segunda-feira, junho 29, 2015

Ensaios sobre EDUCAÇÃO

Dicas infalíveis para descascar ovo cozido facilmente

Após cozinhar os ovos, leve a panela para debaixo da torneira e deixe cair água por cerca de 1 minuto. Depois disso, adicione gelo à panela e espere cerca de 15 minutos. Em seguida, bata o ovo gentilmente em uma superfície dura e role para frente, dando uma leve pressionada. Puxe a pele com facilidade. Veja como:
A Sociedade de Educação Nossa Senhora Auxiliadora Ltda., mantenedora do Centro Universitário FACVEST, na Cidade de Lages, no Estado de Santa Catarina, vem oferecendo a comunidade desde junho de 2001, vinte e oito cursos de graduação, entre eles o bacharelado em Engenharia Civil. As instituições de ensino superior dependem de autorização do Ministério da Educação para implantação de cursos de graduação, a exceção são as universidades e centros universitários que, por terem autonomia, independem de autorização para funcionamento de curso superior. No entanto, essas instituições devem informar à secretaria competente os cursos abertos para fins de supervisão, avaliação e posterior reconhecimento, conforme disposto no art. 28 do Decreto nº 5.773/2006.
Quando somos criança nossos pais vivem perguntando o que vamos querer ser quando crescermos e aí, vem um turbilhão de profissões: psicólogo, médico, bombeiro, secretário, professor, jornalista, comandante, dentista, político. Ufa! E o mais chistoso é que, na medida em que vamos crescendo, voltamos aos nossos pais e dizemos: “agora mudei de idéia, quero ser engenheiro porque ganha muito dinheiro”. Entretanto, a pergunta mais importante a ser feita seria, que resultados eu desejo alcançar quando chegar ao ápice de minha vida profissional. A instituição, os professores e a ementa do curso de graduação que escolhi contemplam as múltiplas habilidades, os conhecimentos generalistas e atuais mínimos necessários para minha formação profissional?
As primeiras cidades surgiram há cerca de 9.000 anos antes de Cristo na região entre a África e a Ásia, conhecida pelo nome de Crescente Fértil. No entanto, o engenheiro só recebe esse nome na Idade Média, quando os construtores dos aríetes, das catapultas e de outros “engenhos” bélicos foram denominados ingeniators, pelos autores latinos.
Nos últimos meses, estranhos sons assombram a Abadia de Westminster. Com certeza é Smeaton a se revirar em sua tumba. Mundialmente reconhecido como o patrono da engenharia civil, John Smeaton foi inventor, astrônomo e importante escritor. Foi também o responsável pelo projeto de varias pontes, canais, portos e faróis. Engenheiro mecânico competente e um eminente físico entrou para a história como o primeiro engenheiro a se autodenominar engenheiro civil, em oposição à engenharia militar da época. Por essa ocasião, a engenharia já contava milhares de anos de idade.
Porém, dentro do contexto de que a engenharia civil confunde-se com o desenvolvimento da humanidade, através de um processo contínuo, marchando ao sabor da cultura, da conjunção histórica e social, onde a missão do engenheiro é de fundamental importância no dia-a-dia da sociedade para concretização sonhos essenciais ao convívio humano e a sustentabilidade global, entendo que estamos em débito com a sociedade no que tange a busca de soluções nos setores cujas atribuições nos foram confiadas. O exame da atual situação demonstra que pouca coisa foi feita, mudou, ou ainda, muita coisa piorou. As frequentes discussões entre os profissionais incumbidos das soluções na área da engenharia e arquitetura acabam por desfoca-los do objetivo principal. Arquitetos falam que engenheiros são retrógrados, sem gosto e querem edificar não prédios, mas caixotões. Estes rebatem dizendo que as "viagens" arquitetônicas são quase sempre caras, loucas e inúteis e que os profissionais da área não passam de decoradores graduados. A crítica mútua é um esporte praticado pelas duas categorias, com nuances exclusivas para cada profissão. Quando querem carregar nas tintas, os engenheiros questionam a sexualidade dos arquitetos, por causa de seus "dons artísticos". Já estes veem o pendor pela exatidão da outra categoria como sinal explícito de burrice.  Em 1980, a lateral de uma viga do entrepiso que separa os prédios de engenharia e arquitetura na Universidade Federal de Santa Catarina foi pichada com a seguinte frase: “Construa certo, contrate um arquiteto”. A resposta foi imediata, estudantes de engenharia picharam na face oposta: “Economize dinheiro, contrate um engenheiro”. E a vida segue, com os mesmos métodos retrôs, materiais de baixa qualidade e sem tecnologia, obras caras, pesadas, morosas, artesanais, cada vez mais engastadas, e que acabam por não satisfazerem seus usuários.
A população cresceu e cresce, e com ela cresce a fome de parcelas enormes da sociedade civil, clamando com sua voz enrouquecida por melhores cidades, moradias dignas e equipamentos urbanos funcionais. A falta de bons profissionais em todos os setores é um problema material, teórico, conceitual, emblemático, metodológico e existencial de estatura colossal. O próprio Pantagruel submetido ao processo inverso. E o que nele desassossega é a infinita capacidade de regurgitar, fazer sobrar, fatigar-se sem, contudo, interessar-se efetivamente por prover o que falta, onde falta, quando falta, para quem falta e por que falta. Toda via, mesmo com um problema dessa dimensão, não existem por enquanto, ações para atender as necessidades básicas da sociedade. É preciso que a universidade, os professores e os alunos dos cursos de graduação estejam preocupados e preparados para