HORAS AZUIS E O TEMPO DA AUSÊNCIA
Deméter e Perséfone e o luto sem perdas no romance Horas Azuis Li poucos romances no ano passado. Foram muitas as leituras de teoria psicanalítica para os trabalhos de transmissão teórica com os colegas da área, e pouco tempo para a literatura. No entanto, no segundo semestre li um romance cujo tema me identifiquei imediatamente. O romance foi Horas Azuis , de Bruna Dantas Lobato; e o tema: o vinculo mãe e filha. O livro pode até se apresentar, à primeira vista, como um texto sobre deslocamento, tempo, escrita ou solidão contemporânea, mas o seu eixo afetivo mais persistente é justamente esse vínculo, mãe filha, atravessado pela distância — uma distância geográfica, temporal e tecnológica. Em Horas Azuis , a relação entre mãe e filha não é estruturada pela ruptura dramática nem pelo conflito aberto, tão comuns a essa temática. O que a organiza é algo mais sutil e, talvez por isso, mais doloroso: a convivência cotidiana com a ausência. A filha está viva, acessível, localizável — e...