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Mostrando postagens de abril, 2011
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Caros amigos, Nesta sexta-feira (15 de abril) tocarei no Teatro Pedro Ivo em Florianópolis às 21h. Será a abertura da temporada 2011 da Pró-Música, com um programa dedicado ao Romantismo (200 anos de Chopin, Schumann e Liszt). De Chopin, a Balada nº1 e o Scherzo nº3; de Schumann, Intermezzo (do Carnaval de Viena), Aufschwung (de Fantasiestücke) e Arabesque; de Liszt, Benediction de Dieu dans la Solitude e Valsa Mefisto. Um abraço, Alberto

A culpa do sobrevivente

Mais de sessenta anos se passaram depois do Holocausto e até hoje o sombrio acontecimento provoca polêmicas e discussões. Não estamos falando apenas nos chamados “revisionistas”, aqueles que, sob o pretexto do rigor histórico, na verdade dão vazão a seu anti-semitismo. Ao discutir se o número verdadeiro de vítimas foi seis milhões, ou cinco milhões ou quatro milhões (um processo de regatear que, no passado era atribuído a comerciantes judeus) na verdade essas pessoas formulam um raciocícinio que pode ser assim resumido: o número de vítimas dos campos de concentração foi ampliado. Por quem? Pelos judeus. Por que? Porque eles são pérfidos mentirosos. Logo, mereciam o Holocausto. Que pode não ter existido, segundo o argumento, mas que deveria existir. Mas existem outras questões, menos cínicas e mais perturbadoras. Uma pergunta que muitas vezes é feita (e Hannah Arendt provocou muita indignação ao fazê-la) é: por que os judeus se submeteram passivamente ao Holocausto? Por que se dei...

Machado de Assis entre crimes e loucuras

Divido com vocês um bom ensaio de Daniel Piza , sobre crimes, pecados e outras monstruosidades, nos rastros da literatura de Machado de Assis. Histórias de crime não são comuns em Machado de Assis (1839-1908), tanto que nenhum de seus três romances mais conhecidos – Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro – gira em torno de assassinato, roubo ou alguma contravenção tão crua. Mas sua literatura é tão rica de observações sobre os impulsos ingovernáveis de cada indivíduo em face das circunstâncias, como aqueles herdeiros escravocratas com seus delírios de grandeza (ou em alguns contos como A Cartomante, que termina com um homicídio), que os estudiosos seguem encontrando nela uma fonte sem fim – como agora o poeta Marco Lucchesi e o psiquiatra Daniel Martins de Barros. O livro de Lucchesi, O Dom do Crime, é um breve romance, espécie de “divertissement” erudito. Ele não incorreu na vulgaridade de romancear a vida de Machado e misturá-la com algum crime de época...