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Mostrando postagens de outubro, 2010

Ecos de Freud

Freud realizou uma longa viagem no tempo e no espaço para muito longe de sua amada casa em Viena. Esteve em Paris, na juventude, onde acompanhou o trabalho de Charcot e o espetáculo do hipnotismo: aonde uma Augustine, espécie de celebridade da época, era exibida em palestras públicas e sessões de fotografia como uma perfeita ilustração da histeria. Freud também se tornaria um “ídolo pop”, cujas proporções atingiriam escala mundial, com seu rosto expressivamente reproduzido com e sem seu emblemático charuto, em capas de livros, camisetas, selos, cartazes de cinema, marcas de charuto, canecas, quadros realistas e surrealistas. E suas idéias discutidas numa infinidade de livros, artigos acadêmicos, jornalísticos, romances, contos, poemas, peças de teatro, documentários e novelas de televisão. Até quem nunca leu a obra do mestre já ouviu falar dele tornando-o um símbolo de nossa cultura. Em 1896, Freud, em Viena, deve ter se sentido o homem mais solitário do mundo, apresentando-se à A...

Das singularidas

Ataco a tela branca de 1.80 x 1.40 centímetros. Escolho os maiores pincéis para aderir à maior quantidade de tinta. As tintas, não sei como as escolho. Pego todas as cores e as coloco sobre a mesa, junto com as cumbucas de água e um pano velho para limpeza do pincel. A primeira pincelada é a melhor. Pode ter qualquer tamanho, direção e cor. Não importa, até porque este é o primeiro quadro e pode ter muitas cores diferentes: primárias, secundárias, cinzas sempiternos, que se relacionam, e, por vezes, têm vontade própria. Os primeiros gestos são feitos de pinceladas mais calmas, sem pretensão e preocupação. São apenas gestos que desenham e colorem a tela. Em algum momento as pinceladas deixam de ser calmas. Começo o ataque à tela. Os gestos ficam velozes; o traço, a cor e a forma dão vida à tela. E eu desapareço. Depois, me recomponho. Muito cansada fisicamente, percebo a tela exageradamente colorida, com movimento e traços pulsantes. Acabo, então, a primeira etapa do process...

Conviete do Professor Denilson

Amigos, O livro que organizamos - Cinema,Globalizacao e Interculturalidade -sera lancado no Rio de Janeiro no dia 18 de outubro (segunda-feira), 19 h, na Blooks Livraria ( dentro do Arteplex Unibanco de Cinema ) Praia de Botafogo 316 (tel: 25598776). Acreditamos ser uma contribuicao para compreender o cinema, e talvez não só, para alem do nacional.  O livro também pode ser adquirido diretamente pelo site www.unochapeco.edu.br/argos . Claro, se puderem repassar a quem possa se interessar agradecemos. Abraços e contamos com sua presença, Andréa França e Denilson Lopes

Complexo de Édipo

Sófocles – Édipo Rei Freud transforma o drama edípico em um drama universal. “ Todo ser humano se vê diante da tarefa de superar o complexo de Édipo”. (Freud)  1897 – carta a Fliess – A primeira vez que Freud faz menção a tragédia e Sófocles.    1910 – Um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens . Neste texto, aparece pela primeira vez o termo complexo de Édipo.   Na teoria freudiana, a noção de complexo de Édipo não fala da sexualidade infantil. Ela fala da entrada do sujeito nas leis da linguagem. A sexualidade só vai adquirir o seu estatuto teórico conceitual em os Três ensaios sobre a teoria da sexualidade , de 1905.   Podemos pensar o complexo de Édipo sob duas variáveis:   1. A construção antropológica do sujeito. Conforme Claude Lévi-Strauss, a diferença entre natureza e cultura é determinada pelo interdito. Enquanto o natural é aquilo que é constante e universal para todos os indivíduos da espécie, o cultural é caracterizado ...