desenvolver a capacidade de analisar os problemas decorrentes à profissão de maneira simples e lógica e de aplicar a sua melhor solução rápida e eficaz. É preciso fundamentar, incentivar e investir em pesquisas para o desenvolvimento de materiais alternativos de fácil aplicação, baixo custo, e melhor desempenho. É preciso também que haja urgentemente uma política série que encare o problema de frente com recursos financeiros pesados e determinados a resolver tal situação ao invés de fazer demagogia barata de bons pensamentos do que deve ser feito. Se os temas apresentados não forem trazidos para a universidade e colocados em prática, não valem de nada, se ficarmos ouvindo balela, estaremos condenados a viver o que Paul Auster, desenha no livro In the country of last things. Um cenário feito só de sobras, de resíduos da civilização e no qual a sobrevivência é absoluta, já que a vida, ela própria, ficou limitada ao que sobrou de si mesma, pura sobrevida em meio aos escombros políticos e à devastação social.
Quando paro para pensar engenharia, preparar uma aula ou ainda, corrigir uma avaliação surge uma porção de “grilos” em minha cabeça. A começar pela forma de que a coisa vem sendo feita no Brasil, chegando aos métodos de ensino e a estrutura de nossos cursos na serra catarinense. Hoje não busco mais a fuga no esporte como fazia no passado, passo meu tempo escrevendo para refletir sobre o acontecido.
De Quem é a Culpa?
Embalado pelo alto e gritante som da canção, “Ébrio de Amor” da dupla Milionário e José Rico, que chaga pelas ondas curtas das 690 KHz até o auto falante do velho rádio Telefunken. Osni Vaz conhecido pela alcunha de “Osni carniça”, biscateiro da empresa de mão-de-obra “Bob Buildings”, sem dinheiro para tomar o ônibus, se apressa em terminar de fritar um “zoiudo” e completar seu “bandeco”. Ele terá que pedalar sua “zica” por aproximadamente oito quilômetros até o Jardim Residencial Cepar, no Bairro Ponte Grande zona leste de Lages, para cortar as paredes internas de uma obra. O que “Carniça” não imagina é que seu serviço será interrompido bem antes da conclusão da obra, porque Allyhana da Silva, psicóloga de 24 anos, não tem dinheiro para comprar o material que falta nem tão pouco regularizar a documentação da construção que será embargada pelos fiscais da secretaria de planejamento da prefeitura municipal. Ela tomou um empréstimo consignado de quinze mil reais na Caixa Econômica Federal, vendeu seu automóvel Del Rei, já gastou vinte mil e ainda está longe de se mudar para o novo lar, que na verdade é apenas a ampliação de mais um pavimento na casa de seus pais. "É complicado calcular quanto vai custar à obra porque o preço do material varia muito", explica Bob o empreiteiro à proprietária à beira do desespero. Afinal, seu casamento foi adiado porque os noivos não têm onde morar. Indiferente ao drama, “Carniça” continua a metralhar as paredes para passagem das tubulações das instalações elétricas e hidráulicas, sem imaginar que na caliça produzida pelo impacto da marreta no ponteiro, está quase todos os elementos que compõem o problemático desempenho da construção civil no Brasil. A primeira coisa que “Carniça” ignora é que seu trabalho rende pouco. Ele chega cansado, pois além de pedalar, no dia anterior saiu do serviço e antes de ir embora enroscou no “boteco do Popó”, bebeu cachaça com bitter e jogou sinuca até se embriagar. Passa nove horas por dia no serviço, empenha-se, mas a sua produtividade é muito baixa. A culpa não é só da mão-de-obra, mas da falta de padronização do material de construção, do projeto inadequado, e da falta de planejamento e organização da grande maioria dos que atuam nestes setores.
Quanto custa produzir um watt?
Durante o período do horário brasileiro de verão, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o Governo Federal tentou reduzir a demanda de energia do País, principalmente no horário de pico, que vai das 18h às 21h, quando a iluminação pública é ativada e as famílias retornam para casa, tomam banho e ligam seus aparelhos eletrônicos, como TV, ventiladores e micro-ondas.  Segundo as informações divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia, o horário de verão gerou uma economia de energia de, aproximadamente, 5% este ano.
Não adianta promover ações e investir em campanhas milionárias de conscientização da população ou destinar mais dinheiro às escolas se não há critérios claros sobre como aplicá-lo nem controle efetivo sobre os desvios. Pouco ou nada vai adiantar fazer crescer os recursos da educação sem programar as mudanças necessárias no sistema ineficaz que temos hoje no Brasil. O que os alunos precisão saber é quanto custa para produzir um watt de energia. É preciso que a educação hoje tratada com superficialidade, sem um plano completo e consequente para alcançar metas seja revista e urgentemente repensada.

“Enquanto alunos forem considerados incapazes e os professores "sacerdotes" que devem fazer milagres sem quase dotação nenhuma, a universidade marginal continuará à margem do processo de desenvolvimento econômico e tecnológico. A Universidade para as classes subalternas do interior continuam sem prescindir de uma ação forte do estado. Não há milagre que faça triunfar um modelo de universidade carente para os carentes. Então, me pergunto: Conseguiremos descascar um ovo?”

Autor: Caetano Palma Neto
caetanopalma@bol.com.br
            PROFESSOR UNIVERSITÁRIO
             ENG.CIVIL - CREA 024315/8
            FISCAL DE OBRAS DA SEPLAN
               CONSELHEIRO COMUPDEC 


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