quinta-feira, novembro 17, 2011

CONVITES

Os pesquisadores do LABFLOR e a pós-graduação em Literatura
 da UFSC convidam para a palestra:



Ètica e justiça:

a partir de Luhmann e de Habermas,


com o Prof. Dr. Wilson Madeira Filho, (Titular de Direito da UFF),

debatedor: Profa. Dra Tereza Virginia (Literatura UFSC)
dia 06/12,
às 9:20,
sala 243, prédio A, CCE.

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CINEMA NA TRAVESSA


Estão abertas até 11 de novembro as inscrições para o Cinema na Travessa. A iniciativa, em sua primeira edição, pretende criar uma janela de exibição permanente dos curtas produzidos no Estado. O projeto fará exibições gratuitas de curtas catarinenses, que ficarão em cartaz de segunda a sexta-feira, na sede da Cinemateca, localizada na Travessa Ratclif, 56 – Centro, sempre na hora do almoço. Serão selecionados 10 curtas de até 20 minutos de duração, incluindo diversos formatos e gêneros. Os realizadores dos curtas selecionados receberão pagamento de direito autoral. As exibições ocorrerão entre 21 de novembro e 23 de dezembro de 2011.

O Cinema na Travessa é uma realização da Cinemateca Catarinense com apoio do Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis - Funcine. Para mais informações sobre como participar, acesse o site da Cinemateca Catarinense: www.cinematecacatarinense.org e confira o regulamento e ficha de inscrição.

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MOSTRA DE CINEMA ARGENTINO

A Mostra de Cinema Argentino acontecerá na UFSC entre os dias 21 e 25 de novembro como parte da programação da 4 Semana de Arte Ousada.

A abertura da mostra será no dia 21 às 17:30 no auditório da reitoria com Ezequiel Juarez, diretor do Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais argentino (INCAA).

A programação completa pode ser acessado no site:



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CÍRCULO DE LEITURA

Prezados colegas e amigos do Círculo de Leitura


No próximo dia 24, quinta-feira, o Círculo de Leitura de Florianópolis
volta a se reunir. Será o último encontro do ano
e dedicado a ele, Cruz e Sousa, o Cisne do Desterro,

o emparedado, o assinalado. Principalmente, o assinalado.


Nesse dia, 24 de novembro, ele faria 150 anos.

A Biblioteca Universitária da UFSC, juntamente com nosso

Círculo, fará homenagem com duas exposições: "Loucura da

imortal loucura", com poemas sobre Cruz e Sousa, e "Memória

de Cruz e Sousa", com documentos do acervo. A sessão

inicia um pouco mais cedo, às 17h, com coquetel de celebração

e olhar às exposições. Às 18h, começa o encontro do Círlculo

de Leitura, tendo como convidados especiais a Inês Mafra e

o vereador Márcio de Souza, que puxarão a conversa sobre

o negro poeta aqui nascido. Não deixe de aparecer com a sua

voz e a sua força. Por favor, ajude também a divulgar.


O encontro, prevendo-se uma participação maior, será no

auditório Elke Hering Bell, ao lado da Sala Harry Laus onde

habitualmente nos reunimos.


Abraços a todos!


Alcides Buss


Coordenador do Círculo de Leitura de Florianópolis

sábado, novembro 05, 2011

POR QUE MICHEL ONFRAY NÃO CONSEGUE CRITICAR FREUD ?


Alain Didier-Weill*

Tradução: Marco Antonio Coutinho Jorge**

A decisão tomada pela France Culture de propor a Michel Onfray uma tribuna cotidiana, durante este verão, para reforçar sua “crítica” de Freud, coloca diferentes questões. A primeira é lembrar que uma crítica pode proceder de uma démarche eminentemente criativa: quem contestaria que as críticas em relação a Freud que puderam ser formuladas, por exemplo, por Sartre, Foucault, Levinas, e até mesmo Lacan, trouxeram uma poderosa emulação junto a todos aqueles, especialistas ou não especialistas, que tinham razões de estar interessados na psicanálise?

Por que a crítica produzida por um pensador detém o poder de nos despertar? Porque a maneira pela qual nós a atestamos ou a contestamos faz, em todos os casos, ressoar em cada um de nós a relação conflituosa que ele mantém com a verdade.

É nesse ponto, em que devemos nos perguntar se o livro de Michel Onfray tem a dimensão de uma crítica, que respondemos categoricamente: não.

Esse livro não é, de fato, concebido para colocar a questão epistemológica da veracidade da invenção freudiana, mas sim para dizer que Freud seria um pecador com uma moral duvidosa: que busca ele nos dizer senão que Freud não cessou de frequentar o mal, pois teria dormido com mulheres de sua família, extorquido indevidamente quantias colossais de seus pacientes e pactuado com o diabo (o nazismo)?

