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Mostrando postagens de abril, 2013

Questões sobre a Identidade

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Identidade? Nacionalidade? Língua Pátria, Língua Materna? Hoje, mais e mais pessoas, assim como o escritor Alberto Manguel, constroem suas vidas indo além dessas fronteiras.  Na biblioteca de Manguel Em entrevista exclusiva à CULT, o escritor Alberto Manguel fala sobre suas origens e o futuro do intelectual. O básico sobre Alberto Adrian Manguel quase todo leitor sabe: nascido em Buenos Aires em 1948, com menos de um ano se trasladou com a família para Israel, para onde seu pai, Pablo Manguel, fora designado para instalar a Embaixada da Argentina, da qual foi o primeiro titular. Seguindo a vida do pai diplomata, viveu em diversos países. Foi alfabetizado em alemão e inglês. Em algum de seus livros conta o problema que viveu ao fazer o secundário no Colegio Nacional de Buenos Aires, pelo pouco domínio do castelhano – foi nessa época que descobriu as aventuras da Emília, do Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato. Confessa que sentiu empatia pela bon...

Não existe relação sexual

Já está nas livrarias   Elogio ao Amor , Alain Badiou e Nicolas Truong, na tradução de Dorothée de Bruchard, (editora Martins Fontes). É um desses livros que você começa a ler e não consegue parar. Mesmo sabendo que uma releitura, mais demorada e com lápis e papel para anotações, se fará necessária. A seguir, um pequeno fragmento do livro. Nele Badiou faz uma analise da teoria do amor de Jacques Lacan:   - Também dialogando com Platão, o psicanalista Jacques Lacan, que é, segundo o senhor, um dos maiores teóricos do amor, sustentou que “não existe relação sexual”. O que ele queria dizer com isso? - Essa é uma tese interessantíssima, que deriva da concepção cética e moralista, mas que leva ao resultado oposto. Jacques Lacan nos lembra que na sexualidade cada um está, na verdade, preocupado com sua própria história, digamos assim. Há, é claro, a mediação do corpo do outro, mas, no fim das contas, o gozo será sempre o nosso próprio gozo. O sexual não une, separa. U...

O Conceito de Angústia em Lacan

As formulações apresentadas por Lacan no seminário de 1962-63 (Seminário X) a propósito da concepção de angústia apresentam algumas diferenças em relação à teoria freudiana da angústia. Não são apenas retomadas das teses freudianas, mas formulações novas que, de qualquer modo, têm as elaborações freudianas como referência. Ainda que Lacan afirme que em "Inibição, Sintoma e Angústia"(Freud,1926) fala-se de tudo, exceto da angústia, é às questões levantadas por Freud neste texto que ele se refere privilegiadamente na sua discussão, questionando algumas formulações e procurando apresentar caminhos para a resolução de determinados impasses. Em primeiro lugar, para Lacan a angústia é um afeto. Esta afirmação é importante no contexto de uma crítica ao ensino lacaniano por apresentar um excesso de intelectualismo, crítica feita por aqueles que consideravam que a psicanálise deveria tratar do afetivo, a partir de uma distinção psicológica entre o pensar, o sentir e o querer. ...

Sobre a Angústia

A Angústia . Em princípio, gostaria de dizer que vou falar sobre a angústia. Peço licença de fazer essa modificação da palavra ansiedade, título neste Simpósio, pela palavra angústia, devido a uma discussão ocasionada pela tradução da palavra que Freud utilizou: angst traduzida para o português na coleção de suas obras completas como ansiedade. Não quero cansá-los com essa problemática, só quero precisar que prefiro utilizar o termo ‘angústia’ uma vez que minha abordagem tem a ver com a psicanálise e foi esse o termo referido por Lacan, autor junto com Freud, que me baseio no desenvolvimento do que aqui trago. 1. Angústia é um Sentimento Diria simplesmente, retomando uma expressão de Freud: “Angústia é algo que se sente”. Embora essa expressão possa parecer absolutamente óbvia para os que consideram que a psicanálise lida com os sentimentos, gostaria de privilegiar um fato: não há muitos sentimentos com os quais a psicanálise lida. Diria mesmo que existe um sentimento: a...