sexta-feira, agosto 07, 2009

CURSO PSICANÁLISE


O que causa o teu desejo?


O desejo na clínica lacaniana
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Sabemos que a natureza última do desejo é da categoria do impossível, mas, sabemos também, que a nossa experiência cotidiana como sujeitos desejantes não acontece nesse nível. O lugar dos objetos do desejo é o campo das representações da realidade e dos objetos ditos reais. Nesse campo, não falamos o desejo, mas do desejo. Na vida cotidiana caminhamos em direção a objetos secundários que aparecem para a consciência como objetos possíveis cujo alcance depende pelo menos em parte de nossa ação voluntária, consciente.

Em Freud, a realidade e seu Princípio só se introduzem no campo do desejo a partir do fracasso da satisfação alucinatória através da qual o psiquismo da criança tenta contentar as demandas imediatistas e onipresentes do Princípio do Prazer. O fracasso, parcial, do Princípio do Prazer inaugura a um só tempo três instâncias para a psique: o tempo, a realidade e o sujeito. O sujeito, visto aqui, como uma instância psíquica que se diferencia do todo ao qual se achava unido imaginariamente e portador de um desejo, já que no espaço do Princípio do Prazer não se pode falar exatamente em desejo por causa da vinculação imediata entre a necessidade e a satisfação alucinatória. No mínimo, não se pode falar de permanência do desejo antes do fracasso do Princípio do Prazer. É a partir desse fracasso que o psiquismo desenvolve recursos para fazer a mediação necessária entre a pulsão e a satisfação parcial da pulsão: o que Freud chamou de Princípio de Realidade.

É só a partir daí que podemos dizer que todo sujeito é sujeito de um desejo, ou que, todo sujeito é sujeito porque é desejante. Já que sujeito e desejo são paridos desde o mesmo evento; o fracasso do Princípio do Prazer. Primeira experiência de corte na unidade imaginária mãe-criança, ou mundo-criança, ou, ainda, na unidade imaginária entre a necessidade e sua imediata satisfação.

Uma conseqüência da interpretação lacaniana sobre o estatuto da linguagem e de sua forma de ser no inconsciente é a reformulação da questão da realidade. A articulação lacaniana das relações entre princípio do prazer, princípio de realidade e pulsão de morte, põe em jogo a noção de realidade freudiana. E, redimensiona as operações do desejo e o lugar do analista na clínica.

Esse curso tem por objetivo perseguir os caminhos teóricos e as conseqüências clínicas desses vários momentos da noção de desejo no ensino de Lacan.


Programa:



2. A leitura lacaniana do desejo hegeliano.

3. A lei institui o desejo.
(A influência de Santo Agostinho na leitura lacaniana do desejo)

4. O objeto a como causa de desejo.
(Seminário X – Cap. VIII)

5. Sinthoma: saber fazer com.
(As operações do desejo na segunda clínica lacaniana)


Cronograma:


Dia: Terça Feira
Horário: 16H30 as 18H00
Sala: 317 - CFH
Local: Faculdade de Filosofia – UFSC

Ministrante: Maria Leite

Data: 18 de agosto a 27 de Outubro de 2009.
Inscrições: Na primeira aula.
Gratuito - aberto a comunidade
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Coordenação: Marcos José Muller-Granzotto
1. A noção de desejo na teoria freudiana
(A interpretação dos Sonhos)

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