcot e o espetáculo do hipnotismo: aonde uma Augustine, espécie de celebridade da época, era exibida em palestras públicas e sessões de fotografia como uma perfeita ilustração da histeria. Freud também se tornaria um “ídolo pop”, cujas proporções atingiriam escala mundial, com seu rosto expressivamente reproduzido com e sem seu emblemático charuto, em capas de livros, camisetas, selos, cartazes de cinema, marcas de charuto, canecas, quadros realistas e surrealistas. E suas idéias discutidas numa infinidade de livros, artigos acadêmicos, jornalísticos, romances, contos, poemas, peças de teatro, documentários e novelas de televisão. Até quem nunca leu a obra do mestre já ouviu falar dele tornando-o um símbolo de nossa cultura. Em 1896, Freud, em Viena, deve ter se sentido o homem mais solitário do mundo, apresentando-se à A...