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Mostrando postagens de 2006

TRANSFERÊNCIA E DROGADIÇÃO

Não há clínica sem transferência. Toda a clínica baseada no sujeito pressupõe a transferência, seja ela: médica, psicológica ou psicanalítica. Somente a clínica mecanicista, isto é, a que se constitui apenas pelos exames e medicações prescinde da transferência. Quando alguém procura um analista para marcar uma hora, dizemos que há uma demanda de atendimento, mas não há ainda transferência. A transferência se constituirá a partir das primeiras entrevistas. Para a clínica psicanalítica a transferência será o pivô, o eixo no qual gira, se desenvolve o tratamento . Por esse motivo é que para a psicanálise este termo ganha uma dimensão muito específica. Quando uma pessoa busca um analista, essa busca é vinculada à hipótese de que há um saber em jogo no seu sintoma. Ela quer saber o que se passa com ela: Porque repete uma conduta indesejável que não consegue parar? Qual a razão da sua inconformidade, se podia ser feliz com tudo que a vida lhe deu? Assim, se por um lado falta o saber, por ...

NOVA TRADUÇÃO DA OBRA DE FREUD

A editora Imago está realizando uma nova edição das obras completas de Sigmund Freud, sendo que o primeiro volume já foi lançado em meados de 2005, e o segundo recentemente: em 2006. Eis o que consta no site da editora: “A nova edição brasileira das obras de Freud agrupa os textos por eixos temáticos e está sendo publicada em duas etapas. Na primeira etapa serão publicados os textos mais lidos em psicanálise e obras que refletem a amplitude das idéias de Freud de interesse também para áreas afins, tais como sociologia, pedagogia, ciência política, antropologia, lingüística e ciências cognitivas. Os artigos e obras estão agrupados pelos seguintes eixos: Artes Plásticas e Literatura; A Vida Sexual; Compulsão, Paranóia e Perversão; Conferências de Introdução à Psicanálise; Escritos sobre Fenômenos Diversos da Psicologia; Escritos sobre a Psicologia do Inconsciente; Escritos sobre Técnicas Clínicas em Psicanálise; Questões da Cultura e da Sociedade e as Origens da Religião. Além desses te...

SOBRE A VIENA DE FREUD

Texto elaborado por Ligia Czesnat: VIENA FIN-DE-SIÉCLE SCORSKE, Cal. Viena fin-de-siécle: cultura e política . Trad. Denise Bottmann. S.P.: Cia das Letras, 1988. Contexto cultural do fim do século XIX Viena fin-de siécle , foi uma cidade que realizou inovações, através de sua intelligentsia , que viriam a ser conhecidas em toda a esfera cultural européia como “escolas” vienenses – principalmente na psicologia, história da arte e música. Mesmo nos campos onde as realizações austríacas tardaram mais a obterem o reconhecimento internacional – literatura, arquitetura, pintura e política, por exemplo -, os austríacos entregaram-se a reformulações críticas ou transformações subversivas de suas tradições, que foram reconhecidas pela sua sociedade como radicalmente novas, quando não efetivamente revolucionárias. O termo Die Jungen (os jovens), designação comum aos révoltés inovadores, difundiu-se entre as várias esferas da vida. Inicialmente empregado na política dos anos de 1870, em...

corpoemaprocesso / teatrodesessência

Imagem
Eu estou em posição de risco: qualquer traço, ou sulco profundo na superfície do objeto ; esboço; projeto; horizonte visual. Risco: penhasco alto; possibilidade de perigo; de perda ou ganho; responsabilidade pelo dano. Eu prefiro admitir que não haja mais nada a ser dito ou que o dito, a fala , não é o mesmo que afirmar que a linguagem fala “como consonância do quieto”, no modo de dizer do filósofo que busca, no poema, o falar da linguagem como o que se diz genuinamente (isto afirma Heidegger, a caminho da linguagem ). O que busco no poema é o que escapa à linguagem. Um descaminho. Se a experiência da linguagem e a linguagem da experiência estão em jogo no fazer a experiência da experiência, então é possível entrar no lugar vazio da escuta. Não de uma escuta que extraia o que é levado a soar em palavra, mas a escuta de um não- dizer próprio que se abisma fora da linguagem , no saber ouvir uma linguagem sem entendimento. Saber ir ao desencontro . Que lugar é este fora da linguagem ? ...

Um endereço virtual interessante

Muito interessante, criativo e corajoso o trabalho de Fernanda Magalhães. Artista, fotógrafa, performer, professora da universidade estadual de londrina e doutoranda em artes na unicamp. http://fermaga.blogspot.com/

REVISORA DE TEXTOS

Uma amiga recomenda: Carmem Cecília Pereira e-mail: revisartese@yahoo.fr

e-mail do Rogerio

O Rogério continuou pensando o discurso da última aula e elaborou uma questão muito interessante. Voltaremos a ela na próxima aula. “Ao ser indagado sobre a inclusão da Imagem Acústica de Saussure no Campo das Pulsões Parciais, afirmei que sim. Não obstante, devia estar errado, pois se a Imagem Acústica é uma das faces (inseparáveis) do signo saussuriano, juntamente com o conceito (Significante/Significado) ela só pode pertencer ao Campo do Outro, Campo A. Se entendi direito, o campo do Outro é o do Significante, da Linguagem (do assujeitamento), conceito que Lacan deriva do signo linguístico de Saussure, substituindo a noção de dualidade (faces inseparáveis) saussuriana pela noção de duplicidade, ou seja, liberdade, e prioridade, do significante com relação ao significado. É isso, Professora?”

PROGRAMA DO CURSO

Acompanha, concomitante a proposta deste Curso, a responsabilidade de instaurar um espaço de discursividade alinhavado por um desejo de transmissão. Sabemos, de acordo com o mito freudiano da horda primeva , que fundar um espaço nada mais é que tornar efetivo um ato assassino, que, como tal, é a invenção, a criação de um lugar entre aqueles mesmos que lhe dão corpo, laço de in-corpo-ração. Assim é que, para a psicanálise, as gerações não são o produto de uma genealogia ou de uma filiação, mas do assassinato, metafórico, do significante pelo significado. Nenhum pai é naturalmente pai. O Urvater freudiano á apenas um pai de construção discursiva pelo qual se radicaliza toda a ausência de um pai, anterior ao ato assassino. Nenhum analista pode crer num pai fundador. Ele não pode - pela razão mesma de que não há analista, mas apenas uma função analista -, imaginar sua tarefa de outra forma que numa reinvenção de um discurso no qual a função “autor” prevalece em relação a toda noção de “pai...