Psicanálise e Cinema

CINEMA E PULSÃO: SOBRE “IRREVERSÍVEL”, O TRAUMA E A IMAGEM Cinema e psicanálise são rigorosamente contemporâneos. Enquanto Freud publica com Breuer os Estudos sobre a Histeria, em 1895, os irmãos Lumière fazem as primeiras apresentações públicas de seu cinematógrafo. Freud jamais se ocupou dessa nova arte, apesar de conceder lugar privilegiado em sua obra, como sabemos, a analogias entre aparelhos óticos e o aparelho psíquico. Lou Andreas Salomé notava em texto de 1913, porém, que “a técnica cinematográfica é a única que permite uma rapidez de sucessão das imagens que corresponde mais ou menos às nossas faculdades de representação” e que “o futuro do filme poderá contribuir muito para a nossa constituição psíquica” ( SALOMÉ, 1913 apud BAUDRY, 1975, p. 57 ). A psicanálise talvez tenha dificuldade em se ocupar do cinema por estar dele mais próxima do que se pensa: ambos parecem partilhar uma radical crítica à mímesis – oriunda da criação da fotografia algumas décadas an...