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Mostrando postagens de 2007
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PSICANÁLISE VAI AO CINEMA "O Cheiro do Ralo" Neste filme, Selton Mello interpreta Lourenço, um comprador de objetos usados que negocia com pessoas geralmente desesperadas por dinheiro, com as quais desenvolve um jogo perverso. Num encontro casual, se vê obrigado a relacionar-se com uma mulher usando uma moeda diferente: o afeto. Para Heitor Dahlia, diretor da comédia, o cheiro do ralo é aquele lugar que todo mundo tem escondido, aquelas coisas obscuras do ser humano. Na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo de 2006, foi eleito o melhor filme pelo júri, que o tratou como a junção de um fino humor negro com reflexões psicológicas e sociais. Debatedores convidados: Maria Holthausen - Psicanalista; Doutora em Teoria Literária. Manoel Ricardo de lima- Escritor; Professor de Literatura Portuguesa na UFSC. Data/hora: 14/11/07 às 19h00.Local: Sala multimídia do CIC. Atividade livre e gratuita

Sobre a construção do eu: as identificações, os ideais.

Sem dúvida amo a mim mesmo, e com todo o furor viscoso em que a bolha vital ferve sobre si mesma e se infla em uma palpitação ao mesmo tempo voraz e precária, não sem fomentar em seu seio o ponto vivo de onde sua unidade voltará a brotar, disseminada de sua própria explosão. Em outras palavras, sou ligado a meu corpo pela energia psíquica, o Eros que faz os corpos vivos se conjugarem para se reproduzir, que ele chama de libido. Mas o que amo, na medida em que existe um eu a que me vinculo por uma concupiscência mental, não é esse corpo cujo batimento e pulsação escapam mais evidentemente ao meu controle, mas uma imagem que me engana ao me mostrar meu corpo em sua Gestalt, sua forma. Ele é belo, é grande, é forte, o é mais ainda por ser feio, pequeno e miserável. Só me amo na medida em que me desconheço essencialmente, amo apenas um outro, um outro com um pequeno a inicial, daí o costume de meus alunos de chamar de "o pequeno outro". Nada de surpreendente no fato de ser...

Questões sobre escrita

O estudante, segundo Nietzsche, está ligado a Universidade pela orelha. O lugar do estudante, dentro da instituição acadêmica, é o lugar do ouvinte. Um ouvinte passivo frente ao saber do Mestre. O estudante ouve, anota, repete na prova, cita em seus trabalhos o saber autorizado pelos seus mestres. Um saber que, de maneira geral, é conformista e homogêneo. Um saber que o psicanalista francês - Jacques Lacan - denominou de saber-semblante. Ou seja, um saber que alimenta o conformismo identificatório. Quanto mais cito Jacques Lacan, quanto maior é o meu repertório de palavras e conceitos lacaniano, maior será a minha aprovação como pesquisadora deste teórico. Este conformismo identificatório com o saber do Mestre, o discurso universitário chama de rigor teórico. Dentro do discurso universitário, não há espaço para o não-saber. Portanto, não há espaço para a criação, só para a repetição que advém da memorização. O bom estudante repete, não inventa. Não estou, aqui, contestando...

Desejo:

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Podemos entender o desejo como a negatividade do mundo narcísico, isto é, como aquilo para o que não há objeto dado e conformado de satisfação plena, como fazem parecer as imagens ideais. O desejo é sempre de outra coisa. O desejo pressupõe a falta. Falta que, aliás, marca uma das diferenças entre Freud e Lacan: enquanto para Freud o desejo tem uma gênese empírica na perda da simbiose do bebê com sua mãe, para Lacan o desejo é a necessária relação do ser com a falta.

Sartre & Descartes

... No texto de 1945 intitulado “A liberdade cartesiana”, Sartre critica Descarte por ter reservado ao homem apenas a liberdade negativa , a possibilidade de duvidar, de dizer não. Descartes, diz Sartre, sustou do homem, em proveito exclusivo de Deus, toda a liberdade da imaginação criativa. Humanista radical, Sartre vai reivindicar para o homem o estatuto de criador-criatura, ou seja, vai recolocar sobre os ombros do homem a responsabilidade total de produzir e justificar seus próprios valores universais. O homem está jogado e sozinho no mundo, sem justificativa alguma, e sobretudo sem o consolo de pensar que poderia encontrar algum fundamento para seus valores fora de si próprio, quer dizer, fora daqueles que ele mesmo deve produzir criativamente e justificar com todo o peso que essa responsabilidade implica. Ser contingente é ser gratuito, sem razão e sem justificativa . Ora, para Sartre, uma das maneiras pelas quais o homem se aliena na inautenticidade, como forma de masc...

