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Antropotécnica

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Os imperativos do filósofo alemão Peter Sloterdijk Entrevista: Em seu último livro você avança a hipótese da autoconstrução do humano, na qual as diversas atividades – sentimentos, trabalho, comunicação, mas, sobretudo ritualidade e repetições – retroagem sobre o próprio homem, modificam-no, digamos assim, e criam-no. Através de uma forma aparente de humanismo e de busca da transcendência – a religião – assistimos na realidade a uma nova prática da construção de si, que você chama de antropotécnica.   No início do meu livro falei principalmente de repetições. O ponto crítico, na história da civilização, é a meu ver representado pelo emergir de exercícios explícitos: o ser humano vive, enquanto tal, na repetição e dá forma e conteúdo à própria vida através de um ritualismo mais ou menos consciente, feito de exercícios repetitivos. A definição do ser humano, na minha acepção, não é dada pela “criatividade”, mas pela “repetitividade na criatividade”. A criatividad...

Eventos

Disciplina: ESTÉTICA II Faculdade de Filosofia - UFSC Prof. Dr. Marcos José Müller-Granzotto Inicio do Curso: AGOSTO/2013 Dia da semana: Terça feira Horário de início: 13h30min- 16h30 Título do curso: Arte e Desejo .  Programa: 1. Lacan a respeito de Don Giovanni de Mozart:  Desejo nos Discursos sobre a Falta 2. Zizek a respeito de “Hamlet antes de Édipo”:  Desejo nos Discursos sobre o Gozo 3. Zizek a respeito do “Cristo”:  Desejo nos Discursos sobre a Renúncia 4. Foucault a respeito de “Diógenes”:  Desejo nos Discursos sobre o Poder 5. Bataille a respeito da “Edwarda”:  Desejo nos Discursos sobre o Erotismo 6. Merleau-Ponty a respeito de “Cézanne”:  Desejo nos Discursos sobre a Ambiguidade.

Giorgio Agamben

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O filósofo Giorgio Agamben é difícil de ser enquadrado nas concepções tradicionais de filosofia, dividida tradicionalmente em períodos históricos Nascido em 1942, ele deveria ser situado como um filósofo contemporâneo. Mas como suas influências principais já são de autores contemporâneos – entre os quais destacam-se Walter Benjamin, Martin Heidegger, Michel Foucault, Jacques Derrida e Hannah Arendt – o pensador italiano acaba sendo símbolo de uma renovação filosófica e, sobretudo, de uma renovação da filosofia política. O argumento é de Claudio Oliveira , professor de Filosofia da UFF, coordenador da coleção Filô Agamben, na editora Autêntica, e também tradutor de Agamben. Nesta entrevista, ele explica por que a força política do pensamento agambeniano está em não separar a filosofia política como um campo específico da filosofia, mas, ao contrário, em pensar filosofia e política como uma coisa só. “A conjunção entre as duas é única forma de retirar ambas, a filosofia e a polític...

IT WOMAN: Pina Bausch

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"O que me interessa não é como as pessoas se movem, mas sim o que as move”, resumiu Pina Bausch o propósito de seu trabalho. A artista que se vestia permanentemente de preto e calçava número 41 foi uma das coreógrafas mais importantes do século 20. Philippine Bausch – ou Pina Bausch, como ficou conhecida -, nasceu em Solingen, na Alemanha a 27 de Julho de 1940, em plena Guerra Mundial. Os pais tinham um pequeno restaurante com um café ao lado que, mais tarde, lhe forneceu as memórias para a sua famosa peça “Café Müller”, em 1978. Aos quinze anos, isto é, bastante tarde, começou a estudar Dança na Academia Folkwang, na cidade de Essen, que era dirigida por Kurt Jooss, um dos expoentes máximos do mundo do Ballet, e um dos fundadores do movimento Expressionista. Bausch diz que sempre amou a dança porque era tímida e tinha medo de falar mas que, quando movia o corpo, podia sentir. Quando terminou o curso, obteve uma bolsa do governo alemão e foi para Nova Iorque...

O Corpo como ....

