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Mostrando postagens de julho, 2008

objektwahl - escolha objetal:

H á, em alemão, pelo menos duas palavras para dizer “escolha”. A primeira, entscheidung, - herdeira do vocabulário iluminista - diz respeito a uma escolha racional, consciente, deliberada. A raiz sheiden , significa separar, distinguir. Neste caso, escolher deve ser separar, distinguir pela razão, o bem do mal, o certo do errado, o verdadeiro e o falso. Mas foi a segunda palavra, objektwahl , que Freud utilizou para falar de “escolha objetal”: a escolha do objeto sexual. Aqui, wahl não significa uma decisão consciente, mas uma escolha permeada por afetos intensos que não se dão a conhecer pela razão. Assim, segundo Freud, objektwahl é uma escolha no nível do inconsciente. Portanto, subvertendo a teoria kantiana que reúne decisão e liberdade, para a psicanálise escolher não quer dizer decisão; não quer dizer mais liberdade. ####### ############

Rascunho fenomenológico

Marcia Bianchi Resumo : Este artigo propõe a discussão do sujeito lírico no “Poema sujo” de Ferreira Gullar pelo viés da Fenomenologia da Percepção. A percepção merleau-pontyana propõe a noção de sujeito a partir do corpo e da linguagem, nela o sujeito é capturado pela palavra. A visibilidade, a invisibilidade, o ser de indivisão, o corpo fenomenal são alguns pontos pelos quais talvez se possa detalhar o que se passa com o olhar do Outro. Aqui o sujeito é o rebento, carnalidade da própria carne, isso ocorre à medida que ele é atravessado pela linguagem. Na reversibilidade entre o eu e o não-eu, o sujeito, reelabora signos, e, fabrica um universo que reside entre os significantes, visível ou invisível, e transita no corpo, nas cores e nos odores da intersubjetividade. Palavras-chave : Sujeito, Fenomenologia, corpo, ser de indivisão, outro. Introdução “Por um lado te vejo como um seio murcho/ Pelo outro como um ventre cujo umbigo pende ainda o cordão placentário”. O poema “Maçã...

“No nível do inconsciente o sujeito mente."

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Lacan – Seminário - a ética da psicanálise - Livro VII O princípio do prazer , como equilíbrio do nível de excitação presente no aparelho psíquico, fica do lado da homeostase introduzida pela articulação significante. Enquanto do lado da Coisa , do excesso, habita o além do princípio do prazer. Esta oposição entre o princípio do prazer e a Coisa aparecerá duplicada na teoria da libido. Por um lado, haverá uma libido deduzida do princípio do prazer , que é o próprio desejo como efeito da cadeia significante. Por outro lado, haverá a libido como gozo. O inconsciente, uma vez que tem estrutura de linguagem, fará parte do registro simbólico, e se limitará ao princípio do prazer , participando desta forma, da defesa contra o real do gozo. A Coisa não tem lugar na estrutura. É por essa concepção que Lacan não terá dificuldade de dizer que no nível do inconsciente o sujeito mente.

Conversas do Grupo

Marcia Bianchi - que escreve sua tese de doutorado na Literatura - participou e apresentou trabalho no último Congresso da Abralic. De volta a Florianópolis, me mandou um e-mail contando as suas impressões do Congresso. Transcrevo, a seguir, o e-mail da Márcia porque acredito que ele faz parte da narrativa que estamos construindo no grupo. Aproveito, ainda, para convidá-la a publicar o trabalho neste espaço. ############################## Maria, Participar da Abralic foi uma experiência ótima, penso que eu mereci mesmo estar lá. Fazer novos amigos e ouvir tantos discursos filosóficos, passear pela história do sujeito pelo viés das muitas falas. Filósofos e Literatos buscando uma forma amorosa de falar de arte e poesia. Fenomenologia sartreana predominou nas muitas conferências, imbricada no discurso psicanalítico de Lacan. Gostei muito do Congresso, e, São Paulo faz bem aos sentidos. Marcia.

Clínica Lacania

O que faz o psicanalista lacaniano? 1 - não recua diante da desesperança de sujeitos que foram sentenciados pelas contingências (na forma de sentença judicial, diagnóstico médico, encaminhamento de familiares, etc.) ###### 2 - acolhe (sem resignar-se nem compadecer-se) o insuportável de cada um que o procura; ###### 3 - intervém para esvaziar a consistência dos discursos e seus diferentes imperativos; ###### 4 - aposta na vitalidade da psicanálise para interpretar os discursos (familiares, médicos, pedagógicos, jurídicos e etc..) que subjugam um sujeito, inviabilizam sua existência ou fazem dela uma tragédia; ###### 5 - estabelece parcerias com instituições (a universidade, o judiciário, o hospital etc.) que ofereçam condições para potencializar o ato analítico, produzindo um pouco mais de satisfação como efeito; ###### 6 - trabalha de modo a modificar diagnósticos, prognósticos e até a direção do tratamento médico, da orientação pedagógica, da decisão judicial ...

Manoel de Barros

Estado - Nesse longo percurso, ao que parece, quase nada do menino pantaneiro se perdeu. Manoel - Eu não mudei. Até hoje me entendo muito com as crianças. Elas são inteligentes, descobrem coisas que a gente não vê. Têm a sintaxe torta. Eu tenho em mim, sempre, um lado muito grande de brejo, de natureza. Acho que sou extraído das palavras. Os lacanianos adoram quando digo essas coisas. Estado - Você conhece algum? Manoel - Muitos. Eles não me deixam. Eu me correspondo há muito tempo com o M. D. Magno. Em Campo Grande, há um grupo de analistas lacanianas com quem saio uma ou duas noites por semana para tomar umas cervejas. Elas pensam que minha poesia comprova as teorias de Lacan.  Estado - Você concorda com essa tese?  Manoel - Só sei dizer que a palavra é o nascedouro que acaba compondo a gente. O poeta é um ser extraído das palavras. Não é a gente que faz com as palavras, são as palavras que fazem com a gente. O meu texto é isso. Estado - E a natureza onde fica...

A Logosfera

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Tudo aquilo que lemos ou ouvimos cobre-nos como uma camada de forração, cerca-nos e envolve-nos como um meio: é a logos fera. R. Barthes

Felicidade

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"Dizemos para nós mesmos que as pessoas felizes devem estar em alguma parte. Pois bem, se vocês não tiram isso da cabeça é que não compreenderam nada da psicanálise". (Jacques Lacan, Seminário Livro 3 , aula de 11-01-1956).