quarta-feira, setembro 05, 2007

A Conversa Infinita





Fragmentos de Blanchot.

A originalidade do “diálogo” psicanalítico.... Essa libertação da fala por si própria representa uma comovente aposta em favor da razão entendida como linguagem, e da linguagem entendida como um poder de recolhimento e de reunião no seio da dispersão. Aquele que fala e que aceita falar junto a um outro encontra pouco a pouco as vias que farão de sua fala a resposta à sua fala.Essa resposta não vem de fora, fala de oráculo ou fala de deus, resposta do pai ao filho, daquele que sabe àquele que não quer saber mas obedecer, fala petrificada e petrificante que as pessoas gostam de levar em lugar de si como uma pedra. É preciso que a resposta, mesmo vindo de fora, venha de dentro, retorne àquele que a ouve como o movimento de sua própria descoberta, permitindo-lhe reconhecer-se e saber-se reconhecido por esse outrem estranho, vago e profundo que é o psicanalista e no qual se particularizam e se universalizam todos os interlocutores de sua vida passada que não o ouviram. A dupla característica desse diálogo é que continua sendo uma fala solitária destinada a encontrar sozinha seus caminhos e sua medida, e que no entanto, exprimindo-se só, ela não chegue a realizar-se a não ser como uma relação verdadeira com um outrem verdadeiro, relação que o interlocutor – o outro – não pesa mais sobre a palavra que disse o sujeito (afastado então de si como centro), mas a ouve e ao ouvi-la responde-lhe, e por meio dessa resposta torna-o responsável por ela, torna-o efetivamente falante, faz com que tenha falado verdadeiramente e em verdade.

Maurice Blanchot, in: A Conversa Infinita - 2.

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