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Mostrando postagens de setembro, 2015

Sobre a Timidez

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Embaraço, humilhação e transparência psíquica:  O tímido e sua dependência do olhar Refletiremos, aqui, sobre algumas características do sujeito cuja principal queixa gravita em torno da timidez — exatamente aquele que fica paralisado diante do paradoxo de ser supervisível ou de ser invisível, de ter uma atitude voyeurista ou exibicionista diante do outro, de ser invadido pela mirada de qualquer um ou de ser completamente opaco a ela, de nunca poder ser visto a partir do ângulo correto. Este sujeito expressa de modo paradigmático o sentimento de insuficiência narcísica diante do olhar, insuficiência articulada a um grau intenso de dependência. O dito tímido depende em larga medida de um olhar privilegiado para ter acesso aos principais parâmetros a respeito de si mesmo. Nosso intuito é discutir sobre as vicissitudes desse olhar, sobre a relação de dependência nele implicada e sobre algumas formas pelas quais essa dependência se estabiliza e se constrói. Em função de a...

Caso, Ficção, Poesia e Psicanálise

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XV Jornada Corpolinguagem VII Encontro Outrarte II Jornada de Investigación: Formación de la clínica psicoanalítica en el Uruguay Apresentação No ano de 2015, o Centro de Pesquisa  Outrarte  se propõe interrogar a  história /  histeria ,  a poesia com a qual se faz a história . No seminário 3, Lacan fala que a obra de Freud está cheia de enigmas, de “pedras de espera”, que a releitura de seus textos sempre trazem algo a mais, diferente daquilo que se aguardava. A  historicidade  é uma dessas pedras de espera. Quando Lacan afirma que o sujeito da psicanálise é o sujeito cartesiano do  cogito , ele inscreve a psicanálise como um saber moderno, abrindo o espaço para a questão de sua historicidade. Porém, quando procuramos a sua inscrição nos textos psicanalíticos, a historicidade  parece difratar-se, estilhaçar-se, fragmentando-se em uma multiplicidade de termos: na  rememoração  – o próprio terreno de partida da...

Roland Barthes: Semiologia

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Lição crítica: Roland Barthes e a  semiologia do impasse Ao que parece, o ensaísta francês Roland Barthes está de volta. De fato, é difícil dizer se, desde meados da década de 1950, houve algum momento em que Barthes esteve ausente, especialmente para os estudos literários. De qualquer modo, é notável que, a partir de 2002, circunstâncias, a princípio, editoriais o tenham trazido de volta. Na França, há, de um lado, a reedição, corrigida e aumentada, de suas obras completas; de outro, a publicação das inéditas anotações dos cursos que Barthes ministrou, entre 1977 e 1980, no Collège de France. Acrescente-se ainda, sobretudo na França e nos Estados Unidos, a reedição de alguns estudos críticos dedicados à sua obra ou à publicação de inéditos afins. No Brasil, a partir dessa mesma época, têm surgido colóquios dedicados a Barthes, reedições de seus livros em novas traduções ou publicações inéditas, além de alguns estudos críticos. Tudo isso ou incita à retomada do trabalho ...