Fragmentos: Objeto "a" na experiência analítica

fragmento... O estado atual da civilização se descreve como individualismo de massa ou hedonismo conformista de massa. Alguns se lamentam das conseqüências que isto acarreta para o laço social e sua fragilização. Não podemos estar de acordo com esta queixa que aponta para as desordens que produzem a ascensão ao zênite da época do fantasma, do gozo. O objeto a aparece mais claramente, enquanto que antes estava velado. O que se denunciava desde antes da segunda guerra mundial como tirania do narcisismo é agora, a época do desvelamento do objeto tirano. Não se queixar das conseqüências que podemos ler nos sintomas que afetam os laços sociais é a indicação dada por Jacques-Alain Millar por ocasião do Congresso da AMP, em Comandatuba, em 2004. Um psicanalista não pode admitir este termo hedonismo contemporâneo, pois o hedonismo é um sonho. Este suporia uma medida possível das relações do sujeito e de seu gozo. Os limites desta relação podem se situar em duas vertentes. A primeira é a...

Cursos

Universidade Federal de Santa Catarina Centro de Filosofia e Ciências Humanas Departamento de Filosofia Curso de Pós-Graduação em Filosofia Área de Ontologia 2007/02 Professor: Marcos José Müller-Granzotto Disciplina: Ontologia e Método II FIL 3150 Data/horário: 3ª feira / das 13:30 às 16h - Sala: 322 Título do Curso: O Outro no discurso fenomenológico. Objetivo do curso: Discutir, a partir da Quinta Meditação Metafísica de Edmund Husserl (1931), a concepção fenomenológica da experiência do outro (entendido como alter-ego) e a maneira como essa concepção repercutiu na filosofia da intersubjetividade desenvolvida por Merleau-Ponty. Conteúdo programático comentado: A apresentação do outro como uma possibilidade do ego transcendental, como uma das muitas objetivações possíveis desse campo amplo de experiências intencionais, que é a consciência transcendental, não foi suficiente para livrar Husserl das críticas que o acusaram de transformar a fenomenolog...

A Conversa Infinita

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Fragmentos de Blanchot. A originalidade do “diálogo” psicanalítico.... Essa libertação da fala por si própria representa uma comovente aposta em favor da razão entendida como linguagem, e da linguagem entendida como um poder de recolhimento e de reunião no seio da dispersão. Aquele que fala e que aceita falar junto a um outro encontra pouco a pouco as vias que farão de sua fala a resposta à sua fala.Essa resposta não vem de fora, fala de oráculo ou fala de deus, resposta do pai ao filho, daquele que sabe àquele que não quer saber mas obedecer, fala petrificada e petrificante que as pessoas gostam de levar em lugar de si como uma pedra. É preciso que a resposta, mesmo vindo de fora, venha de dentro, retorne àquele que a ouve como o movimento de sua própria descoberta, permitindo-lhe reconhecer-se e saber-se reconhecido por esse outrem estranho, vago e profundo que é o psicanalista e no qual se particularizam e se universalizam todos os interlocutores de sua vida passada q...

"O Superego Pós-Moderno

Fragmentos do texto: O superego pós-moderno, de Slavoj Zizek ..... Em “Os Homens são de Marte, As Mulheres São e Vênus” (1992), John Gray propõe uma versão vulgarizada da psicanálise narrativista-desconstrucionista. Já que, em última análise, “somos” as histórias que contamos a nosso próprio respeito, a solução do impasse psicológico reside, propõe Gray, em reescrever de maneira “positiva” a narrativa de nosso passado. O que ele tem em mente não é apenas a terapia cognitiva padronizada de transformar as falsas “crenças negativas” que temos a nosso próprio respeito na afirmação de que somos amados pelas outras pessoas e capazes de alcançar realizações criativas, mas um procedimento pseudofreudiano mais “radical” de regressar ao palco da ferida traumática primordial. Gray aceita a noção de uma experiência traumática na primeira infância que deixa uma marca permanente no desenvolvimento posterior do sujeito, mas lhe confere uma versão ou um desenvolvimento patológico. O que...

