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Sexta Aula Na primeira fase de seu ensino, entre 1936 e 1949, Lacan publica vários textos cujo foco é redefinir o narcisismo freudiano a partir de sua formulação do estádio do espelho, e de apresentar uma noção de sujeito articulado com o sentido. Em 1949, Lacan publica uma versão modificada de seu texto, O estádio do espelho como formador da função do eu, apresentado pela primeira em 1936, num Congresso de Psicanálise. Em O estádio do espelho, a partir da observação de sua própria filha, ele descreve a experiência de uma criança, entre seis e dezoito meses de idade, frente ao espelho. Para Lacan, nesta fase, apresentada como fase do espelho, a criança – tal como no mito de Narciso – se fascina e se identifica com a sua imagem, enxergada como outra no espaço virtual que lhe apresenta o espelho. Influenciado pela filosofia de Hegel, Lacan formaliza essa experiência empírica como paradigma da dialética do senhor e do escravo. Na fase do espelho, como em toda relação di...

CONVITE

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Camerata Florianópolis Teatro Governador Pedro Ivo 27 de Setembro - Domingo 20H00 Sinfonia Concertante para Violino e Viola Concerto no. 4 para Piano e Orquestra Jeferson Della Rocca - Maestro Alberto Andrés Heller - Piano Walesca Sieczkowska - Violino Paolo Finott - Viola [Italia] Ingressos: R$ 20,00 (Inteira) R$ 10,00 (estudantes, idosos e Clube DC)
Quarta e Quinta Aula Conforme Elizabeth Rudinesco, foi no convívio com Alexandre Koyré, Henry Corbin, Alexandre Kojève e Georges Bataille; que Lacan inicia-se na modernidade filosófica passando pela leitura de Husserl, Nietzsche, Hegel e Heidegger. Entre 1933 e 1939, Alexandre Kojève, jovem filósofo russo, ministra um curso sobre a Fenomenologia do Espírito, de Hegel. Influentes autores franceses de várias áreas disciplinares participam do Curso, entre eles: Raymond Quenau e André Breton – da literatura; Maurice Merleau-Ponty, Eric Weil, Raymond Aron e Pierre Klossowski – da filosofia; Roger Caillois – da antropologia; e Jacques Lacan. A partir de então, a teoria e a clínica lacaniana serão fortemente influenciadas pela leitura do filósofo russo, e a teoria do filosofo alemão. Sendo que um dos conceitos que mais sofreram estas influências foi, por certo, o do desejo. Não há como falar na noção de desejo em Lacan sem passar pela parábola da “dialética do senhor e do escravo”. ...
Segunda e Terceira aula O desejo no ensino de Freud Para Freud o desejo é um movimento que, frente à repetição da necessidade, procura reinvestir (recatexizar) o traço mnêmico da experiência de satisfação. Dessa definição, é possível destacar alguns termos: Movimento : O desejo é definido como uma moção, uma força que dirige o sujeito para um fim determinado. Essas moções do desejo fluem em direção aos objetos da realidade investindo-os de libido, num processo chamado de libidinização do objeto. Para Freud o primeiro objeto libidinizado é o Eu, dando origem ao narcisismo. As moções do desejo podem também mudar o seu curso – sublimação -, ou serem inibidas. Quando a realidade é muito hostil - lugar de privação e frustração permanente - apresenta-se o que se pode chamar de psicose da miséria : afrouxamento dos vínculos e dos investimentos da libido em relação à realidade. Repetição: No campo do desejo, podemos compreender a repetição como a insistência do desejo nã...

