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Voz: Objeto "a"

Jacques Lacan e a Voz Jacques-Alain Miller Jacques Lacan deu um lugar específico à voz na psicanálise. Voltarei, aqui, minha atenção para as vias pelas quais ele se viu levado, em seu ensino, a dar à voz um estatuto de objeto, dito objeto a, com minúscula, naquilo que chamou de sua álgebra. A meu ver trata-se de uma inovação na psicanálise. Com efeito, a tradição psicanalítica, desde Freud, Abraham, Melanie Klein, havia, é verdade, destacado a função do objeto, mas para pôr toda a ênfase sobre dois objetos hoje bem conhecidos para além da prática analítica: o objeto oral e o objeto anal, dos quais se supunha serem sucessivamente prevalentes na cronologia do desenvolvimento – o desenvolvimento do indivíduo ou, de maneira mais precisa, o da libido tendo como fim sua convergência no objeto genital. Em outras palavras, não se esperou Lacan para situar na psicanálise a função do objeto, mas esses dois objetos foram inscritos em estágios do desenvolvimento. É um fato histórico da ...

A comunicação nas Esferas: Peter Sloterdijk

A comunicação nas esferas,  a experiência estética e hipermídia Sérgio Bairon O presente artigo analisa a relação entre a dimensão conceitual da comunicação das esferas e a dimensão comunicativa da experiência estética em sua expressividade hipermidiática. A análise baseia-se em princípios hermenêutico-fenomenológicos e propõe e propõe uma leitura particular da dimensão técnica da hipermídia, como uma nova forma de manifestação da compreensão....  Revistas USP http://www.revistas.usp.br/revusp/article/viewFile/13810/15628

Psicanalise e Discurso Social

Sobre a neutralidade e a abstinência dos psicanalistas Há tempos tenho esta conversa com meu amigo Ricardo Goldenberg sobre psicanalistas que participam da cena pública. Para alguns isso representa um problema, afinal, analisantes ficam sabendo “o que você pensa”, o que atrapalharia a transferência em curso nos tratamentos.  Efeitos de sugestão, gerados pela fala pública de analistas, produziriam indesejáveis identificações fazendo com que a neutralidade, imprescindível para a cura, fosse devassada. Suspender seus próprios juízos morais e estéticos, colocar seus valores entre parênteses e jamais impingir ao paciente sua própria visão de mundo, nem mesmo aquela que supostamente seria congruente com a da psicanálise, como a da ciência, é o primeiro mandamento de psicanalistas. Contra esta crítica lembramos que há uma separação entre a pessoa do analista, que tem opiniões e interesses ordinários como todo mundo, e a sua função, baseada no desejo que lhe é próprio, em sua con...

CURSO

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Encontros no Instituto de Psicologia da USP  discutem pensamento de Lacan O Seminário sobre a obra de Jacques Lacan, que desde 2001 se configura como espaço de estudo das ideias do psicanalista, busca neste ano examinar seu Seminário XII, sobre os "Problemas Cruciais para a Psicanálise" (1964-1965). Os encontros são abertos ao público e gratuitos. Acontecem quinzenalmente, a partir 10 de abril, no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP). Realizado pelo Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP, em conjunto com a Escola dos Fóruns do Campo Lacaniano, o Seminário propõe neste semestre a investigação da teoria da nominação, extraída da filosofia da linguagem de G. Frege à luz da topologia da prática psicanalítica. O coordenador do projeto é Christian Lenz Dunker, psicanalista, professor livre-docente do Instituto de Psicologia da USP e Membro da Escola de Psicanálise do Fórum do Campo Lacaniano. A inscrição no Seminári...

NO INÍCIO ERA A IMAGEM

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Furar o bloqueio dos editores alemães Quando o livro finalmente saiu, depois de tantas tentativas de furar a barreira dos editores alemães, foi um sucesso inesperado. E causou uma polêmica ainda mais inesperada, uma verdadeira onda flusseriana, com críticos implacáveis (coisa que ele sempre apreciava) e com defensores irredutíveis.   Für eine Philosophie der Fotografie   (Por uma filosofia da fotografia) saiu em 1983 pela European Photography (uma pequena editora, sim, mas com uma vocação bem direcionada, um público escolhido a dedo e publicações com esmero artístico). O autor, quem seria esse Flusser?, passa a circular performaticamente em eventos de potencial explosivo, contradizendo o discurso hegemônico de demonização da técnica e seus produtos, cada vez mais presentes no dia-a-dia das pessoas. Era um sobrevivente tardio da catástrofe do programa de Auschwitz (quem não se lembrava?) que, depois de 30 anos convivendo com tupiniquins e tupinambás na selvagem S...

Psicanálise, Feminino e Arte

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A Suplicante - Camille Clodel O peso da feminilidade    Maria Rita Khel O que têm em comum a arte, a psicanálise e a feminilidade? Que as três andem às voltas com a falta – até aí, nada de novo. Mais vale dizer que a partir da falta, ou do vazio, ou de como quer que se nomeie isto que não há, tanto a psicanálise quanto a arte são expressões do inacabado – o que faz com que só existam em estado de constante mutação. A feminilidade, não como aquilo que é próprio das mulheres mas como aquilo que sabe gozar um pouco além do falo, nem sempre se põe mutante - mas tem certamente este potencial. Uma vez que não gira (apenas) em torno do falo, pode arriscar movimentos centrífugos em direção a não sei onde. Uma vez que não se constitui a partir de uma obsessão em evitar a castração, a feminilidade é um modo de gozar que pode arriscar um pouco mais na direção de uma desmesura, ou seja, que aceita correr o risco de esbarrar na angústia, ou mesmos de ir um pouco além. Da...