quinta-feira, outubro 07, 2010

Complexo de Édipo

  • Sófocles – Édipo Rei
Freud transforma o drama edípico em um drama universal.
Todo ser humano se vê diante da tarefa de superar o complexo de Édipo”. (Freud)

  •  1897 – carta a Fliess – A primeira vez que Freud faz menção a tragédia e Sófocles.
  •   1910 – Um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens. Neste texto, aparece pela primeira vez o termo complexo de Édipo.

  •  Na teoria freudiana, a noção de complexo de Édipo não fala da sexualidade infantil. Ela fala da entrada do sujeito nas leis da linguagem. A sexualidade só vai adquirir o seu estatuto teórico conceitual em os Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, de 1905.

  •  Podemos pensar o complexo de Édipo sob duas variáveis:
 1. A construção antropológica do sujeito.
Conforme Claude Lévi-Strauss, a diferença entre natureza e cultura é determinada pelo interdito. Enquanto o natural é aquilo que é constante e universal para todos os indivíduos da espécie, o cultural é caracterizado pela regra, pela norma, e pertence ao domínio dos costumes e das instituições. A proibição do incesto é um interdito que possui a universalidade do que é natural mas que enquanto lei, é estritamente social. Assim, para Lévi Strauss, o interdito - a proibição do incesto - por seu caráter universal, é uma espécie de síntese da natureza e da cultura e um lugar privilegiado da passagem de uma para a outra.
Para a psicanálise, falar em complexo de Édipo não é a mesma coisa que falar na proibição do incesto. Não é só uma transposição da lei cultural. A proibição do incesto é uma regra referente às alianças e às trocas no interior do grupo social, enquanto o complexo de Édipo diz respeito ao desejo. Uma coisa é a mulher entendida como objeto de troca, outra é a mulher entendida como objeto de desejo. O que está em jogo no complexo de Édipo não é a troca, mais a mulher enquanto objeto de amor.


2. Um processo de produção do ser falante inserido num complexo campo de intersubjetividade. Isto é, a construção do sujeito na Cultura.
Sob esta perspectiva, o complexo de Édipo constitui-se no conjunto de relações que a criança estabelece com as figuras parentais e que compõem uma rede em grande parte inconsciente de representações e de afetos, fundamentais ao processo da construção da subjetividade.
Assim, o complexo de Édipo torna-se a estrutura que organiza o devir humano – o vir a ser - em torno da diferença dos sexos e da diferença das gerações.

  • O complexo de Édipo assume toda sua dimensão de conceito fundador quando Freud o articula com o “complexo de castração”. Este último, ao provocar a interiorização da interdição dos dois desejos edipianos (incesto materno e assassinato do pai), abre o acesso à cultura pela submissão e a identificação com o pai portador da lei que regula o jogo do desejo.


  • No primeiro momento, é em torno do modelo masculino que Freud elabora sua teoria do Édipo. A formulação do complexo de Édipo é então a seguinte: o desejo sexual pela figura parental do outro sexo e o desejo assassino pela figura do mesmo sexo (forma positiva). O desejo erótico pela figura parental do mesmo sexo e o ódio ciumento à do outro sexo (forma negativa).

  • A partir dos anos 20, a teoria da castração o leva a romper com toda simetria entre o Édipo do menino e o Édipo da menina. O conflito edipiano se constitui no momento do estádio fálico, quando um só órgão sexual é reconhecido pelas crianças dos dois sexos: o pênis, que classifica os seres humanos em fálicos e castrado(a)s. A partir de então, instaura-se uma dissimetria radical entre o desenvolvimento psicossexual do menino e o da menina. O menino sai do complexo de Édipo pela angústia da castração e nele o supereu (superego) é o herdeiro do complexo de Édipo (interiorização da interdição paterna). A menina ingressa no conflito edípico pela descoberta de sua castração e a inveja do pênis, o supereu se constitui com dificuldade nela, que tem de fazer do pai o objeto de seu desejo, e o tornar-se mulher é um percurso obscuro.
Texto de Freud:
Cartas a Wilhelm Fliess
A interpretação dos Sonhos
Totem e Tabu
Bate-se numa Criança
O eu e o isso
A dissolução do Complexo de Édipo
A Feminilidade

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