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A DANÇA MACABRA DO CORPO: ANGÚSTIA E VUNERABILIDADE NA CLÍNICA PSICANALÍTICA

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  Na contemporaneidade o corpo é tratado como um objeto a ser moldado. Academias, spas, cirurgias estéticas… tudo parece girar em torno da ideia de que podemos controlar nossa existência através do corpo. Mas será que isso realmente nos dá segurança? Em seu texto, Lucia Maria de Freitas Perez nos lembra que Freud já dizia: o ego é, desde o início, um ego corporal. Ou seja, nossa identidade está profundamente ligada ao corpo, mas também à sua vulnerabilidade. E é justamente essa fragilidade que nos angustia. Aqui vem um ponto crucial: o corpo não é só um lugar de prazer, mas também de sofrimento. Em muitos casos, o sujeito não consegue elaborar sua angústia e acaba descarregando tudo no corpo: que pode aparecer como compulsões, sintomas psicossomáticos ou até cirurgias repetitivas. Perez traz o caso de Lia, uma paciente que passou por inúmeras cirurgias, não para buscar um corpo perfeito, mas para tentar eliminar a dor. Mas será que cortar o corpo realmente corta o sofrimento? Ou s...

PSICANÁLISE E ARTE NA ÉPOCA DO FIM DO BELO

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Você já se perguntou o que define a arte contemporânea? Durante séculos, a arte esteve ligada ao conceito de Belo: aquela ideia de harmonia, perfeição e idealização. Mas, segundo Marie-Hélène Brousse, vivemos em uma época em que o “Belo perdeu sua centralidade”, e isso mudou radicalmente o papel da arte.  Brousse nos provoca com uma ideia instigante: a arte contemporânea não está mais preocupada em agradar ou idealizar. Em vez disso, ela se aproxima do que Lacan chamou de objeto a - um objeto que causa desejo, mas que também escapa à lógica tradicional de representação. Pense em obras que nos inquietam, que nos fazem questionar, em vez de simplesmente admirar. Por exemplo, você já viu aquelas instalações que parecem "bagunçadas" ou até "feias"? Elas não estão ali para serem bonitas, mas para nos confrontar com algo mais profundo, algo que toca o Real, aquele núcleo de experiência que não conseguimos simbolizar completamente. Se por muito tempo, a arte funcionou como...

UM DESEJO QUE NÃO OUSA DIZER SEU NOME

Fetichismo: Falo materno e Gozo diante do inanimado     Norton Cezar Dal Follo da Rosa Jr,  Maria Cristina Poli       Introdução Neste artigo, propomos interrogar a constituição do objeto fetiche e sua lógica de fixação, considerando as correlações entre o horror da cena, a posição do sujeito e a cristalização do objeto. Inicialmente, faremos uma breve passagem por alguns textos freudianos que versam sobre o tema. Depois, a partir de um detalhe clínico, à luz das contribuições de Jacques Lacan, presentes no Seminário  A relação de objeto , problematizaremos a tese freudiana de que a escolha do fetiche decorre da fixação da memória do sujeito nos últimos objetos que antecedem a percepção da cena traumática: "a falta de pênis na mulher".   Entendemos que a releitura de Lacan destaca a constituição do objeto fetiche do campo eminentemente escópico, elemento já presente na crítica freudiana ao uso do termo "escotomização". Para Lacan, trata-se de apro...