quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Texto da Primeira Aula


Medicina – Psiquiatria – Psicologia

Este texto se propõe a demarcar, em rápidas pinceladas, as diferenças e aproximações entre os discursos da Medicina, Psiquiatria e Psicologia. Não nos propomos fazer um estudo aprofundado da história e desenvolvimento desses saberes, mas, apenas, mostrar através dos marcos iniciais as particularidades dos campos constituídos.

A Medicina


Presume-se que desde que o homem existe, existem técnicas de combate à doença. Nos grupos sociais mais primitivos, o adoecer era considerado uma manifestação de forças sobrenaturais, e a cura buscada em rituais religiosos. Contra as doenças, frutos das forças do mal, lutavam os curandeiros, conhecedores dos rituais e das ervas medicinais. Intermediários entre os homens e as entidades superiores, os curandeiros tentavam neutralizar as forças malignas por meio da magia e de sua capacidade de evocar poderes divinos.


Paralelamente e essa perspectiva, foram surgindo, em diferentes culturas, concepções e procedimentos que buscavam uma sistematização para os eventos que estariam implicados no adoecer. A mudança progressiva da consciência do lugar ocupado pelo Homem na Natureza, simultaneamente à complexificação das organizações sociais, propiciou o surgimento da medicina enquanto prática autônoma, mesmo que ainda fortemente marcada por superstições e traços religiosos.

Na Grécia Antiga, mais do que em qualquer outra cultura que a precedeu, o indivíduo passou a ser reconhecido e valorizado em sua especificidade. Desenvolveu-se a sistematização e a reprodução do saber em espaços específicos: escolas políticas, filosóficas, científicas e mesmo religiosas. Essas tendências prepararam o caminho para a desvinculação da doença do pensamento religioso.

Nesse contexto aparece à figura de Hipócrates, responsável pelas profundas transformações introduzidas na compreensão da doença e seu tratamento. Nascido na ilha de Cos, por volta de 460 a.C., Hipócrates fundou um verdadeiro corpo de conhecimentos, inaugurando uma medicina naturalista, baseada em uma doutrina, metodologia e deontologia específica. 


Com o declínio de Atenas, no século III a.C., observou-se, também, o eclipse da medicina hipocrática, que só foi resgatada cinco séculos mais tarde por Galeno (131 – 201 d.C.), que traduziu para o latim a obra de Hipócrates.

Galeno nasceu em Pérgamo (na atual Turquia), quando esta era colônia romana e aí estudou Medicina e Filosofia. Foi médico de gladiadores em Roma, por volta de 161, onde atingiu uma posição conceituada, vindo a ser nomeado médico do filho do imperador Marco Aurélio.

Escreveu bastante sobre farmácia e medicamentos, ampliou, a partir da experimentação, os conhecimentos em anatomia e fisiologia. Seus relatos de anatomia eram baseados em macacos, visto que a dissecação humana não era permitida pela igreja. Ao mesmo tempo desenvolveu, tendo como base a teoria dos humores de Hipócrates, uma tipologia psicológica, que estaria relacionada com diferentes manifestações patológicas. Foi na forma do galenismo que a Medicina greco-romana passou para o Ocidente cristão, dominando a Medicina e a Farmácia até ao Século XVII e mantendo ainda uma grande influência mesmo no século XVIII.




A aplicação dos medicamentos na terapêutica galénica dependia de vários fatores, como a personalidade do doente, a sua idade, a raça e o clima, que afetavam a própria natureza da mistura dos humores no corpo humano. O temperamento das crianças seria mais sanguíneo e o dos idosos mais fleumático, pelo que os primeiros necessitariam de um medicamento frio em maior grau que os últimos para o tratamento de uma febre. Esta preocupação tinha principalmente a ver com o tipo de medicamento ministrado, com as suas propriedades (qualidades) e respectiva intensidade, na medida em que a dose não seria tão importante, dado que a propriedade do medicamento era um atributo essencialmente qualitativo e não quantitativo.




Com a captura de Roma pelos Visigodos em 410, a história da medicina bifurca-se, seguindo os destinos da divisão do Império Romano. Em Bizâncio – Império Romano do Oriente - os conhecimentos clássicos, inclusive da medicina, foram muito bem preservados, o que, séculos mais tarde, propiciou seu desenvolvimento e sua difusão por meio dos mouros.


