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Clarice Lispector por Hélène Cixous

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Hélène Cixous: A arte de Clarice Lispector Nascida em 1937 na cidade de Oran, Argélia, Hélène Cixous descobriu a França em 1955, dada a expulsão de seus pais da Argélia, devido à perseguição antissemita. Nesse ano, afirma ter adotado uma nacionalidade imaginária que é, aliás, a de vários outros escritores – a nacionalidade literária. Anglicista e especialista em Joyce, Hélène Cixous foi amiga de Jacques Lacan (1901-1981), assim como de Jacques Derrida (1930-2004). Teve participação decisiva na formação da Universidade de Vincennes, onde criou o Departamento de Estudos Femininos – que foi o primeiro da Europa –, e é considerada uma das mães da teoria feminista pós-estruturalista. Sua obra literária é considerável: poesia, romance, teatro, ensaio. Com o ensaio  L’heure de Clarice Lispector (“A hora de Clarice Lispector”), divulgou a obra da escritora brasileira na França e, em 1989, recebeu do Brasil a Ordem do Cruzeiro do Sul por sua contribuição à difusão da noss...

DO GOZO FEMININO

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O êxtase de Santa Tereza D'Avila F RAGMENTO  NÃOTODO Sérgio de Campos N o que tange ao gozo feminino, é possível afirmar que nele há algo de extravio, por não seguir a lógica fálica. Esse extravio é resultado de um gozo  nãotodo  que se revela para ambos, homem e mulher, como opaco, difuso e enigmático. Apesar de a mulher senti-lo, pouco ou nada pode esclarecer sobre ele. Não há nada nele de transmissível ou compartilhável. Esse gozo está relacionado exclusivamente ao amor. Porém, por ser sem limites e difuso, não tem necessariamente conexão com o ato sexual, já que está contido de maneira variada nas diversas modalidades de gozo na mulher. Com uma mulher, o homem se prepara para cantar o amor ou a guerra. Com efeito, a guerra que a mulher evoca não é fruto da inveja do pênis ou do desejo insatisfeito, mas o fato de ser a hora da verdade do homem. Portanto, como suporte dessa verdade, ele prefere enfrentar qualquer inimigo a uma mulher....

O FEMININO E A ARTE - PRIMEIRO SEMESTRE 2019

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l'abandon - Camille Claudel QUERO UMA VERDADE INVENTADA MEMÓRIAS, LINGUAGENS E ESCRITAS Dia: Segundas Feiras Horário: Das 15H00 às 17H00 Local: USINADIZER - Rua Rio Branco, 533 - sala 301 - Centro - Florianópolis Início: 11 de Março de 2019 Valores: Inscrição Mensal - R$ 100,00                 Inscrição por encontro - R$ 50,00 Bem vindos a Usina Dizer , o novo espaço de encontro do Grupo Arte, Filosofia e Psicanálise.  Nesse novo endereço, continuaremos lendo, discutindo e questionando as relações entre a arte, a filosofia e a psicanálise.  No primeiro semestre de 2019, nossa proposta de trabalho estará focada no território, insólito e invulgar, das relações entre o Feminino e a Arte. Para tanto, faz-se necessário, primeiramente, levantar questões que imprimam movimento no desejo de saber. Pois, sem a instituição de um desejo, nós, sujeitos de desejo, não arriscamos a nos lançar ao ...

A REPETIÇÃO NA TEORIA LACANIANA: TIQUÊ E AUTOMATON

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REPETIÇÃO E PULSÃO DE MORTE:  um comentário sobre Leila Doris Rinaldi A psicanálise, como afirma Lacan no Seminário XI (1964), é uma praxis orientada para aquilo que  no coração da experiência é o núcleo do real. A importância que o conceito de Repetição assume  na teoria psicanalítica está intimamente vinculada a esta demarcação do vetor de orientação do campo psicanalítico, na medida em que ela não pode ser pensada independentemente de uma praxis.  Foi justamente a partir de observações clínicas  que  Freud teve a sua atenção despertada para o fenômeno da Repetição. Desde a formulação da noção de uma representação coercitiva ( Zwangsvorstellungen ), que apresenta em 1894 no texto  “As psiconeuroses de defesa”, ele já esboça o conceito de repetição como algo constituinte do funcionamento psíquico. Em 1914, ao se deter sobre os fenômenos da transferência na clínica, dá à noção o estatuto de um conceito, ao identificar a compulsã...

AGRADECIMENTOS

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Estamos fechando mais um ano de trabalho do Grupo de Estudo de Arte, Filosofia e Psicanálise. Novas imagens veem compor nosso álbum de memórias. Imagens que, ano a ano, vão enriquecendo nossa narrativa iconográfica. No simples movimento de recordar, surge como sombras chinesas, a lembrança de diversos momentos de discussões acaloradas, mas, também, os momentos de concordâncias apaziguadoras. Daqueles momentos, quase arrebatadores, onde se dá a compreensão sensível de um conceito, uma ideia; que até então era só conhecimento cognitivo.  Nosso maior orgulho é o de manter um núcleo atuante, durante tantos anos, como grupo de discussão presencial. A cada semana, durante duas ou três horas, nos encontramos para falar, escutar, apreender ou ensinar temas que circulam entre a psicanálise, a literatura e a arte. Nesses encontros, nada de tecnologia, nada de rede social, só o bom e velho hábito de estar participando de um diálogo aberto com os colegas.  Do Grupo fo...

DON GIOVANNI

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Don Giovanni e as vozes do desejo Bernard Baa s Um caso embaraçoso Don Juan – nós o sabemos – é a figura, por excelência, do sedutor. Não ficamos, portanto, espantados com o fato de que o autor do Diário do Sedutor lhe tenha prestado atenção particular. Para Kierkegaard, com efeito, Don Juan é a encarnação do desejo, é o desejo em ato: É apenas enquanto deseja que ele [Don Juan] se encontra em seu elemento (KIERKEGAARD, 1943, p. 80) . Podemos, por outro lado, nos espantar com o fato de que Lacan, inteiramente ocupado com sua teoria do desejo, tenha consagrado apenas algumas observações, pontuais, alusivas e até mesmo obscuras, a esta figura emblemática do desejo, mesmo que ele tenha um dia declarado que a imagem de Don Juan é capital (LACAN, 1975 [1972-73], p. 15). Pode-se crer que ele não sabia muito bem o que fazer de Don Juan. No máximo, ele soube o que fazer com Don Juan, mais precisamente com o Don Giovanni de Mozart, já que este também lhe serv...