Através dessa busca da denúncia de um pecador – e não da questão colocada pela enunciação de um pesquisador – temos a impressão de que Michel Onfray, que dispende tanta energia para denunciar a Igreja, se conduz como um padre dos tempos antigos: tão fascinado pelo pecado que é levado, sem temer o ridículo, a inventar fábulas tão loucas quanto aquelas que eram inventadas pelos inquisidores para autentificar sua condenação das bruxas.

Do mesmo modo que elas eram cúmplices do diabo, Freud, segundo o inquisidor moderno que é Michel Onfray, era cúmplice desse mal diabólico encarnado em sua época pelo nazismo. É nessa perspectiva que podemos dizer que o discurso de Michel Onfray, tal como o do inquisidor, não critica: ele nega.

O que o inquisidor nega ao dizer que a bruxa pactua com o diabo será muito diferente do que Onfray nega ao dizer que Freud pactua com o demônio sexual ou o demônio nazista? A esse respeito, eu diria que o ponto comum entre eles é a obediência a esse Mestre que é o supereu que, incapaz de pensar de outro modo senão através da perseguição, torna possível tais contra-verdades aberrantes, por exemplo, situar Freud como simpatizante do nazismo.

Em relação a essa acusação precisa, é necessário agradecer a France Culture por ter de alguma forma respondido a Onfray ao transmitir, em 10 de julho passado, o texto “Freud e Einstein – Por que a Guerra?”, interpretado por Michel Bouquet e Pierre Forest. Lembremos, com efeito, que a correspondência entre esses dois homens – a partir da qual escrevi o diálogo que foi transmitido pelo rádio – lhes foi encomendada em 1933 pela Sociedade das Nações, que, conhecendo perfeitamente sua posição radical em relação a Hitler, lhes solicitou intervir sobre a questão do perigo nazista.

Voltemos à diferença entre a crítica e a negação: quando Sartre critica o inconsciente freudiano, pois este lhe parece introduzir um limite infranqueável à liberdade, ele coloca os psicanalistas na posição de responder o que é, segundo eles, a liberdade. Quando Levinas critica o inconsciente freudiano, que lhe parece barrar o horizonte da transcendência, ele demanda do mesmo modo uma resposta à sua questão. Quando Lacan critica o Édipo de Freud, ele propõe ir mais além daquilo que Freud concebeu, pelo fato de sua própria história, de sua própria neurose.

A negação não tem nada a ver com a crítica, pois ela não é efeito da razão, mas do supereu: ela é o meio pelo qual o fato de acusar uma pessoa exonera de ter que acusar recebimento da mensagem que esta pessoa porta. Da mesma maneira que o inquisidor nega o que a feiticeira dá a entender do desejo humano, Michel Onfray, acusando Freud, é exonerado de acusar recepção do dizer de Freud sobre o inconsciente.

Nessa perspectiva, eu não diria, como alguns colegas, que se trata aí de um ódio em relação a Freud, mas sim de um ódio estrutural, que, apesar da aparência, visa um real que ultrapassa muitíssimo a pessoa de Freud. Esse ódio estrutural é aquele que anima o Mestre tal como Lacan propôs defini-lo: ele é aquele que, sustentando um discurso que é “o avesso da psicanálise”, está fadado, por isso mesmo, a consagrar sua vida e sua energia a foracluir, a negar, a odiar, a própria existência do inconsciente.

Devido à existência de tal ódio estrutural, não devemos nos surpreender ao tomar conhecimento de que, lendo o livro de Michel Onfray, as pessoas que têm uma experiência de análise, são levadas imediatamente a reconhecer – sem ter que conhecer profissionalmente a teoria ou a história da psicanálise – que este livro não fala nunca do que é a psicanálise em ato.

A abertura para a ética própria ao reconhecimento do inconsciente é necessária e suficiente para reconhecer um discurso negador.

 * Psicanalista francês, fundou a revista Insistance www.insistance.org ) e é autor de livros como Quartier Lacan (Cia. de Freud, 2007) e Os três tempos da lei (Jorge Zahar Ed., 1997).
** Psicanalista, psiquiatra diretor do Corpo Freudiano do Rio de Janeiro, professor-adjunto do Instituto de Psicologia da Uerj, membro correspondente do Mouvement du Coût Freudien (Paris), membro correspondente da Association Insistance (Paris/Bruxelles), autor de Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan (Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2000). Sítio pessoal: www.macjorge.pro.br.

IN: Psicanálise & Barroco em revista v.8, n.2: 175-178, dez.2010 177

HILFLÖSIGKEIT - DESAMPARO

ENTRE ANGÚSTIA E DESAMPARO Jacques André* À guisa de introdu ç ão, eu desejaria evocar um artigo de Winnicott publicado em 197...