Já na parte Ocidental do antigo Império, o conhecimento sistematizado, iniciado pelos gregos, ficou sujeito ao enclausuramento da igreja católica romana, que marcou o sistema feudal, ficando sua transmissão restrita aos copistas nos Monastérios. Com a expansão do catolicismo, na Europa Ocidental, o pensamento religioso passou a dominar as cenas social, filosófica e científica. A crença na imortalidade da alma e o desprezo pelo corpo levaram ao desaparecimento do exame clínico e de praticamente todos os conhecimentos médicos da Antiguidade.


Os séculos XV e XVI foram marcados pela abertura de novas rotas de comércio e pela intensificação do tráfego de indivíduos entre diferentes regiões, dentro da Europa e fora dela. Como consequência, desenvolveu-se uma nova concepção de Homem e novos ideais que promoveram a liberdade de pensamento, o espírito de investigação e o direito à crítica dos clássicos. Surge uma nova visão das letras, artes e ciências, que marcou também os rumos da medicina.


Nesse período, Paracelso (1493-1541) foi um representante exemplar das novas ideias que implodiam antigos mitos. Nascido na Suíça, educado na cultura clássica da Universidade, aperfeiçoou seus estudos de medicina em inúmeras viagens. Embora não tenha realizado nenhuma grande descoberta, seus trabalhos demarcam um novo tempo para a medicina Ocidental. Seu grande mérito foi ter defendido a importância da crítica dos conhecimentos estabelecidos e da valorização da própria experiência para que novos caminhos se abrissem para o desenvolvimento da medicina.

A Ciência




O século XVII foi o celeiro de uma evolução profunda, abrangente e diversificada na ciência. Até então, era nos pensadores do passado que se procuravam as respostas para os enigmas do vivido. As forças que regiam a investigação consistiam no dogma (na doutrina imposta pela Igreja), e na autoridade dos pensamentos constituídos. Neste novo século, outras forças ganham importância. O conhecimento extraído do passado tornara-se suspeito, dando lugar as descobertas e percepções que refletiam a mudança na natureza da investigação científica.


Neste cenário, duas figuras ganham destaque no campo da filosofia do conhecimento: O matemático francês René Descartes (1596-1650), e o filósofo inglês John Locke (1632-1704). Mas, assim como na filosofia clássica Aristóteles diferia de Platão, na filosofia moderna, Locke vai diferir de Descartes.


Descartes, no mesmo viés do platonismo, afasta a experiência sensível ou o conhecimento sensível do conhecimento verdadeiro, que é puramente intelectual. Enquanto Locke, assim como Aristóteles, considera que o conhecimento se realiza por graus contínuos, partindo da sensação até chegar às ideias.


Essas diferentes perspectivas estabelecem as duas grandes orientações da teoria do conhecimento, segundo Marilena Chaui: o racionalismo e o empirismo.

Para o racionalismo, a fonte do conhecimento verdadeiro é a razão operando por si mesma, sem o auxílio da experiência sensível e controlando a própria experiência sensível. Para o empirismo, a fonte de todo e qualquer conhecimento é a experiência sensível, responsável pelas ideias da razão e controlando o trabalho da própria razão. (Chaui, 2002)


No âmbito da medicina, a visão racionalista que propunha o fundamento racional de toda ciência, fundou a lógica científica: que podemos resumir como a tendência a priorizar a clareza e a distinção do corpo e de suas funções, valorizando seu substrato material em detrimento da experiência subjetiva.

No campo da psicologia, uma das mais importantes contribuições de Descartes foi a resignificação da teoria dualista. Desde a Grécia Clássica, a Filosofia sustentou que a mente e o corpo eram de natureza distintas. No entanto, a influência de uma sobre a outra era unilateral. A mente podia exercer um enorme efeito sobre o corpo, mas esse tinha escasso efeito sobre a mente. Descartes aceitou a posição dualista: mente e corpo eram diferentes. Entretanto, argumentava ele, o corpo pode exercer uma influência muito maior sobre a mente do que se supunha até então.




Assim, Descartes foi o primeiro a oferecer uma abordagem do problema mente-corpo que focalizou a atenção num dualismo físico-psicológico. Ao fazê-lo, desviou a atenção dos estudos da alma, em seu sentido abstrato, para o estudo da mente e das operações mentais que ela executa. Por consequência, os métodos de investigação mudaram da análise e dedução metafísica subjetiva para a observação e a experimentação objetiva.


