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Mostrando postagens de janeiro, 2014

Psicanálise, Feminino e Arte

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A Suplicante - Camille Clodel O peso da feminilidade    Maria Rita Khel O que têm em comum a arte, a psicanálise e a feminilidade? Que as três andem às voltas com a falta – até aí, nada de novo. Mais vale dizer que a partir da falta, ou do vazio, ou de como quer que se nomeie isto que não há, tanto a psicanálise quanto a arte são expressões do inacabado – o que faz com que só existam em estado de constante mutação. A feminilidade, não como aquilo que é próprio das mulheres mas como aquilo que sabe gozar um pouco além do falo, nem sempre se põe mutante - mas tem certamente este potencial. Uma vez que não gira (apenas) em torno do falo, pode arriscar movimentos centrífugos em direção a não sei onde. Uma vez que não se constitui a partir de uma obsessão em evitar a castração, a feminilidade é um modo de gozar que pode arriscar um pouco mais na direção de uma desmesura, ou seja, que aceita correr o risco de esbarrar na angústia, ou mesmos de ir um pouco além. Da...

Corpo e produção de subjetividade

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Encarnação da subjetividade/  Subjetivação da carne:  notas sobre a alteridade e o corpo Luciana Motta I ; Tania Rivera II Universidade de Brasília. A psicanálise nasce com a clínica da histeria, que deixa seus vestígios sobre a metapsicologia constituída posteriormente por Freud e seus sucessores. Um dos legados que essa clínica oferece à psicanálise diz respeito à presença marcante e irredutível do corpo – corpo que ganha, com o pensamento freudiano, um novo estatuto . Freud não elabora deliberadamente uma teoria sobre o corpo, mas este se mostra como ponto de nó entre os conceitos, o que lhe confere um caráter de articulação que acaba por relativizar sua substancialidade, referindo-se a uma carne que transborda de sentido . Entre corpo e psiquismo, entre corpo e processos de subjetivação, há uma estreita articulação, como a clínica da histeria veio ensinar . Institui-se assim uma via de mão dupla entre corpo e subjetividade, ...

Sobre a Loucura

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Trecho do livro: O que é loucura? – Delírio e Sanidade na vida cotidiana de Darian Learde. Zahar Editora ... Quando o jovem estudante de medicina Jacques Lacan iniciou sua formação psiquiátrica, na Paris da década de 1920, foi essa a cultura em que suas ideias começaram a crescer. Hoje, o trabalho clínico lacaniano com a psicose é feito no mundo inteiro, especialmente na França, na Bélgica, na Espanha, na Itália e nos países latino-americanos, bem como, cada vez mais, no Reino Unido. Há uma cultura florescente de periódicos, livros, boletins, conferências, cursos e palestras, todos dedicados à exploração de diferentes aspectos da loucura. Até o presente, milhares de relatos de casos de trabalho com sujeitos psicóticos foram publicados por clínicos lacanianos. Lamentavelmente, porém, fora do campo em si a maioria dos psiquiatras, psicólogos e profissionais de saúde mental nunca se deparou com nenhuma dessas investigações. Há muitas razões para isso. É comum presum...

Judith Butler

A filósofa que rejeita classificações Desde que foi lançado, em 1993, nos Estados Unidos, o livro   Problemas de gênero –   feminismo e subversão da identidade , da filósofa   Judith Butler , foi editado em 23 países, entre os quais o Brasil. Desde então, suas proposições sobre gênero como  performance , suas críticas ao ideal identitário e sua abordagem sobre a normatividade de gênero se disseminaram em diferentes campos de estudo: filosofia, antropologia, teoria feminista e teoria  queer , da qual, particularmente, se tornou símbolo. Embora não seja seu primeiro livro, foi em  Problemas de gênero  que muitas das  ideias da filósofa ganharam projeção, inaugurando um debate rico para o campo dos estudos de gênero. Ao deslocar o problema de gênero do campo das diferenças sexuais para o da heterossexualidade normativa, Butler renova a pauta feminista por questioná-la sem, no entanto, abandoná-la. Professora na Universidade da Cali...