terça-feira, junho 04, 2013

Questões sobre o tempo



O rio e a flecha do tempo.

O futuro é sempre diferente ou sempre o mesmo?



by: Francis Wolff
Em certo sentido, ele não para de mudar. Já não somos tão jovens quanto éramos ontem ou há dez anos: por isso não vemos o nosso futuro como o víamos ontem ou como pensávamos que seria, há dez anos atrás. O mundo não é mais o mesmo. As promessas de anteontem quanto ao fim da exploração do homem pelo homem, ou as de ontem, quanto ao desenvolvimento sustentável não foram cumpridas. É verdade que todos os dias abrem-se outras esperanças, outras expectativas, outras aspirações. Estamos sempre reinventando o futuro, o nosso ou o do mundo, em função da maneira como nos pensamos no presente e imaginamos o mundo de hoje. Portanto, o futuro não é mais o que era e o que nunca foi. No fundo, o mesmo se dá com o passado. À medida que nos distanciamos dele, recriamos os seus encantos e seus tormentos. De fato, a memória não é melhor guardiã do passado que a imaginação, do futuro. Assim, a visão que temos do século 20 muda sem cessar. A ideia que temos da história varia constantemente. Os povos inventam a cada dia as tradições que imaginam perenes. E nem o passado é mais o que era.
E no entanto, num outro sentido, futuro, presente e passado são, também, sempre os mesmos. Se nos abstrairmos de seu conteúdo concreto para pensarmos seus conceitos, essas três dimensões do tempo têm uma definição imutável: o presente é sempre o que é real; o passado é o que não é mais real e que é, no entanto, necessário, pois ninguém pode fazer com que o que foi feito não tenha sido feito; e o futuro é sempre o que ainda não é real e que é apenas possível.
É este futuro invariável que tentaremos compreender. O que é o futuro? O que é esse estranho tempo que nunca alcançamos? Pois nunca estamos no amanhã e nem mesmo no daqui a pouco: estamos sempre no agora.
Podemos conceber esse futuro imutável de duas formas, porque dispomos de duas imagens para representarmos o tempo. Há o rio e há a flecha. Podemos nos imaginar imersos no “rio do tempo”. O tempo flui à nossa volta sem que possamos paralisá-lo. O futuro está à nossa frente, o passado, atrás. E nós, imóveis, sempre no presente, sem nunca conseguirmos sair deste “agora”. Dizemos coisas como: “E pensar que já estamos no ano de 2012!”. Ou: “ainda nem são quatro horas”. Pensamos, então, que o ano de 2012, o qual ontem, era futuro, é hoje, presente e será amanhã, passado.

Por vezes também acontece que pensemos no tempo como uma flecha. Imaginamos que o tempo passa como um trem que veríamos passar sempre na mesma direção e à mesma velocidade, irreversivelmente, com a única diferença de que o tempo não passa da esquerda para a direita, mas do antes em direção ao depois, irrevogavelmente. O tempo, pensamos então, é isso mesmo, aquilo que faz com que o posterior se siga sempre e necessariamente ao anterior. Pensamos coisas como : 2013 se segue a 2012. Ou: os Jogos Olímpicos do Rio virão depois dos de Londres. Ou ainda: “a batata estava crua, colocamos na água fervendo e, vinte minutos depois, estava cozida”. O que é “antes” precede o que vem “depois” – do crú ao cozido, de 2012 a 2013, etc.

Ora, o extraordinário é que essas duas imagens do tempo parecem nos dizer o contrário uma da outra. No primeiro caso, segundo a imagem do rio, o tempo parece vir do futuro: um dado acontecimento (por exemplo, a Copa do Mundo no Brasil) ainda não existe, é portanto futuro, será; a seguir, esse futuro aproxima-se para finalmente tornar-se presente, ele é; e enfim, distancia-se de nós, torna-se passado, foi. No segundo caso, segundo a imagem da flecha, o tempo parece correr no sentido contrário ao do rio, para o futuro: a Copa de 2010 precede à de 2014; o crú sempre precede o cozido; o nascimento dos seres precede a sua morte; ao envelhecerem, todas as coisas caminham para o seu fim (futuro). De um lado, com o tempo, as coisas parecem mover-se em direção ao passado; de outro, com o tempo, as coisas parecem mover-se em direção ao futuro. É estranho. O tempo seria, então, como o rio, em que nos encontramos ou como a flecha, que vemos passar? O futuro seria o que nos precede ou o que se segue ao nosso tempo? Este paradoxo espantoso talvez nos desvende uma das chaves do mistério do tempo.
 Sinopse do texto apresentado no Congresso O futuro não é mais o que era.
Fonte: Site do Congresso: http://ofuturonaoemaisoqueera.com.br/?

Um comentário:

Anônimo disse...

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