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Mostrando postagens de agosto, 2019

PSICANÁLISE E ARTE

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ESTÉTICA-SENSORIAL   (Lygia Clark 1920/88) A trajetória de  Lygia Clark  faz dela uma artista atemporal e sem um lugar muito bem definido dentro da  História da Arte . Tanto ela quanto a sua  obra fogem de categorias ou situações em que podemos facilmente enquadrar: a artista estabelece um  vínculo com a vida , e como podemos observar nos “ Objetos Sensoriais ” de 1966/68, a proposta de utilizar  objetos do nosso cotidiano : (água, conchas, borracha, sementes, etc), por exemplo, a intenção de desvincular o lugar do  espectador  dentro da  Instituição da Arte , que  passa estar em constante transformação . O fazer artístico de  Lygia Clark  traz a ideia de como se dá o processo de criação de uma  artista contemporâneo  e de como vai amadurecendo seu trabalho. A poética caminha no sentido da  não representação  e da  superação do  suporte . Propõe a  desmitificação d...

PSICANÁLISE E LITERATURA

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O estranho em Campo de Sangue Texto apresentado na reunião do Grupo de Leitura, em agosto de 2019. O livro escolhido para esse encontro foi  Campo de Sangue,  da escritora portuguesa Dulce Maria Cardoso. U ma das principais características do romance de Dulce Maria Cardoso é revelar o estranho que se esconde sob o manto do cotidiano. Por isso mesmo, sem uma leitura atenta, o texto de Dulce está fadado a perturbar, desconcertar e frustar a maior parte de seus leitores. Somos arrastados por um narrador que não tem a intenção de seduzir, nem confortar. Não é o tipo de livro que lemos de um só fôlego. Pelo contrário, é um texto que precisamos ler aos pouquinhos para não nos sentirmos enfadados.  Nosso personagem é um homem solitário. Vive numa pensão imunda, cujo prédio está prestes a desabar. Não tem um emprego, muito menos uma carreira profissional. Foi casado com uma mulher que se dizia apaixonada por ele, contudo, ele nunca soube o que era sentir...

PSICANALISE E LITERATURA

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Psicanálise e literatura: por que, hoje? Jean-Michel Rabaté  Tradução: Vanisa Santos No campo dos estudos literários, dizer que a psicanálise tenha pouca produção escrita é, de certa forma, um eufemismo. Mesmo que continue forte em estudos de filmes, história da arte, estudos da teoria  queer , de traumas, em discussões sobre o Holocausto, em abordagens pós-feministas, em ideologia crítica seguindo os lacanianos, como Slavoy Zizek, ou os filósofos neo-marxistas, como Alain Badiou ou Jacques Rancière, no que tange à literatura como tal, a invocação de Freud e de discípulos como Marie Bonaparte ou Erich Fromm, é apenas pretexto para uma boa risada. Vladimir Nabokov incorporou fortemente essa tendência ao resumir o que chamou de charlatanismo dos freudianos no Pale Fire. Kinbote, o comentador delirante do poema principal, cita Oskar Pfister, o caso de um jovem que não conseguia parar de pegar no nariz. Pfister escreveu que o paciente estava tão dominad...