O Corpo como “Veículo de Ser"na Construção da Masculinidade  Um ótimo texto de  Aurivar Fernandes Filho O presente artigo buscou compreender o corpo como um veículo no ser na construção da  masculinidade; para tanto, utilizou-se de uma pesquisa bibliográfica, enfocando o método  fenomenológico, trazendo autores que abordam a masculinidade, gênero, o estudo do corpo  e, principalmente, por meio de uma visão merleaupontyana; apontando os mecanismos  utilizados através dos tempos – de modo resumido – pelos quais a masculinidade  construiu-se pelo corpo e continua sendo construída, como um texto a ser lido pelo outro.  Continue lendo em: http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/anagrama/article/viewFile/8538/7869

QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS

Famílias sintomáticas by: Fabian Fajnwaks  O desejo de “formar família” encontrou uma espécie de interpretação na resposta recente de nossos governantes: “família para todos”. A que real essa interpretação responde?  O debate atual colocou em evidência os preconceitos dos psicanalistas. Escuta-se, principalmente, uma ideologia edipiana. Lembremos o que Jacques-Alain Miller dizia, num colóquio em Nice, em 2003, sobre os gays em análise: a prática com os sujeitos homossexuais nos obriga a suspender todo preconceito. Seria possível dizer exatamente a mesma coisa da ideia que cada uma das orientações analíticas faz da família. Portanto, as novas reivindicações nos convidam não apenas a revisar nossos preconceitos, como também a repensar alguns dos fundamentos da teoria psicanalítica: a relação do drama edipiano com as funções do “Nome-do-Pai” e do “Desejo da Mãe”, a relação do desejo com a Lei, o próprio estatuto da Lei: ela está do lado do Nome-do-Pai ou no seu ...

Sobre o Ensaio

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Afinal, o que é o ensaio? O ensaísmo é tema de uma das mesas e da oficina literária da Flip 2013. Dois dos maiores ensaístas contemporâneos, o britânico Geoff Dyer e o americano John Jeremiah Sullivan se encontram para conversar sobre o gênero no domingo à tarde. O mediador do encontro, o escritor e jornalista Paulo Roberto Pires, é editor da mais importante revista de ensaios do país, a “serrote”, do Instituto Moreira Salles, e será também o responsável pelas aulas da oficina. O elenco da festa reúne ainda alguns outros nomes importantes do ensaísmo contemporâneo, do consagrado italiano Roberto Calasso, aos jovens Francisco Bosco e Lila Azam Zanganeh. Mas de que se fala, afinal, quando falamos em ensaio? O gênero é, por definição, problemático, pois uma de suas premissas é contestar a distinção entre aparência e essência, que organiza qualquer classificação genérica. Quer dizer: uma das ideias fundamentais do ensaio é que seu autor abra mão de fórmulas padrão de esc...

A mulher, de Lacan, que não existe

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Desde o início da civilização até hoje, vemos uma impropriedade comum no tratamento da mulher O que Lacan sabia das mulheres? É a pergunta, em título, do Colóquio de Miami, em junho de 2013. Nós todos conhecemos a resposta, Lacan a deu inúmeras vezes nos últimos anos de seu ensino. Ele a sintetizou em quatro palavras. Lacan sabia das mulheres que: A MULHER NÃO EXISTE. O que está condensado nessa oração aforismática é uma radical revolução no laço social, pois aponta a uma mudança de paradigma com implicações fundamentais na clínica e na vida em geral da pós-modernidade. É a isso que vou me dedicar a analisar nesse breve artigo: a. como a mulher era vista; b. o que há de novo quando a mulher não existe; c. a possibilidade de um novo amor: a ressonância; d. a segunda clínica: a consequência; e. “a mulher de Lacan e a mulher de hoje”, tema dessa mesa. Como a mulher sempre foi habitualmente vista? (*) Começou como sempre, no começo. No Gênesis, quando Deus diz...

CONVITE

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Movimentos Populares: Mais uma análise

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O psicanalista Contardo Calligaris aproxima as relações amorosas das relações políticas, na tentativa de analisar os movimentos populares no Brasil. Sonhos de calor humano Na sexta-feira passada, estreou o último filme de Richard Linklater, "Antes da Meia-Noite", que eu estava aguardando. Mas, enquanto as ruas pegam fogo, é difícil escrever sobre o amor. As manifestações que se espalharam (e seguem se espalhando) por São Paulo e por outras cidades do país me impressionaram pela rapidez com a qual o protesto, supostamente motivado pelo aumento das passagens de ônibus, tornou-se expressão de outras insatisfações, profundas e cruciais --contra a má qualidade e a má gestão do que é público, contra a insegurança de nossas ruas, contra a corrupção, contra o mistério nacional que resulta em produtos caros e salários baixos, contra os políticos com sua falta de competência e seu excesso de promessas, contra o desperdício da Copa que vem aí, contra a lentidão e a inef...