segunda-feira, abril 14, 2008

O Inconsciente Freudiano

3ª. Aula

O inconsciente freudiano


Ao criar a noção do inconsciente, Freud delimitou desde 1895 – Projeto para uma Psicologia Científica – a idéia de uma tópica psíquica estruturada segundo um modo plurissistêmico, com articulações e interferências intra e intersistêmicas de uma sutileza que ele não cessará de precisar no prolongamento de sua obra.
Processos psíquicos do ponto de vista Sistemático

Concepção Tópica: Supõe uma diferenciação do aparelho psíquico num certo número de sistemas dotados de características ou funções diferentes e dispostos numa certa ordem uns relativamente aos outros, o que permite considerar metaforicamente como lugares psíquicos de que podemos fornecer uma representação figurada espacialmente.
Dimensão Dinâmica: Considera os fenômenos psíquicos como resultantes do conflito e de composição de forças.
O inconsciente exerce uma ação permanente, exigindo uma força contrária, igualmente de forma permanente, para lhe interditar o acesso à consciência.
O caráter dinâmico pode ser ilustrado pela noção de “formações de compromisso”, que devem a sua consistência ao fato de ser mantidas ao mesmo tempo dos dois lados. (Sintomas, Sonhos)
Função Econômica: Hipótese segundo a qual os processos psíquicos consistem na circulação e repartição de uma energia quantificável, isto é, susceptível de aumento, de diminuição e de equivalências.

Estimulos (int/ext) Percepção↗/___/_/_/_______/↘ Motilidade

Percepção→→→Traços de percepção→→→inconscinte
→→→
pré-consciência→→→Consciência

Toda a nossa atividade psíquica inicia-se a partir de estímulos (interno ou externo) e termina em enervações. Por conseguinte, atribuímos uma extremidade sensória e uma extremidade motora ao aparelho.
O sistema perceptivo recebe os estímulos sensórios, mas não os registra nem os associa, isso porque ele necessita ficar permanentemente aberto aos novos estímulos.
As funções de armazenamento e de associação ficam reservadas aos vários sistemas mnêmicos que recebem as excitações do sistema perceptivo e as transforma em traços “permanentes”.


A experiência de satisfação produz um traço mnêmico que é a imagem (sensorial) do objeto que proporciona a satisfação.

imagens mnêmicas/imagens sensoriais
traços de memória/traços mnêmicos


Sistema Inconsciente
Processo primário – energia livre – princípio do prazer.
Comparado ao Pcs/Cs, o Inconsciente se caracteriza por uma grande mobilidade das intensidades de investimento, e que, do ponto de vista econômico, corresponde à livre circulação de energia de uma representação para outra. Essa circulação não se faz de forma anárquica, mas segundo as leis da condensação e do deslocamento. Pelo deslocamento, uma representação pode receber de uma outra toda a sua carga de investimento, e pela condensação ela pode receber o investimento de várias outras representações.
Portanto, condensação e deslocamento correspondem ao modo de funcionamento do processo primário, característico do sistema Ics.


Sistema Pré-Consciente/Consciente.
Processo secundário – energia ligada – princípio da realidade.
O sistema Pcs/Cs, funciona segundo o processo secundário, cuja característica é um investimento mais estável das representações, acompanhado do investimento do eu e por uma inibição dos processos primários.
Ou seja, enquanto os processos Ics procuram satisfação pelo caminho mais curto e direto, os processos Pcs/Cs, regulados pelo princípio de realidade, são obrigados a desvios e adiamentos na busca de satisfação.

Vorstellung = representação = imagem/traço
Affekt = afeto = intensidade/investimento.
Triebrepräsentanz = representante pulsional:
Instituído pela ação do recalcamento, o inconsciente é, de fato, constituído por representações da pulsão que querem descarregar seu investimento, portanto por moções de desejo. Essas moções pulsionais são corrdenadas umas às outras, persistem umas ao lado das outras sem se influenciar reciprocamente e não se contradizem entre si.
A representação-objeto não é a representação de um objeto externo existente no mundo, não é a coisa (Ding) do mundo que fornece à representação-objeto sua unidade e seu conceito (cadeira, mesa, pessoa, etc); o que a coisa externa fornece são “associações de objeto”, isto é, imagens elementares visuais, acústicas, táteis etc, que, a partir da relação com as representações-palavra, irão formar o objeto.
Vorstellungsrepräsentanz = representante da representação
Representante + afeto = traço + investimento
.

Freud não é um gestaltista; a percepção não capta estruturas, algo já organizado, mas sim elementos sensoriais dispersos que serão posteriormente organizados. Como o aparelho recebe impressões elementares, atomísticas, ao invés de receber gestalten, formas, e como os traços mnêmicos são traços de impressões, os primeiros sistemas são constituídos apenas por imagens elementares, exatamente as que serão reativadas quando do funcionamento regressivo do aparelho. (trabalho onírico)
Se todo traço é traço de uma impressão, quando houver simultaneidade ou semelhança de impressões perceptivas, haverá conexão dos traços. É o que Freud chama de associação, ou cadeia associativa.

O inconsciente não conhece nem o tempo (as diferenças passado/presente/futuro estão abolidas), nem a contradição, nem a exclusão induzida pela negação, nem a alternativa, nem a dúvida, nem a diferença dos sexos. Substitui a realidade externa pela realidade psíquica. Obedece a regras próprias que desconhecem as relações lógicas conscientes de não-contradição e de causa e efeito, que nos são habituais. Uma inscrição inconsciente pode persistir e se mostrar sempre ativa, ressurgindo sob uma forma travestida.
Só tomamos conhecimento do inconsciente por suas “formações” (Lacan), ou seja, o não dito significativo do branco do esquecimento, um dizer surgido dos sonhos, chistes, atos falhos, uma escrita: tudo aquilo que constitui sintoma no modo do compromisso surpreendente e que constitui “alíngua” (Lacan), e em que, sob forma da matáfora/metonímia, a verdade do desejo insiste e se repete em múltiplas demandas.

RecalqueFreud concebe o recalque como um mecanismo que opera na linha divisória entre os sistemas Ics e Pcs/Cs e, mais ainda, ele o concebe inicialmente como uma atividade do segundo sistema sobre o primeiro. Sendo assim, antes da clivagem da subjetividade em dois sistemas distintos, não podemos falar em recalque.

A passagem do conteúdo inconsciente para a consciência não é da ordem da transcrição, mas da tradução. O pensamento consciente na sua secundariedade é original e irredutível.

A pulsãoA pulsão é uma força (drang) que necessita ser submetida a um trabalho de ligação e simbolização para que possa se inscrever no psiquismo propriamente dito.

1900 – A Interpretação de Sonhos - Cap. 7 – Freud utiliza a noção de apoio. As pulsões se apóiam no instinto não para confundir-se com ele, mas para desviar-se dele. Ou seja, a pulsão é, fundamentalmente, a perversão do instinto.
O instinto é um padrão fixo de conduta.
A pulsão é um impulso anárquico.



2 comentários:

LADY DARK ANGEL disse...

pabens bm simples

Anônimo disse...

muito obrigado, pela forma didática e em alguns pontos visuais, o que muito me ajudou.
Nivaldo Didini Coelho

CURSO DE PSICANÁLISE

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