sexta-feira, julho 31, 2009

Convite


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As Sonatas para piano de
Wolgang Amadeus Mozart

Com o pianista e compositor
Alberto Adré Heller
Dia 06 de Agosto - Quinta Feira
19H00
Teatro Alvaro de Carvalho - TAC
  • Sonata nr.6 em ré maior (“Dürnitz”), KV 284 (München, 1775)
    Allegro / Rondeau en Polonaise: Andante / Andante (tema com 12 variações)
    Sonata nr.7 em dó maior, KV 309 (Mannheim, 1777)
    Allegro con spirito / Andante un poco adagio / Rondeau: Allegretto grazioso
    Sonata nr.8 em ré maior, KV 311 (Mannheim, 1777)
    Allegro con spirito / Andante con espressione / Rondeau: Allegro
    Sonata nr.9 em lá menor, KV 310 (Paris, 1778)
    Allegro maestoso / Andante cantabile con espressione / Presto

sábado, julho 18, 2009

Lições de Stonewall a São Paulo



1969, Stonewall, Nova York. 2009, atentado com bomba na Parada Gay em São Paulo. Após sucessivas batidas policiais com humilhação e prisão no Bar Stonewall, reduto gay do Greenwich Village em NY, os homossexuais reagiram e se rebelaram contra a polícia; a rebelião ganhou o apoio dos passantes e os policiais recuaram.

É o marco histórico do início do movimento de emancipação e liberação dos homossexuais e do combate à homofobia. No ano seguinte, deu-se a primeira Parada Gay. Em São Paulo, além da bomba atirada numa sacola do alto de um prédio, outras agressões deixaram rapazes feridos. Um deles morreu.
Aos 40 anos de Stonewall, ataques como o de São Paulo estão além da homofobia. São atos de homoterrorismo. Apesar das transformações nos costumes e leis e da maior liberdade de expressão da opção sexual, prevalece, mundo afora, a repressão através de atos de guerra. No Brasil, o número de assassinatos de homossexuais aumentou 55% em 2008 em relação ao ano anterior, revela a pesquisa
anual sobre crimes com motivação homofóbica, do Grupo Gay da Bahia (GGB).

Como se explica o homoterrorismo? Como a homofobia, termo que designa medo, se transforma em ódio? Por um lado, podemos pensar a partir da lógica da exclusão do diferente e situar o homossexual ao lado do negro e do judeu, vítimas de discriminação e intolerância (o triângulo gay era cor-de-rosa nos campos de concentração) e também, como se tem visto, aqueles que frequentam religiões “fora da norma”, como a Umbanda, alvos de agressões em seus templos. As mulheres, acrescente-se, continuam a ser discriminadas. Essa norma mítica, que se confunde com o “normal”, é a do “branco, masculino, jovem, heterossexual, cristão, financeiramente seguro e magro” (cf. Dollimore). O homossexual provoca o imaginário de um gozo outro, tão diferente, e ao mesmo tempo tão semelhante. Para a consciência da norma, é melhor qualificá-lo de pervertido, não-confiável, pois um gozo periférico, daí ser perigoso. Como disse Arnaldo Jabor, os gays “ (…) sempre foram uma fonte de angústia, pois atrapalham nosso sossego, nossa identidade ‘clara’. O gay é duplo, é dois, o viado tem algo de centauro, de ameaçador para a unicidade do desejo… o gay sério inquieta… o gay de terno, o gay forte, o gay caubói são muito próximos de nós (…).”

Ao responder a uma mãe extremamente preocupada com a homossexualidade de seu filho, Sigmund Freud (que assinara uma petição pela descriminalização da homossexualidade) aponta, em 1935, que não é nenhuma desvantagem, nem vantagem, “não é motivo de vergonha, não é uma degradação, não é um vício e não pode ser considerada uma doença”. Apesar disso, só em 1973 a American Psychiatric Association (APA) deixou de classificar a homossexualidade como doença. E depois que ativistas gays, por duas vezes (1970 e 1971), invadiram seu encontro anual.

A psicanálise, na mesma direção, se opõe à pedagogia do desejo, pois esta é uma falácia. Não se pode educar a pulsão sexual, desviá-la para acomodá-la aos ideais da sociedade. A pulsão segue os caminhos traçados pelo inconsciente, individual e singular. A pulsão não é louca: obedece à lógica de uma lei simbólica a que todos estamos submetidos.

Para a psicanálise, o interesse exclusivo de um homem por uma mulher também merece esclarecimento. A investigação psicanalítica, diz Freud em seu texto premiado sobre Leonardo da Vinci, opõe-se à tentativa de separar os homossexuais dos outros seres como um “grupo de índole singular”, pois “todos os seres humanos são capazes de fazer uma escolha de objeto homossexual e que de fato a consumaram no inconsciente”. Ou seja, a bissexualidade é constitutiva de todos, seja a escolha homossexual praticada ou não.

