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Mostrando postagens de abril, 2009

Aula de 14 de abril

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♪♪♪♪♪ Texto para o Cartel de MG ♪♪♪♪♪ Em 1953, na fundação da Sociedade Francesa de Psicanálise, Lacan pronuncia uma conferência que intitula de “O simbólico, o imaginário e o real. A partir daí, a tripartição estrutural real-simbólico-imaginário – RSI – foi objeto de contínua investigação até o último de seu Seminário. Vinte anos depois (1974-75) apresenta o Seminário denominado RSI, reunindo os três registros sob a ótica do nó borromeano. Nesse Seminário, Lacan utiliza a imagem do nó borromeano para representar as relações de dependência recíprocas entre os três registros. Esses três registros são absolutamente indissociáveis. Eles se entrelaçam e, juntos, dão consistência e existência ao psiquismo. Podemos dizer que a noção do nó borromeano em Lacan é análoga a noção de estrutura psíquica em Freud. O Real O campo do Real não é a realidade externa, material ou não, nem muito menos a realidade psíquica de Freud, constituída pela fantasia; o Real é o que subsiste a to...
Textos para o Cartel de MG ### O espelho Esboços de uma nova teoria da alma humana ### Machado de Assis ### Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo. Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinqüenta ano...
A pulsão A pulsão, conforme Freud, não obedece a nenhuma causalidade ou finalidade predeterminadas numa suposta ordem natural. A temporalidade das pulsões é completamente indiferente a toda a noção de encadeamento causal, ou seja, a pulsão não participa de nenhuma sequencia de causalidade. Por não ter nem origem nem meta estritamente definidas, é uma força errante alheia a toda a necessidade biológica ou social. Por ser uma força errante, nem constitui nem submete-se a um esqueleto inteligível do devir. Se a pulsão tem uma dimensão histórica, seu devir é devir de devir. A noção freudiana de pulsão desconstrói toda a idéia que pretenda enxergar a presença de uma razão imanente ao aparelho psíquico, pois sua atuação leva à contradição e a correlações provisórias nas instâncias do aparelho psíquico onde comparece e se motamorfoseia.