quinta-feira, agosto 19, 2010

FREUD - TEXTOS CLÍNICOS

Textos de Freud sobre a teoria psicanalítica


Volume – VII

O Método psicanalítico de Freud. 1904 [1903]

Sobre a psicoterapia. 1905 [1904]

Tratamento psíquico (ou mental). 1905


Volume XI

As perspectivas futuras da terapêutica psicanalítica. 1910

Psicanálise ‘silvestre’. 1910


Volume XII

Sobre o início do tratamento (Novas recomendações sobre a técnica da psicanálise I). 1913

Sobre a psicanálise. 1913 (1911)


Volume XIII
O interesse científico da psicanálise. 1913
Observações e exemplos da prática psicanalítica. 1913
Algumas reflexões sobre a psicologia do escolar. 1914


Volume XIV

A história do movimento psicanalítico. 1914



Volume XV

Conferências Introdutórias sobre Psicanálise. 1916-1917

I. Parapraxias
II Sonhos


Volume XVI
Conferências Introdutórias sobre Psicanálise (continuação)

Parte III - Teoria Geral das neuroses. 1917


Volume XVII

Uma dificuldade no caminho da psicanálise. 1917

Linhas de progresso na terapia psicanalítica. 1919 [1918]

Sobre o ensino da psicanálise nas universidades. 1919 [1918]


Volume XVIII

Uma nota sobre a pré-história da técnica de análise. 1920


Volume XIX

Uma breve descrição da psicanálise. 1924 [1923]

As resistências à psicanálise. 1925 [1924]


Volume XX

Um estudo autobiográfico. 1925 [1927]

Psicanálise. 1926 [1925]


Volume XXII

Novas conferências introdutórias sobre psicanálise. 1933 [1932]


Volume XXIII

Análise terminável e interminável. 1937

Esboço de psicanálise. 1940 [1938]

Algumas lições elementares de psicanálise. 1940 [1938]

Freud – casos clínicos

Volume II

Casos clínicos

1. Fraulein Anna O. (Breuer)

2. Frau Emmy Von N.

3. Miss Lucy R.

4. Katharina
5. Fraulein Elisabeth Von R.


Volume VII
Fragmento da análise de um caso de histeria 1905 (1901)
(O caso Dora)


Volume X

Análise de uma fobia em um menino de cinco anos. 1909

Notas sobre um caso de neurose obsessiva. 1909

(O Pequeno Hans e o Homem dos Ratos)


Volume XII
Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranóia. (Caso Schreber) 1911


Volume XVII

História de uma neurose infantil. 1918 [1914]
(O Homem dos Lobos)


quarta-feira, agosto 11, 2010

CONVITE



Caros amigos,

Quero convidá-los para o concerto que acontecerá nesta sexta-feira - dia 13 - às 21:00h no Teatro Pedro Ivo Campos. No programa, o concerto Tríplice de Beethoven (assim chamado por ter três solistas junto à orquestra - no caso: piano, violino e violoncelo) e minha mais nova composição: um concerto para piano, violino, viola e orquestra sinfônica. O título dessa obra é Aurora consurgens, alusão a um antigo tratado alquímico (cada um dos quatro movimentos representa uma das fases da alquimia: Nigredo, Albedo, Citrinitas e Rubedo). O violinista, o violista e o violoncelista vieram da Itália especialmente para participar desse evento, são excelentes musicistas (tocam na Sinfônica de Roma).
Nas duas obras farei a parte do piano, e a regência será do maestro Jeferson Della Rocca.

Espero que possam vir.

Alberto Heller

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Aurora Consurgens


Concerto para piano, violino, viola e orquestra


Alberto Andrés Heller


O título ‘Aurora Consurgens’ (que pode ser traduzido por aurora nascente, ou aurora surgente) faz referência a um antigo tratado alquímico (por muito tempo atribuído a Tomás de Aquino) cujo manuscrito original remonta ao século XV. Em linguagem hermética, o texto (constituído em grande parte por passagens bíblicas) revela uma profunda mística espiritual, característica da maioria dos escritos alquímicos.