Para Descartes, mente e corpo são duas substâncias distintas. Não existe semelhança qualitativa entre o corpo e a mente. A matéria e o corpo são res extensas - substâncias extensas – que operam segundo princípios mecânicos e podem ser explicadas em função desses princípios. A alma ou a mente são res cogitans - substâncias pensantes. Somos, portanto uma substância pensante (res cogito) e também uma substância que possui corpo, matéria (res extensa). Mas a mente e o corpo, embora totalmente separados e distintos, são capazes de interação. A mente pode influenciar o corpo e o corpo pode influenciar a mente; é a chamada teoria de interacionismo mente-corpo.


A mente imaterial, segundo Descartes, possui as capacidades de pensamento e de consciência; portanto, fornece-nos o conhecimento do mundo externo. Mas não possui qualquer das propriedades da matéria. A característica mais importante da mente é a sua capacidade para pensar; isto a separa do mundo físico da matéria.


Uma vez que a mente percebe e quer, ela deve de algum modo influenciar e ser influenciada pelo corpo. Descartes reconheceu que, quando a mente “decide” um movimento de um ponto para outro, por exemplo, essa decisão é executada pelos nervos e músculos do corpo. Do mesmo modo, quando o   corpo é estimulado de alguma forma, como pela luz ou o calor, a mente reconhece e interpreta esses dados sensoriais e toma uma decisão quanto à resposta mais apropriada.




A independência entre alma e corpo conduzirá a uma nova separação: sujeito e objeto. Com essa linha de raciocínio, Descartes desenvolveu a sua “física da fisiologia”. E a partir desse pré-suposto teórico a fisiologia passa a ter um amplo espaço no desenvolvimento das teorias psicológicas.


Psiquiatria


A psiquiatria moderna tem início com a revolução francesa, no século XVIII. Até esse século, a loucura passou por diferentes interpretações. Em alguns momentos foi interpretada como uma benção dos deuses, os loucos eram respeitados como verdadeiros sábios. Em outros momentos, na idade média por exemplo, a loucura foi considerada um castigo divino ou uma possessão maligna. Os loucos eram excluídos do convívio social ou queimados nas fogueiras, pela santa Inquisição.




Nos séculos XVI e XVII, sobre a influência do movimento Humanista, o tema da loucura é captado pela literatura em obras como o Elogio da Loucura, de Erasmo de Rotterdam; Hamlet e Rei Lear, de William Shakespeare, e Don Quixote, de Cervantes.

Mas o primeiro grande passo para o progresso científico da psiquiatria ocorreu no final do século seguinte, com os estudos do médico francês Philippe Pinel, que instituiu reformas humanitárias para o cuidado com os doentes mentais.

 A revolução de Pinel consistiu em ver o louco não mais como um insensato, cuja linguagem seria desprovida de sentido, mas como um alienado, um estranho a si mesmo. Não um animal enjaulado e despojado de sua humanidade, porque estivesse privado de qualquer razão, mas um ser humano reconhecido como tal. Derivado do alienismo, o modelo nosográfico, estabelecido por Pinel, organiza o psiquismo humano a partir de grandes estruturas significativas (psicose, neuroses, perversões, fobia, histeria...) que definem o princípio de uma norma e de uma patologia e delimitam as fronteiras entre a razão e a desrazão.




As vésperas da Revolução Francesa, Pinel reformou a clínica, mostrando que sempre subsiste no alienado um resto de razão que permite a relação terapêutica. Separada das outras formas de desrazão (vadiagem, mendicância, desvio), a loucura tornou-se uma doença. A partir daí, o louco pôde ser tratado com a ajuda de uma nosografia adequada e um tratamento apropriado. Criou-se para esses doentes o Manicômio – mais tarde o Hospital Psiquiátrico – a fim de afastá-los do Hospital Geral.


A primeira psiquiatria dinâmica associava um modelo nosográfico (psiquiatria) a um modelo psicoterápico (sugestão), que separava a loucura asilar (doenças da alma, psicose) da loucura comum (doença dos nervos, nevroses). Alguns anos depois, Jean Martin Charcot anexou a neurose (essa semi-loucura) ao modelo nosográfico, fazendo dela uma doença funcional.


Na primeira metade do século XX, diante do impulso da psicofarmacologia, a psiquiatria abandonou o modelo nosográfico em prol de uma classificação dos comportamentos. Em conseqüência disso, reduziu a psicoterapia a uma técnica de supressão dos sintomas.