Fragmentos: O Real

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.... O real, aquele de que se trata no que é chamado de meu pensamento, é sempre um pedaço, um caroço. É com certeza, um caroço em torno do qual o pensamento divaga, mas seu estigma, o do real como tal, consiste em não se ligar a nada. Pelo menos é assim que concebo o real. ... A pulsaõ de morte é o real na medida em que ele só pode ser pensado como impossível. Quer dizer que, sempre que ele mostra a ponta do nariz, ele é impensável. Abordar esse impossível não poderia constituir uma esperança, posto que é impensável, é a morte - e o fato de a morte não poder ser pensada é o fundamento do real. Jacques Lacan - Seminário 23

Desejo

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A fantasia é a sustentação do desejo, não é o objeto que é a sustentação do desejo. O sujeito se sustenta como desejante em relação a um conjunto significante cada vez bem mais complexo. Jacques Lacan - Seminário XI

O amor

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..... Aprendam a distinguir agora o amor, como paixão imaginária, do dom ativo que constitui no plano simbólico. O amor, o amor daquele que deseja ser amado, é essencialmente uma tentativa de capturar o outro em si mesmo, em si mesmo como objeto. A primeira vez que falei longamente do amor narcísico, era, lembram-se disto, no prolongamento mesmo da dialética da perversão. ... Queremos ser amados por tudo – não somente pelo nosso eu, ... mas pela cor dos nossos cabelos, pelas nossas mãos, pelas nossas fraquezas, por tudo. Mas inversamente... amar é amar um ser para além do que ele parece ser. O dom ativo do amor visa o outro, não na sua especificidade, mas no seu ser. O amor, não mais como paixão, mas como dom ativo, visa sempre, para além da cativação imaginária, o ser do sujeito amado, a sua particularidade. É por isso que pode aceitar dele até muito longe as fraquezas e os rodeios, pode mesmo admitir os erros, mas há um ponto em que para, um ponto que só se situa a p...

O narcisismo

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O narcisismo... É, com efeito, uma relação erótica - toda identificação erótica, toda apreensão do outro pela imagem numa relação de cativação erótica, se faz pela via da relação narcísica - e é também a base da tensão agressiva. J.Lacan - Seminário 3

Saber Fazer com...

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Saber fazer com : “Só se é responsável na medida de seu savoir faire. Que é o savoir-faire? É a arte, o artifício, o que dà à arte da qual se é capaz um valor notável, porque não há Outro do Outro para operar o Juízo Final. Pelo menos sou eu quem o enuncio assim.” J. Lacan – Seminário 23 O saber fazer com, o savoir faire tão próprio do artista e da posição do analista, é da ordem da invenção. Deixou de ser um saber pronto, precisa ser inventado.

Pertencer a Civilização

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Teoria da civilização oriunda de Bataille: "Pertencer à civilização, por oposição ao bárbaro que a recusa ou ao louco que dela se isenta, é saber tratar o lixo e o excremento".

Convite

As Vozes da Poesia Reunir poesia e música tem sido sempre um desafio para os compositores, seja no âmbito erudito ou no popular: encontrar melodias, ritmos e harmonias que sublinhem e acrescentem os vários e possíveis sentidos de um poema, pesquisar a sonoridade de cada palavra, de cada sílaba, a prosódia do texto, as quebras, as surpresas, as mudanças de cor e de textura, as diferentes cargas emocionais, a intensidade, o timbre, procurando sempre se esquivar ao óbvio e ao esperado. A própria poesia já é, em si mesma, música, destacando-se das outras formas e gêneros literários justamente por seu movimento musicalmente organizado (ou música poeticamente organizada). Foi depois de musicar seis sonetos de Cruz e Sousa em 2004 (primeiramente para soprano e piano, depois para coro e piano) que surgiu a idéia de um trabalho mais amplo, que pudesse oferecer um pequeno panorama da poesia catarinense. Selecionei, portanto, vinte poemas, musicando-os todos para a formação de coro ...

O sujeito na teoria lacaniana

O sujeito na teoria lacaniana O conceito lacaniano do sujeito apresenta-se como uma questão complexa que pode ser abordada através de diferentes caminhos. Um destes, e talvez o mais conhecido, é o traçado por Lacan em um dos seus escritos intitulado “Subversão do Sujeito e Dialética do Desejo no Inconsciente Freudiano”. A questão apresentada neste texto é formulada por Lacan da seguinte maneira: qual é o sujeito que a psicanálise subverte, quando funda o inconsciente freudiano? O sujeito subvertido é o sujeito da concepção clássica, o sujeito do conhecimento. O sujeito freudiano do inconsciente apresenta-se como uma hiância no sujeito do conhecimento, pensado até então como uno e senhor de si. O sujeito do inconsciente não possui substância, ele é o momento de eclipse que se manifesta num equívoco. É esse mesmo conceito de sujeito que Lacan irá encontrar nas primeiras Meditações de Descartes. O sujeito enquanto esvaziado de todos os saberes, representações e imagens. ...