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Mostrando postagens de Novembro 21, 2010

O que é ser normal?

Lacan dizia que o sintoma ajuda o neurótico a viver e que a análise não pretende levá-lo à normalidade, ao menos não à normalidade pura. O psicótico é o normal. Ser normal é ser completamente dentro de uma norma, a ponto de não perturbar mais a norma. Assim, acaba-se com o sujeito. O psicótico seria aquele que não suporta a anormalidade.

Gênese e estrutura do objeto do fantasma em Jacques Lacan

Vladimir Safatle

Amamos sempre
através de qualidades de empréstimo.
Pascal

Tal como o ser em Aristóteles, o fantasma em Lacan se diz de várias maneiras. Neste artigo, trata-se de se concentrar na natureza específica e na função dos objetos fantasmáticos, já que foi através do problema do objeto que a reflexão lacaniana sobre o fantasma organizou-se. Se pensarmos, por exemplo, na definição do fantasma como uma cena imaginária na qual o sujeito representa a realização de seu desejo, veremos que tal representação é produção de um objeto próprio ao desejo. Pois o fantasma aparece como esta construção que indica a maneira singular através da qual cada um de nós procura determinar um caminho em direção ao gozo. Este é ao menos o sentido da definição lacaniana: “o fantasma faz o prazer próprio ao desejo” (LACAN, 1966, p. 774).




Não se trata apenas de afirmar que o fantasma indica a predominância do princípio de prazer na realidade psíquica. Lembremos que, para Lacan, o desejo é desprovido de to…
O trabalho da forma no pensamento de Jacques Lacan:
notas sobre a relação entre estilo, sintoma e subjetividade
Meu estilo é o que ele é

Jacques Lacan
Vladimir Safatle

Ilegível. Eis o adjetivo preferido quando o assunto é Jacques Lacan. "O que bem se concebe, claramente se enuncia", costuma-se dizer a respeito desta obra capaz de causar vertigens devido a suas rupturas de planos conceituais, suas bricolagens teóricas com a história da filosofia e à incidência de formalizações lógico-matemáticas aparentemente psicóticas. Mas ‘ilegível’ não era exatamente a forma que o psicanalista gostaria de ser lembrado: "Bastam dez anos para que o que escrevo se torne claro para todos". Mais de dez anos se passaram e o que vemos é o retorno, à passarelas das modas intelectuais, da crítica ao pretenso hermetismo do pensamento francês contemporâneo. Crítica cujo alvo preferido é sempre Jacques Lacan.
Mas a verdade é que há alguma coisa em Lacan que ainda incomoda. Esta ‘alguma coisa’ é s…

DIÁLOGOS ENTRE FILOSOFIA E LITERATURA SAEM DO CAFÉ PARA O LIVRO

CONVITE
Obra reunindo oito artigos que colocam em conversa pensadores e literatos será lançada na quarta-feira, 24 de novembro, às 17 horas, na Livros e Livros.
Filosofia e literatura sempre renderam bons diálogos em cafés, mesa de bar, congresso e livros. Das discussões mensais em torno do Projeto Café Filosófico, realizadas pela Secretaria de Cultura e Arte da UFSC desde 2008, nasceu o primeiro livro da série Café Filô. Oito ensaios resultantes desses cafés estão reuni dos na obra Filosofia e Literatura, lançada pela Bernúncia Editora, de Florianópolis, e organizado pela filósofa Maria de Lourdes Borges e pelo professor de literatura José Roberto O´Shea. A obra tecida na costura dessas duas áreas do conhecimento que entrelaçam a verdade racional da ciência e a verdade simbólica e sensível da arte será lançada na quarta-feira, 24 de novembro, às 17 horas, na Livros e Livros, no Centro de Eventos da UFSC.

Com este número, a série Café Filô dá início à publicação de coletâneas de ensaios…