A antiga alquimia caracteriza-se por uma combinação entre ciência e religiosidade ou, mais especificamente, entre química, física, medicina, astrologia, filosofia, arte e religião. Entre seus objetivos principais destacavam-se a transmutação dos metais inferiores ao ouro (a busca pela pedra filosofal), a obtenção de um remédio que curasse todas as enfermidades e garantisse a vida eterna (o elixir da longa vida) e a criação de vida humana em laboratório (os “homunculus”). Hoje se sabe que essas expressões devem ser compreendidos metafórica e simbolicamente, e que esse tipo de linguagem foi utilizada principalmente por medidas de segurança (em vários momentos da história os alquimista foram perseguidos, por exemplo pela Igreja Católica) e para confundir os leitores “indignos” e leigos ou não iniciados, já que nem todos estariam aptos ou preparados para determinados tipos de informação. Por detrás de experimentos aparentemente bizarros ocultava-se, portanto, a busca pelo desenvolvimento humano e pela transformação do espírito: por meio das operações alquímicas – que visavam a ‘grande obra’ (o “opus alchemicum”) – o alquimista não purificava o metal, mas a si mesmo.

Apesar de haverem obviamente discordâncias e divergências, a maioria dos tratados alquímicos previa para a transformação do metal inferior (geralmente chumbo) em ouro quatro operações, denominadas respectivamente Nigredo, Albedo, Citrinitas e Rubedo. Baseei os quatro movimentos deste concerto nessas operações, razão pela qual falarei um pouco sobre cada uma delas.

1. Nigredo

Toda transformação se inicia (simbolicamente) com a morte ou deterioração daquilo que se tornou antigo e ultrapassado, que não mais nos serve e que nos impede de mudar e crescer, e que precisa portanto “morrer” para dar lugar ao novo (pense-se na aparente morte da lagarta antes de sua transformação em borboleta). Os alquimistas falam aqui em dissolução da matéria ou em putrefação, razão da associação com a cor negra – daí o nome nigredo e da operação ser também conhecida por “operação negra” (ou melanosis). A associação com o chumbo é porque esse seria um metal “inferior” ou “adormecido” – e que precisa ser “despertado”. O estágio inicial é, assim, de crise; e sair dessa crise significa entrar em contato direto com elementos tais como angústia, medo, raiva e desilusão.

2. Albedo

A substância precisa agora ser “purificada”, de onde vem a associação com a cor branca – albedo ou “operação branca” (ou leukosis), representando o poder iluminador da luz sobre a prima matéria. Fala-se muito neste estágio na “lavagem” da substância, onde surgem com freqüência a água, o banho, a imersão e outras figuras análogas (e também a prata e o prateado, bem como a luz lunar). Assim como o cirurgião precisa higienizar suas mãos antes de uma operação, assim também deve proceder a pessoa que deseja entrar em contato com o sagrado.
Não se trata, porém, de um banho “relaxante”, mas de uma experiência intensa e difícil, quase como numa espécie de exorcismo (e me vêm agora à mente as figuras de monstros e demônios presentes à entrada de algumas catedrais européias).
Em relação ao albedo, uma associação que me veio de imediato foi um ritual de purificação comum em muitas tribos indígenas, no qual a pessoa fica por muitas horas (às vezes dias) dentro de uma pequena tenda sob alta temperatura e vapor (quase uma espécie de sauna); submetido assim à elevada pressão e temperatura, o corpo sua, e nesse suor se eliminariam toxinas e outras substâncias, purificando a carne e o espírito. No México esse ritual é conhecido como ‘Temazcal’ – e pensei o segundo movimento do concerto como uma espécie de Temazcal, onde tento, através da música, provocar a taquicardia e a sudorese (especialmente através do uso forte e ininterrupto da percussão - dois atabaques e tímpanos).

3. Citrinitas
Uma vez “putrificada” e depois “lavada”, finalmente a substância está apta a ascender a um grau mais elevado de energia, chegando às vibrações mais sutis – o ouro. O metal foi transmutado do chumbo à prata, e agora da prata ao ouro (da luz da lua à luz solar), o grande despertar. Encontramos aqui todo tipo de associação à luz solar e ao dourado, daí o nome citrinitas – ou “operação amarela” (ou xanthosis).
Elevar uma freqüência exige, porém, intensidade e esforço; a intensidade das operações anteriores ainda se faz sentir aqui.