Psicologia




Não vamos nos estender pela história da psicologia, já que ela é tema de uma disciplina específica dentro do currículo do curso. Nosso objetivo é trilhar um caminho que nos leve a compreender os marcos teóricos da psicologia e da psicanálise.


Na segunda metade do século XIX, dois professores, em duas diferentes faculdades da Alemanha, marcaram com seus discursos e seus experimentos o início da Psicologia: Wilhelm Wundt (1832-1920) e Franz Brentano (1838-1917).

Em seu livro, História da Psicologia Moderna, Duane e Sydney Schultz, dão a Wundt o lugar de fundador da psicologia como disciplina acadêmica formal. Para esses estudiosos, Wundt ganha uma dimensão muito mais abrangente do que a de Brentano na história da psicologia moderna. Não discordamos totalmente da pressuposição desses autores, mas como temos a psicanálise como objetivo dessa disciplina, nosso interesse pelo trabalho de Brentano ganha uma dimensão maior do que a sugerida por esses autores.




Conforme Schultz, Wundt instalou em Leipzing, por volta de 1881, o primeiro laboratório de psicologia experimental, lançou a primeira revista especializada e deu início à psicologia experimental como ciência. Tendo como objetos de suas pesquisas temas como sensação, percepção, atenção, sentimento, reação e associação.

Acreditava que as funções mentais mais simples, como a sensação e a percepção, deviam ser estudados por meio de métodos de laboratório. Mas, os processos mentais superiores, como a aprendizagem e a memória, não podiam ser investigados pela experimentação científica por serem condicionados pela língua e por outros aspectos culturais.




Em seus trabalhos de pesquisa, utilizava os métodos experimentais das ciências naturais, principalmente as técnicas empregadas pelos fisiologistas. Adaptou esses métodos científicos de investigação para a psicologia e prosseguiu na sua pesquisa do mesmo modo como os cientistas físicos se dedicavam ao objeto de estudo de sua própria área.


O grande objeto de pesquisa de Wundt foi a consciência. Descrevia a sua psicologia como a ciência da experiência consciente. E seu sistema de pesquisa estava, basicamente, circunscrito as ideias do empirismo e do associacionismo.


Por isso mesmo, para Wundt, as experiências básicas humanas, como a percepção da cor vermelha ou a sensação de desconforto provocada pela dor, formam os estados da consciência (os elementos mentais) organizados de forma ativa pela mente. Sua proposta consistia em analisar a mente com base nos seus elementos, nas partes componentes, exatamente do mesmo modo que os cientistas naturalistas trabalhavam para dividir o seu objeto de estudo.


Wundt praticamente não aceitava o tipo de introspecção qualitativa, em que as pessoas simplesmente descreviam suas experiências íntimas. A descrição introspectiva, que buscava, estava relacionada principalmente aos julgamentos conscientes sobre o tamanho, a intensidade, a duração de vários estímulos físicos, ou seja, o tipo de análise quantitativa da pesquisa psicofísica. Poucos estudos de seus laboratórios usaram relatos de natureza subjetiva ou qualitativa, como a percepção de prazer provocada por um estímulo, a intensidade de uma imagem ou a qualidade de uma sensação. A maioria das pesquisas consistia em mediações objetivas proporcionadas por equipamentos sofisticados de laboratório, muitas delas referentes a tempos de reação registrados quantitativamente.


Mais ou menos no mesmo período, Franz Brentano era indicado para ser professor de filosofia da Universidade de Viena. Precursor intelectual das escolas da psicologia da Gestalt e da psicologia humanista, Brentano foi descrito por seus alunos como um professor muito carismático. Ao longo de sua vida, influenciou um grande número de estudantes, muitos dos quais se tornaram importantes filósofos e psicólogos, como Edmund Husserl e Sigmund Freud.


Apesar de suas abordagens profundamente diversas, Brentano compartilhava com Wundt da meta de fazer da Psicologia uma ciência. Contudo, ao passo que a psicologia de Wundt era francamente experimental, a de Brentano era empírica. O método da Psicologia de Brentano era a observação, não a experimentação, embora não rejeitasse a utilidade do método experimental. A chamada Psicologia do Ato, proposta por Brentano, contrariava o ponto de vista wundtiano de que os processos psíquicos são conteúdos.

