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Mostrando postagens de junho, 2012

O Brasil debate mal

O Brasil é ruim de debate. Vemos isso na Política, na Filosofia e na universidade em geral. Por muito tempo, vi um hábito nada elogiável - falar bem pela frente, mal pelas costas. Isso está diminuindo. Mas não porque tenhamos aprendido a discutir, frente a frente, ideias. Continuamos com sérias dificuldades nesse tocante. Basta ver que, de vez em quando, alguém lamenta a falta que fariam célebres polemistas. Não faz muito tempo, o educadíssimo Fernando Henrique Cardoso lastimou a falta de Carlos Lacerda. Mas, se foi o tribuno da antiga UDN um dos maiores defensores do fim do regime democrático, da sua substituição por um regime militar? Lacerda passou 15 anos clamando pelo golpe de Estado e apenas se voltou contra a ditadura quando esta, em vez de levá-lo à presidência, reservou-a aos próprios generais. Outra falta que ora e vez vejo lamentarem é a do polemista Paulo Francis. Mas, um como político e outro como jornalista, ambos se especializaram em ofender seus adversários...

Sobre o discurso biográfico

Um amigo poeta costuma dizer que as únicas grandes biografias que ele conhece são as de Ulisses por Homero, de Sócrates por Platão, de Dom Quixote por Cervantes, de Ahab por Melville, e assim por diante. Os verdadeiros biógrafos são os escritores. Grifo a palavra porque ela está empregada em sentido rigoroso: afinal, o que significa escrever a vida? Blanchot argumenta que Kafka sentiu pela primeira vez “a fecundidade da literatura (…) desde o dia em que soube que a literatura era esta passagem do Ich ao Er , do Eu ao Ele ”. “Não basta escrever: Eu sou infeliz”, prossegue. “Enquanto não escrever nada além disso, estou perto demais de mim, perto demais de minha infelicidade para que esta infelicidade se torne realmente a minha no modo da linguagem: ainda não estou realmente infeliz. Somente a partir do momento em que chego a essa substituição estranha: Ele é infeliz, é que a linguagem começa a se constituir em linguagem infeliz para mim, a esboçar e a projetar lentamente o modo...

CONVITE

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NOITE DE AUTÓGRAFOS E PRÉ-LANÇAMENTO Dia: 20 de Junho de 2012 Horas: 20H00 LUGAR: Nomuro Lounge Temakeria Arte Shop Center Av. Afonso Delambert, 103 Lagoa da Conceição - Florianópolis

Entrevista com o filósofo francês Luc Ferry, por Andrei Netto.

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ESP: O senhor refletia sobre o livro há muito tempo, até 40 anos. Por que se trata de uma obra tão pessoal e importante? LF: Eu me sinto como se estivéssemos entre amigos, ao fogo de uma lareira na serra. Sim, este livro é de longe o mais importante a meu ver entre todos os que escrevi. É o primeiro que no qual eu emprego minha própria filosofia, minha análise do tempo presente, que me parece caracterizado por três grandes traços: a desconstrução dos valores tradicionais, a emergência da globalização liberal e o nascimento do casamento por amor e da família moderna . Estes três traços são ligados entre eles, e formam uma paisagem coerente. É nesta paisagem que nossas vidas vão tomar sentido. Sim, também é verdade que se trata de um livro de toda uma vida. ESP: Sobre A Revolução do Amor , comecemos por sua ideia de base: algo de revolucionário teria acontecido há alguns séculos: a invenção do casamento por amor na Europa . Qual é a amplitude desta revolução? JF: ...

Editora Zahar

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Caros alunos e amigos, Vocês já navegaram no novo site da Editora Zahar ? Para quem ainda não foi lá, informo que o site está muito bom e muito prático. Você coloca, através de uma palavra chave, o assunto que interessa pesquisar e o site relaciona uma grande bibliografia sobre o tema: com nome do livro, o autor e a página da referência. Neste novo formato, além de ser uma “santa ajuda” para qualquer pesquisa, você pode ler várias páginas dos livros relacionados na pesquisa, com apenas um clique. Ou seja, você pode decidir, através de uma rápida leitura, se o modelo de textualidade do autor corresponde ao interesse do seu texto. Editora Zahar, obrigado pelo belo trabalho. Parabéns!

Ensaio

Francisco Bosco Numa entrada de 18/11/1956, Susan Sontag anuncia em seu diário o projeto de escrever “Notas sobre o Casamento”. Não conheço muito de sua obra, tendo lido apenas um punhado de ensaios de sua autoria, logo não sei se ela levou adiante o projeto. Em entradas anteriores e posteriores do primeiro volume de seus Diários – 1947-1963 (Companhia das Letras, 2009), entretanto, há algumas observações que deveriam constar dele. Com base nelas – faz parte da admiração intelectual herdar o desejo do outro – , tomo para mim, aqui, a tarefa de escrever algumas notas sobre o casamento. É oportuno esclarecer que as observações de Sontag que vou comentar (servindo-me delas apenas como ponto de partida para outras percepções que lhes são independentes) dizem respeito à experiência da autora com Philip Rieff, com quem se casou aos 16 anos (e de quem se separaria seis anos depois), e, o que é mais importante, num momento de confusão e angústia com a própria sexualidade. Apesar de est...