Primeiras Estórias

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Famigerado Guimarães Rosa Foi de incerta feita — o evento. Quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça? Eu estava em casa, o arraial sendo de todo tranqüilo. Parou-me à porta o tropel. Cheguei à janela. Um grupo de cavaleiros. Isto é, vendo melhor: um cavaleiro rente, frente à minha porta, equiparado, exato; e, embolados, de banda, três homens a cavalo. Tudo, num relance, insolitíssimo. Tomei-me nos nervos. O cavaleiro esse — o oh-homem-oh — com cara de nenhum amigo. Sei o que é influência de fisionomia. Saíra e viera, aquele homem, para morrer em guerra. Saudou-me seco, curto pesadamente. Seu cavalo era alto, um alazão; bem arreado, ferrado, suado. E concebi grande dúvida. Nenhum se apeava. Os outros, tristes três, mal me haviam olhado, nem olhassem para nada. Semelhavam a gente receosa, tropa desbaratada, sopitados, constrangidos coagidos, sim. Isso por isso, que o cavaleiro solerte tinha o ar de regê-los: a meio-gesto, desprezivo, intimara-os de pegarem o lugar ...
Referências Bibliográficas - Curso de 2009 - Castelo Branco , Guilherme, Olhar e o amor – A Ontologia de Lacan, Rio de Janeiro: Nau Ed., 1995. Capítulo 3 – “A coisa e o desejo” Derrida , Jacques, [2002] A Escritura e a Diferença, São Paulo: Ed. Perspectiva. - “Freud e a cena da escritura” Garcia-Roza , Luiz Alfredo. [1991] Introdução à Metapsicologia Freudiana 2 , Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. - Capítulo 3 – Impressão, Traço e Texto - Capítulo 8 – O Desejo Kaufmann , Pierre. [1996]. Dicionário Enciclopédico de Psicanálise , Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. Lacan , Jacques. [2005]. O Seminário livro 10, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. - Capítulo 8 – A causa do desejo Miller, Jacques-Alain. [1997] Lacan Elucidado: palestras no Brasil, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. - Capítulo I - O mal-entendido Neri , Regina. [2005] A psicanálise e o feminino : um horizonte da modernidade, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. - Capítulo 1 - Da invenção da Razão à Crise da Razão. ...
O grupo de estudo de Fenomenologia é coordenado por Elizia Cristina Ferreira . blog: www.reflexoespontyanas.blogspot.com/ e-mail: eliziacristina@hotmail.com ########
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CONVITE Grupo de Estudos: "A fenomenologia da percepção" Horário: 14H00 às 16H00 Dia: Quinta Feira Local: NIM - Núcleo de Investigações Metafísicas (sala 207 - prédio novo CFH) Serão fornecidos certificados para os participantes. ####
Para acessar a obra de Freud e Lacan na rede. FREUD: http://www.4shared.com/network/search.jsp?sortType=1&sortOrder=1&sortmode=2&searchName=freud&searchmode=2&searchName=freud&searchDescription=&searchExtention=&sizeCriteria=atleast&sizevalue=10&start=0 LACAN: http://www.4shared.com/network/search.jsp?sortType=1&sortOrder=1&sortmode=2&searchName=lacan&searchmode=2&searchName=lacan&searchDescription=&searchExtention=&sizeCriteria=atleast&sizevalue=10&start=0

Corpoalíngua 4 x 4

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Primeira Aula 18 de agosto de 2009 Neste semestre começamos o quarto curso vinculado ao Grupo de Estudo de Arte, Filosofia e Psicanálise . A proposta desse grupo, desde o início do projeto, é abrir um diálogo entre este saber – a filosofia –, e os dois processos de criação, ou melhor, de invenção (pois, inventar é dar uma nova forma a algo que já existe), que são o trabalho do artista e o trabalho do psicanalista. Relaciono o trabalho do psicanalista ao trabalho do artista, por acreditar que o que está em jogo no divã, se aproxima muito mais do procedimento de invenção de um saber, do que de um procedimento epistemológico. Podemos dizer: Assim como Marcel Duchamp, inventou um vaso sanitário como objeto de arte; em uma análise, inventamos um nome para objeto a . Essa nomeação vai gerar uma série de efeitos sobre a forma do gozo e no modo de operar o desejo de um sujeito. Sobre o curso desse semestre, eu gostaria de iniciar apontando três intenções: Em primeiro lugar...

Libertinagem

Giordano Bruno : “Meus pensamentos são meus cães. Eles me devoram.” Diderot : “Meus pensamentos são minhas prostitutas. Eu os deixo livre para seguir a primeira idéia.” Jacques-Alain Miller: O que é libertinagem? É gozar, sem dúvida, mas gozar sem ser escravo do seu gozo. É, pelo contrário, ser dono do seu gozo. Trata-se de amar sua pulsão na indiferença do objeto, uma ou outra. É essencialmente não desposar nenhum pensamento, mas extrair de cada um uma satisfação que não aprisiona.