O complexo de Édipo, que cai no esquecimento, comporta também a ligação libidinal do filho para com o pai e da menina para com a mãe, além das ligações do filho com a mãe e da filha com o pai. Assim, o número de homossexuais que se proclamam como tais, diz Freud, “não é nada em comparação com os homossexuais latentes”.

Há uma diversidade enorme na homossexualidade tanto na praticada quanto na latente e sublimada. Devemos falar, portanto, de homossexualidades”. As sexualidades são tantas quanto existem os sujeitos, determinadas pelas fantasias de cada um. A questão que se coloca nesse episódio de terror é como cada um lida com sua homossexualidade (patente ou latente) que se materializa nas amizades, nas relações entre parentes do mesmo sexo e em todo ajuntamento social.

Segundo Freud, a libido homossexual é o cimento dos grupos e da massa, assim como a raiz dos ideais subjetivos de cada um se encontra em seu narcisismo (do amor por si mesmo e até a auto-estima). O “amar aos outros como a si mesmo” tem claramente fundamento homo (igual) erótico. A aceitação da homossexualidade do outro se encontra na dependência de como o sujeito lida com a sua própria. Quanto mais ele a rejeita em si mesmo, menos saberá lidar com ela, podendo fazer desse outro um objeto de ódio, de agressão e até de assassinato.

Dentro de uma cultura machista e falocêntrica (existe no ocidente alguma que não o seja?) parece mais fácil para a mulher lidar com sua homossexualidade do que o homem. Não é à toa que o lipstick lesbian virou moda entre as meninas. O que está longe de ser o caso para os meninos que cedo, muitas vezes na escola, aprendem a prática do homoterrorismo. A aceitação do outro como sexuado, diferente e independente, podendo fazer suas próprias escolhas de gozo sem ter que se desculpar, é um índice de civilização. O contrário é a barbárie.


Antonio Quinet, psicanalista e doutor em filosofia.

quinta-feira, julho 16, 2009

Semínário XVIII


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Acaba de chegar às livrarias o
Seminário XVIII de Lacan:
de um discurso que não fosse semblante .


Sobre este Seminário, anuncia Jacques-Alain Miller: “Título enigmático, à primeira vista. Forneçamos a chave: trata-se do homem e da mulher – de suas relações mais concretas, amorosas e sexuais, na vida do dia a dia, sim, bem como em seus sonhos e fantasias. Isso nada tem a ver, é claro, com o que a biologia estuda sob o nome de sexualidade. Mas será preciso, por isso, deixar esse campo entregue à poesia, ao romance, às ideologias? Tenta-se aqui fornecer dele uma lógica. É ardiloso.”
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segunda-feira, julho 13, 2009

O Discurso, O Desejo



Em uma sociedade como a nossa, conhecemos, é certo, procedimentos de exclusão. O mais evidente, o mais familiar também, é a interdição. Sabe-se bem que não se tem o direito de dizer tudo, que não se pode falar de tudo em qualquer circunstância, que qualquer um, enfim, não pode falar de qualquer coisa. Tabu do objeto, ritual da circunstância, direito privilegiado ou exclusivo do sujeito que fala: temos aí o jogo de três tipos de interdição que se cruzam, se reforçam ou se compensam, formando uma grade complexa que não cessa de se modificar. Notaria apenas que, em nossos dias, as regiões onde a grade é mais cerrada, onde os buracos negros se multiplicam, são as regiões da sexualidade e as da política: como se o discurso, longe de ser esse elemento transparente ou neutro no qual a sexualidade se desarma e a política se pacifica, fosse um dos lugares onde elas exerçam, de modo privilegiado, alguns de seus mais temíveis poderes. Por mais que o discurso seja aparentemente bem pouca coisa, as interdições que o atingem revelam logo, rapidamente, sua ligação com o desejo e com o poder. Nisto não há nada de espantoso, visto que o discurso – como a psicanálise nos mostrou – não é simplesmente aquilo que manifesta (ou oculta) o desejo; é, também, aquilo que é objeto do desejo; e visto que – isto a história não cessa de nos ensinar – o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo por que, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar.


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Michel Foucault
in: A Ordem do Discurso - Aula Inaugural no Collège de France,

pronunciada em 2 de Dezembro de 1970.

sexta-feira, julho 10, 2009

Inconsciente



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Algumas associações sobre o inconsciente, a partir das questões levantadas por Nasio.

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  • “o sonho é a epifania do outro”. Maria [23/06/09]

  • O sonho é a epifania do outro... 09 de julho e já não me lembro mais em que contexto foi me dado a frase. Leio-a aqui, como coisa do dia, e flutuam os vocábulos, cada um grávido de si, o sonho, a epifania, o outro.

  • O inconsciente, pois, redunda operativo, no tropeço, no impossível do inconsciente do outro. O que existe então é um inconsciente posto às claras no encontro. Onde a conversa, não é propriamente conversa, é uma fala que se dá às avessas.