4. Rubedo
Aparentemente, uma vez alcançado o ouro, não mais se faria necessária outra operação. Mas se faz, sim, pois o ouro, apesar de nobre, é frio. E esse frio precisa ser aquecido, precisa de calor, precisa do vermelho – de onde passamos ao rubedo ou “operação vermelha” (ou iosis).
Penso aqui especialmente na história de Buddha, que após uma semana de meditação sob a árvore Boddhi alcançou finalmente a iluminação; mas ele não permaneceu no Nirvana: após a experiência da beatitude, ele retorna ao mundo dos homens, ao calor humano. É desse calor que trata o rubedo: do calor do coração, do amor (cristão), da graça, da vida.
O quarto movimento representa esse amor.

O título ‘Aurora Consurgens’ aponta, em última instância, para um desejo de renovação. Às vésperas de 2012, quando se comenta de um possível fim dos tempos, presenciamos em nível mundial um período de grandes crises (humanas, naturais e outras); que seja apenas um período de “nigredo”, e que a humanidade possa sair purificada e renovada desse processo, iniciando então uma era mais dourada e calorosa.





quinta-feira, agosto 05, 2010








Princesa Marie

Sobrinha-neta de Napoleão, Marie Bonaparte à beira da depressão e acreditando-se frígida, procura Freud. Durante o processo de análise com o psicanalista nasce entre eles uma grande amizade, até ela se tornar também uma psicanalista renomada e divulgadora das teorias de Freud. Ele a salvou de suas neuroses e Marie o salvou dos nazistas.


segunda-feira, agosto 02, 2010

O obsessivo e seu desejo, segundo o Seminário V de Lacan.


A Dialética da Demanda e do Desejo....


O desejo para o obsessivo se apresenta de forma evanescente, diz Lacan no Seminário V. Essa evanescência do desejo é efeito da dificuldade, do sujeito obsessivo, na relação com o Outro; na medida em que o campo do Outro é o lugar onde se ordena o desejo.
Se, conforme Lacan, o desejo se ordena pelo significante. É no interior do campo Simbólico que o sujeito é obrigado a se exprimir e produzir um efeito de significante, isto é, um significado. Esse é o pacto da constituição do sujeito da linguagem, fora de qualquer imanência. É no interior da experiência que o sujeito tem com a linguagem que vem se formular sua relação com o desejo.

A relação do sujeito com o Outro, e com a vida, é simbolizada por um engodo, uma isca, cujo ponto de referência é o significante do falo. O falo como simbólico tem por tarefa orientar o ser humano com relação a um significado, assim sendo orienta o desejo, e por esta razão se encontra numa posição privilegiada.

Para a teoria lacaniana, a inserção do sujeito no desejo é sempre problemática, pois o desejo se insere através da dialética da demanda, e a demanda sempre pede algo a mais que a satisfação a que ela apela. “Daí o caráter problemático e ambíguo do lugar onde se situa o desejo.” Esse lugar está para além da demanda, na medida em que esta visa à satisfação: o desejo busca algo a mais, algo para além. Mas, por outro lado, o desejo está aquém da demanda considerando que ela, por ser articulada em significantes “vai além de todas as satisfações para as quais apela, é demanda de amor que visa ao ser do Outro, que almeja obter do Outro uma presentificação essencial – que o Outro dê o que está além de qualquer satisfação possível, seu próprio ser, que é justamente o que é visado no amor”. Assim, o desejo visa este aquém da presentificação do significante, aquém da presentificação do ser.

Ou seja, enquanto a demanda de amor visa o ser o desejo visa à falta a ser, isto que estaria aquém da presentificação do significante, aquém da presentificação do ser. “É no espaço virtual entre o apelo da satisfação e a demanda de amor que o desejo ocupa seu lugar e se organiza”.

