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Mostrando postagens de setembro, 2013

O Sinthoma - Seminário 23

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O Seminário 23 é um dos últimos e mais complexos seminários de Jacques Lacan, sobre a não menos complexa obra de James Joyce, autor de obras clássicas como Retrato do artista quando jovem e Ulisses . Lacan interessou-se por estudá-lo pela peculiar relação entre Joyce, o processo de escrita de seus livros e o fato de ele se colocar fora da via da psicanálise. No livro, Jacques Aubert, especialista em James Joyce, redigiu notas de leitura sobre as passagens de Joyce mencionadas por Lacan. O Seminário, livro 23 traz ainda uma palestra que Jacques Aubert apresentou durante o seminário, revista por ele especialmente para essa obra. E também: "Joyce, o sintoma", palestra que Lacan apresentara na Sorbonne em 1975. Trecho do Seminário 23 : Não está lá essas coisas e vou lhes dizer por quê. É que estou ocupado em absorver, em torno da obra de Joyce, a enorme literatura que ele provocou. Ainda que esse termo o repugnasse, foi de fato isso que ele provocou, e o provocou ...

Psicanálise e Linguística

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Assim começa o primeiro capítulo do Livro Os nomes indistintos, de Jean-Claude Milner. Um ótimo texto. Uma leitura indispensável para aqueles que ousam atravessar a teoria lacaniana. "Existem três suposições. A primeira, ou melhor, uma delas, pois já é demais pôr ordem nisso, por mais arbitrária que seja, é que há: proposição tética que só tem por conteúdo sua própria posição – um gesto de corte, sem o qual não há nada que exista. Chamaremos isso de real ou R. Outra suposição, dita simbólica ou S, é que há alíngua, suposição sem a qual nada, e singularmente nenhuma suposição, poderia ser dita. Uma outra suposição, enfim, é que há semelhante, na qual se institui tudo o que constitui laço: é o imaginário ou I. De algumas dessas suposições deduzem-se, por análise, séries de proposição que se encadeiam. Assim, do fato de haver semelhante concluiremos que há dessemelhante e, daí, que há relação, já que basta dois termos serem considerados semelhantes ou dessemelhantes p...

Questões da Modernidade

Modernidade Triste? No século 4 da nossa era, nos mosteiros da Europa, a tristeza, "accidia" em latim, era considerada pecado grave, e as regras monásticas se esforçavam para identificá-la e combatê-la. Mesmo assim, muitos monges continuavam tristes. A Europa era uma desolação. Das janelas de seus oásis de (relativa) tranquilidade, os monges podiam enxergar o horror. A cultura clássica, grega e romana, era esquecida --ignorada pela imensa maioria de iletrados ou perdida no descaso pelos manuscritos antigos. O desabamento do Império Romano transformara o território em uma terra de ninguém, em que o poder ficava com as hordas de mercenários e bandidos ocasionais. Suficiente para qualquer um ficar triste. Mas talvez haja uma razão menos contingente para a tristeza aparecer como uma nova aflição, bem na hora em que a cultura clássica deixava seu lugar ao cristianismo. É irônico, aliás, que a dita tristeza ameaçasse logo os monges, que eram guardiões dos textos greg...

Psicanálise e Fenomenologia

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Corpo segundo Merleau-Ponty e Lacan A ambigüidade do corpo em Merleau-Ponty A filosofia de Merleau-Ponty, ao longo de suas diferentes fases, insiste em um duplo aspecto da existência corporal. Imaginemos que minha mão direita toque minha mão esquerda. É evidente que a mão que toca é tocada pela outra, o que implica uma ambiguidade essencial, de modo que não podemos dizer que mão toca e que mão é tocada. Para Merleau-Ponty, na medida em que o pensamento objetivo se recusa em aceitar tal equivocidade (pois deve haver sujeito da ação e um objeto), tal recusa se converte em recalcamento do corpo em geral, reduzido a um mais objeto entre outros – objeto que, no entanto, não aceita esse estatuto.  De onde vem o recalcamento? E como evitá-lo? O pensamento objetivo é o pensamento comum, pensamento que sempre implica o outro. Talvez nessa referência à alteridade poderíamos compreender o recalcamento do corpo próprio. Merlau-Ponty sempre procurou sublinhar a ...

Peter Sloterdijk

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O filósofo alemão Peter Sloterdijk desenvolve neste livro uma série de reflexões feitas a partir da morte de Derrida. Mais do que uma simples homenagem, trata-se de lançar um olhar entre o modesto e o extremamente ambicioso sobre uma obra de cerca de oitenta volumes. Em vez de monumentalizar o conjunto dos textos de Derrida, tenta-se revê-lo com o recurso da pirâmide e de seu significado na civilização egípcia, além de expor o modo como se deu o advento do monoteísmo. Afirma o autor: "[...] já se pode ter desenhado o contorno principal de um retrato filosófico de Derrida: sua trajetória se definiu pelo cuidado vigilante de não se deixar fixar numa identidade determinada - cuidado este afirmado tanto quanto a convicção do autor de que seu lugar só podia se situar na linha de frente mais avançada da visibilidade intelectual." A hipótese de Sloterdijk propõe que o pensamento derridiano corresponderia a um tempo em que os autores, em vez de tratar diretamente dos assuntos, ...

A clínica Psicanalítica

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"A Clínica" Psicanalítica,  fragmento do texto de Marcio Peter de Souza Leite ... Existem várias maneiras de se abordar a clínica. Uma são os casos clínicos de Freud; outras seriam os escritos técnicos, que na verdade são teorizações, indicando que a oposição “teoria e técnica” merece sempre uma ressalva. A tradição de Freud é propor a clínica psicanalítica como a clínica do particular. Por isso, não se poderá extrapolar a estrutura psíquica de um paciente independentemente da situação em que ela foi investigada, porque o analista participa do campo em sua investigação. Então, ao propor-se o estudo de um caso clínico, o que estaria se fazendo, seria o estudo do vínculo analítico em que o analista está envolvido. Uma outra possibilidade de refletir-se sobre os procedimentos do analista, seria pela procura de invariantes das ações, atitudes e posturas que ele toma na situação analítica, verificando-se a constância de algumas ações, independentemente das...