CURSO PSICANÁLISE

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O que causa o teu desejo? O desejo na clínica lacaniana ##### Sabemos que a natureza última do desejo é da categoria do impossível, mas, sabemos também, que a nossa experiência cotidiana como sujeitos desejantes não acontece nesse nível. O lugar dos objetos do desejo é o campo das representações da realidade e dos objetos ditos reais. Nesse campo, não falamos o desejo, mas do desejo. Na vida cotidiana caminhamos em direção a objetos secundários que aparecem para a consciência como objetos possíveis cujo alcance depende pelo menos em parte de nossa ação voluntária, consciente. Em Freud, a realidade e seu Princípio só se introduzem no campo do desejo a partir do fracasso da satisfação alucinatória através da qual o psiquismo da criança tenta contentar as demandas imediatistas e onipresentes do Princípio do Prazer. O fracasso, parcial, do Princípio do Prazer inaugura a um só tempo três instâncias para a psique: o tempo, a realidade e o sujeito. O sujeito, visto aqui, ...

CURSO

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Curso de História da Arte: Introdução ao Pensamento Plástico Ministrante: MSc. Ligia Czesnat Local: Museu Victor Meirelles Número de aulas: 4 aulas de 2:30 hs. Início: 10/08/09 Horário: 18H30 as 21H00 Ementa: Analisar conceitos importantes para a compreensão do pensamento plástico, decorrentes dos conflitos entre a percepção verbal e a invenção plástica. Entendendo que a obra de arte pictórica fala por si, e, portanto, esta fronteira porosa será enfrentada a partir de conceitos da própria pintura, além de imagens anacronicamente extraídas da História da Arte, buscando uma interlocução entre o visível-visual e o visível-dizível. 1ª aula: Pintura como Catástrofe . Com a utilização de um conceito instrumental deleuziano de catástrofe, procurar-se introduzir outra noção sobre a criação plástica, a partir da formulação de conceitos relacionados com a pintura em momentos diferentes da história da arte. 2ª aula: Pintura Narrativa X Pintura Figural. Usando o conceito de feito pictórico, compr...

Da amizade como modo de vida

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De l'amitié comme mode de vie. Entrevista de Michel Foucault a R. de Ceccaty, J. Danet e J. le Bitoux, publicada no jornal Gai Pied, nº 25, abril de 1981, pp. 38-39. Tradução de wanderson flor do nascimento. Você tem cinquenta anos. É um leitor deste jornal que existe há dois anos. O conjunto destes discursos te parece algo de positivo? Que o jornal exista, é algo de positivo e importante. Ao seu jornal, o que eu pediria era que, lendo, eu não tivesse que colocar a questão da minha idade. Ora, a leitura me força a colocá-la. E eu não fiquei muito contente com a maneira que fui levado a fazê-lo. Muito simplesmente, eu não teria lugar ali. Quem sabe o problema seja da faixa etária dos que colaboram e dos que lêem: uma maioria entre 25 e 35 anos. É claro. Quanto mais escrito por pessoas jovens, mais diz respeito às pessoas jovens. Mas o problema não é ceder lugar a uma faixa etária de um lado a outro, mas saber o que se pode fazer em relação à quase identificaç...

Convite

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########### As Sonatas para piano de Wolgang Amadeus Mozart Com o pianista e compositor Alberto Adré Heller Dia 06 de Agosto - Quinta Feira 19H00 Teatro Alvaro de Carvalho - TAC Sonata nr.6 em ré maior (“Dürnitz”), KV 284 (München, 1775) Allegro / Rondeau en Polonaise: Andante / Andante (tema com 12 variações) Sonata nr.7 em dó maior, KV 309 (Mannheim, 1777) Allegro con spirito / Andante un poco adagio / Rondeau: Allegretto grazioso Sonata nr.8 em ré maior, KV 311 (Mannheim, 1777) Allegro con spirito / Andante con espressione / Rondeau: Allegro Sonata nr.9 em lá menor, KV 310 (Paris, 1778) Allegro maestoso / Andante cantabile con espressione / Presto

