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Mostrando postagens de maio, 2012

Luto e perplexidade

Aprendemos que tudo tem razão de ser - e aí vem a tragédia do menino de 10 anos que se matou Luto e perplexidade Artigo publicado no Estadão – Caderno Aliás - 25 de setembro de 2011 JORGE FORBES Escrevo o que ninguém quer ler nem ouvir falar: não existe nenhuma fórmula, nenhum procedimento ou protocolo que tenha capacidade de prever uma atrocidade como a de um menino de 10 anos roubar o revólver do pai; esconder a arma, quando perguntado pelo próprio pai; atirar na sua professora; e em seguida se matar. É esperado que sejamos nestes próximos dias bombardeados com detalhes da vida desse menino: suas leituras, amizades, humores, ascendência familiar, credos, hábitos, notas escolares, desenhos, bilhetes eletrônicos, tiques, sexualidade, estranhezas. Tudo é bom, tudo serve, para a tentativa desesperada de estabelecer um nexo causal. Somos filhos do Iluminismo. Aprendemos desde pequenos que tudo tem uma razão de ser e, se não compreendemos, a falha não está no sabe...

Finnegans Wake de James Joyce

Dirce Waltrick do Amarante lança guia de leitura sobre James Joyce Esse trabalho não é novo, mas vale a pena conhecer. Ieda Magri, Jornal do Brasil Para ler Finnegans Wake de James Joyce , de Dirce Waltrick do Amarante, é uma entrada nos bastidores da elaboração do último livro do escritor irlandês, uma espécie de guia de leitura bastante sofisticado, já que não se furta de comentar os muitos estudos feitos por pesquisadores do mundo inteiro sobre este romance considerado de difícil leitura, e ainda uma ousada investida na tradução de um de seus capítulos, o oitavo, intitulado Anna Livia Plurabelle . Desse modo, pode-se pensar nele como uma enorme ficha de leitura que acompanha esta obra de James Joyce, já traduzida no Brasil, primeiro por Augusto e Haroldo de Campos, e depois por Donald Schüller, esta em versão integral. As duas traduções brasileiras são amplamente citadas e recomendadas pela autora, cujo esforço mais visível e digno de nota é oferecer tanto ao lei...

"Só um novo humanismo pode frear o niilismo", afirma Julia Kristeva

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" A necessidade de acreditar é uma necessidade pré-política e pré-religiosa, sobre a qual se apoia o desejo de saber. Reconhecendo a importância dessa necessidade, nós, ateus, podemos favorecer o diálogo entre crentes e não crentes, para combater, de um lado, o niilismo e de outro, o integralismo". Linguista e psicanalista, ensaísta e romancista, Julia Kristeva , depois de "Il genio femminile " [O gênio feminino], a trilogia dedicada a Hannah Arendt , Melanie Klein e Colette , publicou "Bisogno di credere" [Necessidade de crer] (Ed. Donzelli), um texto em que, mesmo sem renunciar às suas convicções filhas do Iluminismo, confronta-se com o universo da fé. Um diálogo que atravessa também "Teresa mon amour. Santa Teresa d`Avila: l`estasi come un romanzo" (Ed. Donzelli), um livro entre romance e ensaio, que analisa a personalidade e os escritos da santa espanhola do século XVI. Justamente sobre Teresa D`Ávila , a estudiosa francesa falou...
Os Programas de Pós-Graduação em Literatura e em História convidam para a palestra “MUDAR DE VIDA” PRECISA DA ARTE ? Resumo: Um ensaio de cartografia, mesmo breve, dos modos de solicitação dirigidos às práticas artísticas pelo imperativo ético-político “mudar de vida” envolve sempre uma reflexão sobre os vínculos históricos da arte, ou melhor, o tipo de eficácia da arte no tempo. A comunicação incide, de um modo particular, na complexidade controversa que carateriza o período entre-as-duas guerras. ANTÓNIO PEDRO PITA Professor catedrático da Faculdade de Letras Universidade de Coimbra Coordenador científico do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX – CEIS20 Dia: 21 de maio Horário: 14h30 Local: Sala Machado de Assis – CCE 4 andar

CONVITE

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O que a arte pode ensinar aos psicanalistas

Lia Fernandes Resumo: Poderíamos, como psicanalistas, ouvir uma obra de arte sem considera-la como mero suporte de fantasias inconscientes do autor? Este trabalho propõe tomar a produção artística como revelação própria de cada artista acerca do humano, das alienações, angústias e excessos inominados de um tempo histórico. Além disso, destaca o enigma inerente ao fazer artístico em relação ao qual ao analista caberia mais aprender do que decifrar. Palavras-chave Psicanálise : arte; interpretação; contemporaneidade; criação; estética. A ponte Rígido e frio, eu era uma ponte, uma ponte estendida sobre o abismo. Deste lado estavam as pontas dos pés, do outro as mãos, que eu metera pelo barro adentro a fim de segurar-me. As abas de minha casaca tremulavam-me nos flancos. Lá no fundo corria, ruidoso, o gélido riacho de trutas. Turista algum errava por aquelas alturas intransitáveis; a ponte ainda não figurava nos mapas. – Assim, ali estava eu à espera: cumpria-me es...