Desse modo, só podemos situar o desejo a partir de sua dupla relação à demanda. Aquém ou além, dependendo do aspecto que considerarmos a demanda. Além da demanda em relação a uma necessidade, ou aquém da demanda estruturada em termos significantes. Ou seja: além da necessidade, aquém das palavras.

Como tal, o desejo não se reduz a satisfação da demanda e ao mesmo tempo necessita da articulação desta. “O outro como lugar da fala, como aquele a quem se dirige a demanda, passa a ser também o lugar onde deve ser descoberto o desejo, onde deve ser descoberta sua formulação possível. É aí que se exerce a todo instante a contradição, porque esse Outro é possuído por um desejo – um desejo que, inaugural e fundamentalmente, é estranho ao sujeito.”

Daí a dificuldade da formulação do desejo nas estruturas neuróticas. O sujeito histérico fica preso no desejo enquanto insatisfação da demanda. Não é isto o que deseja, o que deseja é sempre outra coisa. Este algo a mais, que está para além de toda satisfação da demanda, caracteriza seu desejo como desejo de insatisfação. O sujeito histérico se identifica com o outro insatisfeito, e a identificação histérica aponta para o além da demanda.

Por sua vez, o sujeito obsessivo fica na dependência do Outro para obter acesso ao seu desejo, precisa que o Outro diga o que ele quer para que ele possa ser. Lembramos que esse aquém do desejo aponta para a falta a ser: o desejo do Outro aponta para esta falta que ele não consegue interpretar.

Assim, se por um lado, o sujeito obsessivo fica preso na demanda do Outro, tentando ser o que ele demanda; por outro, busca com afinco desvencilhar-se dessa identificação dada pelo Outro para poder desejar. “Poderíamos dizer que o obsessivo está sempre pedindo alguma permissão. ... Pedir permissão é, justamente, ter como sujeito uma certa relação com a própria demanda. Pedir permissão, na medida mesma em que a dialética com o Outro – o Outro falante – é posta em causa, posta em questão, ou até posta em perigo, é dedicar-se, afinal de contas, a restaurar esse Outro, é colocar-se na mais extrema dependência dele. Isso já nos indica a que ponto esse lugar é de manutenção essencial para o obsessivo. É exatamente aí que vemos a pertinência do que Freud sempre chama de Versagung, a recusa. Recusa e permissão implicam uma na outra. O pacto é recusado sobre o fundo da promessa, o que é melhor do que falar em frustração”.

O impasse do desejo no sujeito obsessivo se demonstra com o fato que para ele desejar, isto é, ter acesso a falta a ser que o desejo exige, é necessário se desvencilhar do ser do Outro do significante que é lhe imposto com a demanda. Para isso, procura destruir o Outro: o desejo do obsessivo implica na destruição do Outro. Quando ele detém o objeto do seu desejo nada mais existe, e na destruição do Outro, quando ocorre, o próprio desejo vem a desaparecer. No entanto, se essa destruição não ocorre torna-se servo da demanda. Preso na demanda de amor tenta ser para o Outro, e, simultaneamente, preserva o Outro na sua toda potência.

Numa análise, o analista deve sustentar esse impasse entre a falta e a potência do Outro, abstendo-se do furor terapêutico. Único modo de construir um espaço onde o sujeito obsessivo poderá colocar em questão, por um lado, suas identificações, o seu ser, para deixar aparecer o sujeito dividido; e, por outro lado, reencontrar-se na ex-sistência, na sua falta a ser, lá onde é apesar de não ser. O que provoca uma nova inserção do sujeito no mundo com o trabalho que nunca acaba e com respeito ao amor, não mais visto como uma solução, uma possibilidade de se livrar da falta, mas como resultado da impossibilidade da queda do Outro.


• LACAN, Jacques, O Seminário – livro 5 – as formações do inconsciente.
(Parte 4 – A Dialética do desejo e da demanda
 na clínica e no tratamento das neuroses.)






Alenka Zupančič: sobre o mal

Sobre o mal:  uma entrevista com Alenka Zupan Č i Č “Aqui, novamente, o termo “mal radical” não se refere a algum conteúdo ...