Lições de Stonewall a São Paulo

1969, Stonewall, Nova York. 2009, atentado com bomba na Parada Gay em São Paulo. Após sucessivas batidas policiais com humilhação e prisão no Bar Stonewall, reduto gay do Greenwich Village em NY, os homossexuais reagiram e se rebelaram contra a polícia; a rebelião ganhou o apoio dos passantes e os policiais recuaram. É o marco histórico do início do movimento de emancipação e liberação dos homossexuais e do combate à homofobia. No ano seguinte, deu-se a primeira Parada Gay. Em São Paulo, além da bomba atirada numa sacola do alto de um prédio, outras agressões deixaram rapazes feridos. Um deles morreu. Aos 40 anos de Stonewall, ataques como o de São Paulo estão além da homofobia. São atos de homoterrorismo. Apesar das transformações nos costumes e leis e da maior liberdade de expressão da opção sexual, prevalece, mundo afora, a repressão através de atos de guerra. No Brasil, o número de assassinatos de homossexuais aumentou 55% em 2008 em relação ao ano anterior, revela a pesquis...

Semínário XVIII

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۝۝۝۝۝ Acaba de chegar às livrarias o Seminário XVIII de Lacan: de um discurso que não fosse semblante . S obre este Seminário, anuncia Jacques-Alain Miller: “Título enigmático, à primeira vista. Forneçamos a chave: trata-se do homem e da mulher – de suas relações mais concretas, amorosas e sexuais, na vida do dia a dia, sim, bem como em seus sonhos e fantasias. Isso nada tem a ver, é claro, com o que a biologia estuda sob o nome de sexualidade. Mas será preciso, por isso, deixar esse campo entregue à poesia, ao romance, às ideologias? Tenta-se aqui fornecer dele uma lógica. É ardiloso.” ۝۝

O Discurso, O Desejo

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Em uma sociedade como a nossa, conhecemos, é certo, procedimentos de exclusão . O mais evidente, o mais familiar também, é a interdição . Sabe-se bem que não se tem o direito de dizer tudo, que não se pode falar de tudo em qualquer circunstância, que qualquer um, enfim, não pode falar de qualquer coisa. Tabu do objeto, ritual da circunstância, direito privilegiado ou exclusivo do sujeito que fala: temos aí o jogo de três tipos de interdição que se cruzam, se reforçam ou se compensam, formando uma grade complexa que não cessa de se modificar. Notaria apenas que, em nossos dias, as regiões onde a grade é mais cerrada, onde os buracos negros se multiplicam, são as regiões da sexualidade e as da política: como se o discurso, longe de ser esse elemento transparente ou neutro no qual a sexualidade se desarma e a política se pacifica, fosse um dos lugares onde elas exerçam, de modo privilegiado, alguns de seus mais temíveis poderes. Por mais que o discurso seja aparentemente bem pouca ...

Inconsciente

۝۝۝ Algumas associações sobre o inconsciente, a partir das questões levantadas por Nasio. ۝۝۝ “o sonho é a epifania do outro”. Maria [23/06/09] O sonho é a epifania do outro... 09 de julho e já não me lembro mais em que contexto foi me dado a frase. Leio-a aqui, como coisa do dia, e flutuam os vocábulos, cada um grávido de si, o sonho, a epifania, o outro. O inconsciente, pois, redunda operativo, no tropeço, no impossível do inconsciente do outro. O que existe então é um inconsciente posto às claras no encontro. Onde a conversa, não é propriamente conversa, é uma fala que se dá às avessas. Há tempos de uma captura colossal. Segundos, às vezes, e basta um segundo. Neste tempo não há cronologia, o deus se isenta, extinto da lógica, do logos numérico, retórico, discursivo. Um entre-reinos, interregno, uma fenda, um furo, uma passagem, entre caos e cosmos. Caosmose, fala Guattari. Numa língua dura e deslizante. O insconsciente feito usina, máquina desejant...