Brentano põe sob suspeita a tese empirista por reconhecer na autonomia das faculdades pré-mentais ou inferiores (como a sensibilidade), uma espécie de inteligibilidade própria capaz de determinar o curso dos juízos de vontade. (Muller-Granzotto, 2007)




Para ele, tal faculdade, além de autônoma, seria capaz de determinar o curso de nossas faculdades mentais superiores, inclusive a vontade. Contrapondo-se a ideia de que uma vontade orientada por fenômenos pré-mentais não revelaria mais que uma configuração patológica do psiquismo: uma deficiência de julgar, uma falta de juízo ou, simplesmente, de uma loucura. Brentano vai na contramão dessa tradição ao afirmar que as representações objetivas, produzidas por nossos juízos, estariam antecipadas por representantes que se constituiriam em um domínio pré-mental, como aquele que caracteriza nossa sensibilidade e nossa motricidade. Brentano chama tais representantes de fenômenos psíquicos, entendendo por isso totalidades de sentido pré-mental investidas da capacidade de antever, de maneira indeterminada, o objeto a ser representado por nossos juízos (produzidos por nossos atos mentais). Para ilustrar essa concepção com um exemplo, podemos dizer que: somos capazes de pressentir um perigo que nos ronda, ao transitarmos por uma rua qualquer, muito antes de nos apercebermos conscientemente de que a rua é sinistra ou de que há alguém nos perseguindo. Tal pressentimento é um fenômeno psíquico. A origem dos fenômenos psíquicos tem relação com a maneira como nossas vivências no tempo retornam na atualidade como indícios de um futuro possível, sem que um ato intelectual as tenha de reunir. Brentano denominou de intencionalidade essa capacidade de antevisão: intencionalidade essa que não tem relação com o uso comum que fazemos da palavra intenção.


A noção cotidiana de intencionalidade sempre implica a visão de um objeto já determinado nos termos de um juízo (portanto, de um objeto de conhecimento), que nós queremos alcançar ou realizar. Ao passo que a noção brentaniana de intencionalidade não implica a prévia concepção de algum objeto, apenas a antevisão de um objeto possível (que no caso do exemplo acima, se manifestou como um pressentimento do perigo e antes que esse pressentimento tivesse sido identificado ou representado nos termos de um juízo sobre o sentimento de medo).


Especulando sobre a origem dessas intenções, nos diz que os fenômenos psíquicos têm relação com o retorno, na atualidade da consciência psíquica, de espectros das experiências passadas que operam como indícios (representantes) de possíveis novos objetos da experiência, sem que estes tenham de ser postulados por um juízo. Freud denominou de pulsão o retorno dos representantes de uma experiência passada; e o efeito de antecipação que tal retorno gera na atualidade das vivências psíquicas. De onde inferiu a tese de que todo o funcionamento psíquico está fundado numa pulsão ou, em um representante de um objeto primordial, ao qual o psiquismo irá substituir fazendo um sintoma, ou irá alucinar na forma de gozo. (Muller-Granzotto,2007)

Maria Holthausen




Referências Bibliográficas


CHAUI, Marilena, Convite a Filosofia, São Paulo: Editora Ática, 2002.


MÜLLER-GRANZOTTO, Marcos José e Rosane, Fenomelogia e Gestalt-Terapia, São Paulo: Summus Editora, 2007.


ROUDINESCO, Elisabeth, Por que a psicanálise?, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000.


SCHULTZ, Duane P. e SHULTZ, Sydney Ellen, História da Psicologia Moderna, São Paulo: Cengage Learning, 2011.


VOLICH, Rubens Marcelo, Psicossomática – Clínica Psicanalítica, São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

LIVROS SOBRE A PRÁTICA CLÍNICA



Algumas leituras que ajudam a pensar a prática clínica.

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  • Cartas a um jovem terapeuta
Reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos.

Contardo Calligaris

Editora Campus

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  • Como trabalha um Psicanalista
J. D. Nasio

Jorge Zahar Editor

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  • As 4 + 1 Condições de Análise
Antônio Quinet

Jorge Zahar Editor

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  • A Sessão Analítica
Dos riscos éticos da clínica
Textos reunidos pela Fundação do Campo Freudiano

Jorge Zahar Editor

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Alenka Zupančič: sobre o mal

Sobre o mal:  uma entrevista com Alenka Zupan Č i Č “Aqui, novamente, o termo “mal radical” não se refere a algum conteúdo ...