  • Há tempos de uma captura colossal. Segundos, às vezes, e basta um segundo.
    Neste tempo não há cronologia, o deus se isenta, extinto da lógica, do logos numérico, retórico, discursivo.

  • Um entre-reinos, interregno, uma fenda, um furo, uma passagem, entre caos e cosmos.
    Caosmose, fala Guattari. Numa língua dura e deslizante.

  • O insconsciente feito usina, máquina desejante. O eu e outro no acaso do encontro. Posso acreditar que estamos todos, quem saberá?, falando do mesmo caos dos acontecimentos humanos? Pondo fim às histórias, posto que se ousa, enfim, contar a fundo ficções.

Clarissa

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Li, gostei e achei muito instigante a pergunta final do texto Inconsciente. Ele não existe fora da Psicanálise, por Lacan. Ele está falando da sessão no divã, exatamente? Porque em tantos momentos a Psicanálise, ou inúmeros, se aproxima se imbrica com o quadro, o poema. Faz lembrar que no Seminário XI, no capítulo o que é um quadro, Lacan parece deixar mais claro o que é o objeto a, a esquize do olhar. Não seria uma maneira de construção do Inconsciente esse olhar, do outro lado do divã? Fique mesmo pensando sobre isso, partilho com você para esclarecer minha dúvida lacaniana..

Marcia

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  • Inconscientes:
Clarissa:
Um entre-reinos, interregno, uma fenda, um furo, uma passagem,
entre caos e cosmos.
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Marcia:
Esse olhar do outro lado do divã.
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Maria:
Um gaio saber alicerçado no des-ser (o chiste, o esquecimento, o tropeço, o sonho, o ato falho).
Quando a normatividade do fantasma e a ditadura dos ideais param de sustentar a ilusão de consistência do ser, o gaio saber advém como virtude.
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quarta-feira, julho 08, 2009

Inconsciente:

Para começar, o inconsciente revela-se num ato que surpreende e ultrapassa a intenção do analisando que fala. O sujeito diz mais do que pretende e, ao dizer, revela sua vontade.


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Esse ato, mais do que revelar um inconsciente oculto e já presente, produz o inconsciente e faz com que ele exista.

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Ora, para que esse ato efetivamente dê existência ao inconsciente, é indispensável que um outro sujeito escute e reconheça a importância do inconsciente, sendo esse sujeito o psicanalista: “... o inconsciente implica que ele seja escutado? Em minha opinião, sim”, respondeu Lacan. (Televisão) De fato, para que o inconsciente exista, é ainda necessário que ele seja reconhecido.

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Mas esse reconhecimento não é um reconhecimento do pensar, é um reconhecimento do ser, ou seja, o psicanalista reconhece como ato, a partir de seu ser e de seu próprio inconsciente, o inconsciente do outro. Para reconhecer que o ato do analisando é um colocar em prática o inconsciente, é preciso, pois, um outro ato, o do analista. É claro que numerosas diferenças distinguem o ato do analisando do ato do analista, que um lapso do analisando é diferente da interpretação do psicanalista, mas, do ponto de vista em que nos situamos, ou seja, do ponto de vista que considera o inconsciente como uma estrutura, esses dois atos são formalmente idênticos, ou, se preferimos, significantes.

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Se o psicanalista está em condição de sancionar como ato a existência do inconsciente de seu analisando, é porque ele mesmo já percorreu, na condição de paciente, o caminho de uma análise.

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Essa conjunção de dois atos que, no campo da análise, põe em prática o inconsciente, permite-nos formular três hipóteses, que submeto a vocês:
. O inconsciente não é uma instância oculta, já presente, à espera de uma interpretação que venha revelá-lo, mas uma instância produzida quando a interpretação do analista, considerada como um ato de seu inconsciente, reconhece o ato do inconsciente do analisando.
· Assim produzido, o inconsciente é uma estrutura única, comum a ambos os parceiros analíticos. Por conseguinte, devemos corrigir a hipótese anterior e concluir que não existe um inconsciente pertencente ao analisando e, depois, um outro inconsciente pertencente ao psicanalista, mas há apenas um único inconsciente, o que é produzido e é singular no seio da transferência.
· Por fim, a terceira hipótese é a reafirmação de minha proposta inicial de pensar a existência do inconsciente exclusivamente dentro da análise, lembrando que o próprio Lacan também se deteve sobre esse mesmo problema, sem resolvê-lo. Em resposta à observação de um interlocutor que afirmou: “Eu disse que a psicanálise só pode ser válida dentro do campo de suas observações, que é a situação analítica”, Lacan replicou: “É exatamente isso o que digo. Não temos meios de saber se o inconsciente existe fora da psicanálise.”(Scilicet)
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Cinco Lições sobre a Teoria de Jacques Lacan
Juan-David Nasio




O inconsciente e o Tempo em Psicanálise

                                              O sujeito, o inconsciente e o tempo. Entrevista com COLETTE SOLER ,  realizada por...